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    Agressões e ameaças a mulheres crescem em dias de jogos de futebol em cinco capitais, aponta relatório

    Dias de jogos de futebol profissional estão associados a um aumento da violência contra mulher no país. Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (11) identificou, na data das partidas, uma alta nos registros de agressões e ameaças contra vítimas femininas, de forma mais intensa contra jovens de 15 a 29 anos. Leia mais (08/11/2026 - 17h36)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 20:36
    Agressões e ameaças a mulheres crescem em dias de jogos de futebol em cinco capitais, aponta relatório
    Câmera de vídeo profissional com microfone direcionado posicionada próxima ao campo de futebol em estádio vazio. Arquibancadas vermelhas e iluminação do estádio ao fundo sob céu azul claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Dias de jogos de futebol profissional estão associados a um aumento da violência contra mulher no país. Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (11) identificou, na data das partidas, uma alta nos registros de agressões e ameaças contra vítimas femininas, de forma mais intensa contra jovens de 15 a 29 anos.

    Câmera de transmissão posicionada no estádio do Morumbis, em São Paulo - Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress · Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress
    Câmera de transmissão posicionada no estádio do Morumbis, em São Paulo - Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress · Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos dias de partidas do Campeonato Brasileiro da Série A e das copas Libertadores e Sul-Americana, o modelo estimou alta de 27,4% nas ameaças contra mulheres, em uma base de 219.595 registros, e de 28,8% nas lesões, entre 88.720 casos.

    A segunda edição do estudo " Futebol e Violência Contra a Mulher " analisou 308.315 registros de 2023 a 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.

    Os pesquisadores ressaltam que há uma associação robusta entre os jogos e o registro da violência, ainda que não haja uma relação causal. Ou seja, não é possível dizer que um jogo implica em agressão ou ameaça, mas os dados, conforme análise avançada dos especialistas, caminham lado a lado, sugerindo fortemente essa relação.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A associação foi mais intensa que na primeira edição do estudo, que analisou dados de 2015 a 2018, quando as altas eram de 23,7% e 20,8%, respectivamente.

    Agora, a agressão física passou a ter a maior variação. "Quando a gente olha para o cenário atual, os registros maiores estão aqui: é agressão, é físico, é aquilo que deixa marca", afirmou Juliana Brandão, pesquisadora do Fórum.

    Mulheres de 15 a 29 anos estão entre as mais afetadas. Nos dias de jogo, o modelo estima alta de 44,4% nas ameaças e de 44% nas lesões.

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    Nos dias com futebol, o modelo estima altas de 35,1% nas lesões e 26,8% nas ameaças dentro de casa. Entre as mulheres jovens, o aumento estimado das ameaças chega a 47,3% dentro do domicílio.

    Para Brandão, os resultados mostram quando, como e onde a violência se intensifica. "A gente está diante de um tempo, porque a violência está acontecendo depois do jogo. E de um modo, porque se expressa pela ameaça e pela agressão", disse.

    A pesquisadora ressalva que o futebol não é a origem do problema: "O futebol não gera violência, mas catalisa essa violência".

    As diferenças entre dias com e sem jogo variam ao longo da semana. Nas ameaças, o maior salto é às quintas: a média passa de 28,67 para 41,51 registros, diferença de 12,84.

    Segundo Daniel Cerqueira, coordenador do estudo, a pesquisa usou modelos econométricos, controlando o efeito de variáveis como dia da semana, mês, ano, cidade, feriados, temperatura e chuva. "Não é simplesmente uma comparação do dia da semana que tem jogo e que não tem jogo."

    Entre as limitações está a falta de dados sobre álcool. Os pesquisadores não conseguiram obter uma medida de consumo nas capitais. Por isso, o estudo não permite estimar o efeito do álcool nem projetar o impacto do projeto de lei que discute a liberação de bebidas em estádios de São Paulo.

    A mesma limitação vale para as bets, disse Cerqueira: "A pesquisa, em última instância, é limitada pela possibilidade de acesso a dados."

    O placar também não entrou na análise. O estudo não separou vitórias, derrotas ou empates, embora parte da literatura internacional trabalhe com a teoria da frustração-agressão, segundo a qual uma derrota inesperada poderia contribuir para comportamentos agressivos. "A gente não foi por esse caminho, a gente não olhou nenhum placar", afirmou.

    Presente no lançamento, o ex-jogador Raí defendeu maior participação masculina no enfrentamento à violência. "A participação dos homens é vital para haver avanços mais importantes. E os atletas são exemplos, são ídolos, são influenciadores."

    Para ele, clubes e jogadores têm responsabilidade sobre as novas gerações, e a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, pode ampliar a discussão.

    No recorte racial, mulheres negras são maioria na base geral: cerca de 129,3 mil das 219.595 vítimas de ameaça (58,9%) e 53 mil das 88.720 de lesão corporal (59,7%). Nos dias de jogo, porém, o aumento proporcional estimado é maior entre brancas.

    Nas ameaças, é de 14,6% entre negras e 30,9% entre brancas; nas lesões, de 23,2% e 36,2%, respectivamente.

    Uma das hipóteses para essa constatação seria de que as mulheres brancas teriam maior inserção em atividades dessa natureza, enquanto mulheres negras teriam menor contato com o lazer futebolístico.

    "Além disso, a maior recorrência prévia da violência na vida das mulheres negras e possíveis diferenças nos processos de reconhecimento e busca de ajuda contribuiriam para a menor disponibilidade para a formalização da denúncia", diz o estudo.

    Para Brandão, o crescimento geral das notificações também mostra que mulheres estão procurando ajuda. "Não é o anúncio da catástrofe, mas talvez a gente possa usar como uma janela de oportunidade para prevenir feminicídio ."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/agressoes-e-ameacas-a-mulheres-crescem-em-dias-de-jogos-de-futebol-em-cinco-capitais-aponta-relatorio.shtml.

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    Câmera de transmissão posicionada no estádio do Morumbis, em São Paulo - Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress · Rafaela Araújo - 29.mar.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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