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    Agora quem paga tributo sobre consumo não são mais as empresas, diz coautor da reforma tributária

    Foi no último Carnaval que um dos autores da reforma tributária decidiu reescrever o livro lançado um ano antes sobre o assunto. A ideia era transformar uma obra para juristas naquilo que ele define como "um livro de autoajuda" para que as pessoas compreendam o novo sistema. Foi assim que nasceu "Reforma tributária para você, contribuinte", do professor do NEF (Núcleo de Estudos Fiscais) da FGV Direito Eurico Marcos Diniz de Santi. Leia mais (08/28/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 02:00
    Agora quem paga tributo sobre consumo não são mais as empresas, diz coautor da reforma tributária
    Homem calvo com óculos sorri levemente, veste jaqueta azul clara com padrão quadriculado colorido e camiseta preta, braços cruzados, em fundo preto. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Foi no último Carnaval que um dos autores da reforma tributária decidiu reescrever o livro lançado um ano antes sobre o assunto. A ideia era transformar uma obra para juristas naquilo que ele define como "um livro de autoajuda" para que as pessoas compreendam o novo sistema. Foi assim que nasceu "Reforma tributária para você, contribuinte", do professor do NEF (Núcleo de Estudos Fiscais) da FGV Direito Eurico Marcos Diniz de Santi.

    Eurico Marcos Diniz de Santi, fundador do CCiF e do NEF/FGV, coautor intelectual do texto da PEC 45/2019, que se transformou na Emenda Constitucional da reforma tributária - Paulo Vitale/Divulgação Eurico Santi · Paulo Vitale/Divulgação Eur
    Eurico Marcos Diniz de Santi, fundador do CCiF e do NEF/FGV, coautor intelectual do texto da PEC 45/2019, que se transformou na Emenda Constitucional da reforma tributária - Paulo Vitale/Divulgação Eurico Santi · Paulo Vitale/Divulgação Eur — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em entrevista à Folha , ele diz que o contribuinte do título é, principalmente, o empresário brasileiro. Aquele que não vai mais pagar tributo sobre o consumo (a compra de bens e serviços que servem de insumos). Na visão dele, não precisará consultar advogado para saber qual o imposto sobre uma operação. E que irá se libertar do cativeiro do nosso manicômio tributário, mas não pode sucumbir à chamada síndrome de Estocolmo, afirma.

    Diretor do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal), entidade que fundou com Bernard Appy, Isaias Coelho e Nelson Machado, Santi é figura atuante na defesa do sistema. Coordena grupos de discussão por WhatsApp nos quais reúne centenas de pessoas, entre tributaristas, acadêmicos, executivos, políticos e servidores. Possui um canal na internet com vasto material e uma série de lives com especialistas.

    "A reforma tributária é para você, contribuinte, que não é mais contribuinte e fará parte de um clube que não paga mais imposto. Sua função agora é empreender", afirma o autor ao falar qual o recado para as empresas.

    Entenda como será o novo portal da reforma tributária
    Entenda como será o novo portal da reforma tributária — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Sobre a desoneração do empresariado, explica: atualmente, os impostos pagos nas etapas anteriores da produção viram custo, a empresa não consegue aproveitá-los como crédito pleno. Esse "imposto oculto" se acumula pela cadeia. Quando o produto chega ao consumidor, ninguém sabe o quanto do preço é resíduo tributário.

    No novo sistema, o imposto incide na aquisição de insumos e na contratação de serviços pela pessoa jurídica, mas, como ela se credita desse mesmo valor, o resultado é zero.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E quem arca com esses tributos? Os mais de 210 milhões de consumidores pessoas físicas, que agora saberão, de forma clara e transparente na nota fiscal, que sempre pagaram o " maior IVA [Imposto sobre Valor Agregado] do mundo ", e poderão cobrar mudanças, diz. "A gente convive com essa carga tributária, e a população não era informada. Eu tenho de empoderar essas pessoas."

    Santi atribui parte das críticas à reforma não só à propagação de notícias falsas, mas também à mudança na forma de enxergar esse tipo de tributação. "O cara está preso naquele modelo. É ruim, mas ele conhece aquela realidade, está acostumado. Agora vem uma coisa nova."

    No livro, destaca que a reforma colocou uma trava que não permite aumentar a carga desses tributos até 2033. O governador ou prefeito que quiser aumentar o imposto depois disso precisará do aval dos Poderes Legislativos locais. Hoje, o aumento onera as empresas que estão no estado (tributação na origem). Agora, o aumento recairá apenas sobre o consumidor que vive naquele local (tributação no destino), ou seja, sobre os seus eleitores.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A reforma que começou a ser gestada em 2014 no NEF/FGV, e a partir de 2015 no CCiF, previa um único tributo sobre bens e serviços, que por pressão de estados e municípios se transformou em dois (CBS e IBS), e praticamente não trazia exceções. Ainda assim, o coautor da proposta afirma que o coração da proposta foi preservado, que tudo está dando certo e que o Brasil terá "o melhor IVA do mundo".

    Na obra, critica alguns pontos modificados pelo Congresso, como a manutenção dos incentivos para a Zona Franca de Manaus —que pela proposta original não seriam preservados— e a possibilidade de inclusão dos novos tributos na base de cálculo dos que estão sendo extintos durante a transição.

    Ainda assim, diz que os objetivos centrais estão preservados: aumentar a produtividade, criar um ambiente de negócios para incentivar o investimento e garantir que não haverá aumento de carga na transição.

    No livro, o tributarista não poupa o atual sistema, que descreve como uma distopia kafkiana. Para ele, todas as velhas carcaças legislativas dos tributos que estão sendo extintos serão sepultadas em ampla e profunda cova, juntamente com toda a respectiva doutrina e jurisprudência produzidas nos últimos 50 anos.

    Santi afirma ter buscado uma linguagem simples e acessível aos leigos, mas que também era necessário colocar no livro a transcrição literal dos principais dispositivos da lei complementar que regulamenta o novo sistema, em tópicos por assunto.

    Na obra, também recupera o nascimento da proposta, analisa temas específicos (como split payment, tributação de combustíveis e imóveis ) e fala sobre o papel das autoridades no novo sistema. "Quem está guiando a reforma é uma tropa de elite, dos municípios, dos estados e da Receita Federal . Eles estão dando curso sobre a reforma. Quem segui-los está seguro."

    Ele diz que, no sistema atual, cabe ao contribuinte interpretar milhares de normas confusas, pagar o imposto por conta e risco, e conviver por até cinco anos com a possibilidade de autuações e multas de até 150%.

    Agora, haverá apuração assistida, declaração pré-preenchida e calculadora do imposto. O empresário saberá antecipadamente como os fiscos qualificam sua operação e, se houver discordância, poderá contestar as autoridades.

    Apesar do otimismo, o professor aponta como desafios garantir a simplificação para reduzir os custos de adaptação –ele se opõe à construção de dois sistemas paralelos, um da Receita e outros de estados e municípios, para administrar os novos tributos.

    Diante do pedido para que sintetize a reforma em uma palavra, repete o que diz no livro: "cidadania fiscal". E completa: "Em uma metáfora, um realinhamento de chakras. Os chakras estavam cruzados."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/agora-quem-paga-tributo-sobre-consumo-nao-sao-mais-as-empresas-diz-coautor-da-reforma-tributaria.shtml.

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    Eurico Marcos Diniz de Santi, fundador do CCiF e do NEF/FGV, coautor intelectual do texto da PEC 45/2019, que se transformou na Emenda Constitucional da reforma tributária - Paulo Vitale/Divulgação Eurico Santi · Paulo Vitale/Divulgação Eur — Foto: Folha de S.Paulo

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