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    Agitador de ultradireita que defende deportações em massa é preso pelo ICE

    Ex-trumpista britânico, Milo Yiannopoulos foi detido no aeroporto de Nova Orleans, segundo a agência migratória

    UOL
    29 de agosto de 2026 às 00:00
    Agitador de ultradireita que defende deportações em massa é preso pelo ICE
    Foto: UOL

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    O governo Trump informou nesta sexta-feira (28) que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos ( ICE , na sigla em inglês) haviam prendido Milo Yiannopoulos , um proeminente agitador de ultradireita e ex-apoiador de Trump, no aeroporto de Nova Orleans.

    O provocador britânico de ultradireita, Milo Yiannopoulos, após detenção por agentes federais de migração na Louisiana - Departamento de Segurança Interna/via Reuters · Departamento de Segurança Interna/via Reuters
    O provocador britânico de ultradireita, Milo Yiannopoulos, após detenção por agentes federais de migração na Louisiana - Departamento de Segurança Interna/via Reuters · Departamento de Segurança Interna/via Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Registros públicos de detenção do ICE confirmaram que Yiannopoulos estava sob custódia, mas não informaram onde ele estava detido. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou que Yiannopoulos havia permanecido no país além do prazo de validade de seu visto e que, em julho, havia recebido uma ordem definitiva de deportação. Essa ordem significa que Yiannopoulos pode ser removido do país.

    O DHS divulgou a prisão de Yiannopoulos, fazendo circular uma foto policial pouco lisonjeira e alertando outros imigrantes a "assumirem o controle de sua partida" por meio da autodeportação.

    A prisão ocorre em meio aos esforços do governo Trump para abordar cidadãos estrangeiros durante suas passagens por aeroportos, uma tática que abriu caminho para que um enorme contingente de pessoas fosse alvo de deportação. Nos últimos meses, agentes de imigração à paisana têm levado rapidamente os alvos em balcões de check-in e portões de desembarque, com a ajuda de informações fornecidas pelas companhias aéreas à Agência de Segurança dos Transportes.

    Milo Yiannopoulos
    Milo Yiannopoulos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Yiannopoulos é cidadão britânico e vive nos EUA desde 2015, quando entrou no país para integrar a equipe do Breitbart News —um site do ecossistema de ultradireita americano— com um visto de não imigrante reservado a pessoas com "habilidades extraordinárias". Ele não respondeu às mensagens do New York Times solicitando comentários.

    Yiannopoulos foi um destacado apoiador de Trump durante a campanha presidencial de 2016 do republicano. Além de seu trabalho no Breitbart, em 2017 Yiannopoulos chegou a receber, por um breve período, um convite para discursar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), uma das principais plataformas da direita americana.

    Mas Yiannopoulos caiu em desgraça de forma abrupta após a divulgação de um vídeo no qual defendia relações sexuais com meninos de apenas 13 anos e tratava com desdém a gravidade da pedofilia praticada por padres católicos. Os organizadores da CPAC retiraram o convite, e ele deixou o Breitbart em meio às críticas por suas declarações.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Provocador de língua ferina e acostumado a controvérsias, Yiannopoulos foi banido, em 2016, do X, então Twitter, por liderar uma campanha de assédio contra uma atriz negra. Sua conta foi restabelecida em 2022 por Elon Musk, que comprou a plataforma.

    Mais recentemente, Yiannopoulos voltou aos holofotes por trabalhar temporariamente para a ex-deputada republicana Marjorie Taylor Greene e para a marca de moda de Ye, o rapper anteriormente conhecido como Kanye West .

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 2022, ele assumiu a responsabilidade por organizar um jantar infame com Trump e West, do qual também participou o supremacista branco Nick Fuentes. (Yiannopoulos afirmou que o encontro foi uma emboscada destinada a "tornar a vida de Trump um inferno".) Dois anos depois, Yiannopoulos se juntou à campanha exploratória de Kanye West à Presidência.

    Yiannopoulos, que era abertamente gay e dizia com frequência sentir atração por Trump, anunciou em 2017 que havia se casado com um cidadão americano, mas nunca revelou a identidade completa dessa pessoa. Mais tarde, afirmou que havia deixado de ser gay e que havia "rebaixado" o marido à função de "colega de casa".

    Ele tem sido um alvo particular de Laura Loomer , uma ativista de direita que conversa frequentemente com Trump. Os dois já foram aliados próximos —Yiannopoulos apoiou a candidatura malsucedida dela ao Congresso em 2020—, mas romperam publicamente.

    Desde o fim de 2024, Loomer vinha pedindo que ele fosse deportado, sob a afirmação de que estava no país com um visto vencido.

    Em uma conversa por telefone nesta sexta-feira com o New York Times, Loomer atribuiu a si mesma o mérito pela prisão, dizendo que havia muito tempo notificara o DHS sobre possíveis problemas com a situação migratória de Yiannopoulos.

    "Loomered!", disse ela, usando um termo que aplica ao número crescente de pessoas que foram demitidas, deportadas ou repreendidas de alguma outra forma pelo governo Trump após seus pedidos específicos de ação. "Há muito tempo venho dizendo que isso deveria acontecer, e agora aconteceu."

    Outras figuras proeminentes da direita não demoraram a comemorar a notícia. "Deportem imediatamente", escreveu no X Enrique Tarrio, ex-líder dos Proud Boys, grupo de extrema direita ativo na invasão do Capitólio no 6 de Janeiro de 2001. "Já vai tarde."

    O próprio Yiannopoulos havia se regozijado com as deportações em massa promovidas por Trump, defendendo a instalação de postos de fiscalização do ICE em supermercados e postos de gasolina, além de "imunidade jurídica total para os agentes do ICE quando estiverem em serviço".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/agitador-de-ultradireita-que-defende-deportacoes-em-massa-e-preso-pelo-ice.shtml.

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