Política

    Afastamento de Andrei amplia desconfiança no governo com Messias

    Há percepção entre governistas que o AGU atuou em sintonia com Mendonça para que houvesse a saída temporária do número 1 da Polícia Federal

    Poder360
    12 de setembro de 2026 às 09:00
    Afastamento de Andrei amplia desconfiança no governo com Messias
    Foto: Poder360

    Há percepção entre governistas que o AGU atuou em sintonia com Mendonça para que houvesse a saída temporária do número 1 da Polícia Federal

    O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aumentou a desconfiança no Planalto em relação ao advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro André Mendonça, do STF, foi o responsável pela decisão em retirar Andrei do comando da PF, na 3ª feira (8.set.2026).

    Há uma percepção de que Messias atuou em sintonia com Mendonça para que isso acontecesse. A hesitação do AGU em apresentar recursos ao STF, conforme indicou a PF, e a boa relação com o magistrado são usadas como argumento entre governistas e o entorno de Andrei.

    Na imagem, Jorge Messias depois da votação do plenário do Senado Federal
    Na imagem, Jorge Messias depois da votação do plenário do Senado Federal — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a cogitar a indicação do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, ao STF. Essa possibilidade está atrelada à desconfiança que se passou a ter no Planalto em relação a Messias.

    N a 4ª feira (9.set), o ministro do STF Flávio Dino mandou que Andrei fosse reintegrado ao posto. O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu as decisões de Mendonça e Dino. Na prática, manteve Rodrigues como chefe da corporação. A decisão de Fachin foi tomada depois de pedido da Advocacia Geral da União para suspender o afastamento determinado por Mendonça.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Na 6ª feira (11.set), Mendonça voltou a defender o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF. Essa insistência traz nova insatisfação do número 1 da Polícia Federal.

    Fundador do grupo Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho é um aliado de Messias e está na coordenação de campanha de Lula . Ao Poder360 , afirma haver uma tentativa de desgastar o AGU em razão da vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal.

    “Messias está passando por um processo de desgaste por conta da vaga aberta no Supremo, o que é profundamente injusto. Messias é um dos quadros técnicos mais preparados do campo progressista, tem sólida formação jurídica e profunda sensibilidade social” , declarou.

    Marco Aurélio endossa que Messias “participou de forma decisiva das articulações pela manutenção de Andrei no cargo” .

    Em 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O ministro da Advocacia Geral da União recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis –precisava de 41 a favor para ter a indicação aprovada.

    Foi a 1ª vez em 132 anos que uma indicação presidencial à Suprema Corte foi rejeitada no Senado. Em 30 de abril, Messias fez um agradecimento público a André Mendonça, que apoiava sua indicação ao STF. Em publicação no X, chamou o ministro da Suprema Corte de “irmão” .

    O Poder360 procurou a assessoria da Polícia Federal para saber se havia interesse em se manifestar sobre o tema. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

    Em nota, a assessoria de Jorge Messias disse que “a decisão de não adotar as medidas solicitadas pela Polícia Federal, no âmbito dos processos relacionados às operações Compliance Zero e Sem Desconto” foi “estritamente técnica e jurídica” .

    “A Advocacia-Geral da União (AGU) esclarece que a decisão de não adotar as medidas solicitadas pela Polícia Federal, no âmbito dos processos relacionados às operações Compliance Zero e Sem Desconto, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), decorreu de análise estritamente técnica e jurídica, considerando as decisões de natureza procedimental proferidas pelo ministro André Mendonça, relator dos feitos.

    “Conforme resposta oficial encaminhada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em atenção à solicitação da Direção-Geral da Polícia Federal, a AGU não dispõe de competência constitucional ou legal para atuar em aspectos relacionados à persecução penal nos termos pretendidos pela corporação.

    “Isso não significou, contudo, inércia institucional. Na condição de interlocutor perante o STF, conforme previsto no art. 35, IV, da Lei nº 14.600/2023, o advogado-geral da União atuou concretamente na busca de uma solução institucional, procurando viabilizar que as questões apresentadas pela Polícia Federal fossem encaminhadas diretamente ao ministro-relator.

    “Ao longo dos meses de julho e agosto, foram realizadas diversas reuniões entre autoridades e representantes da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal, com o objetivo de identificar mecanismos próprios e juridicamente adequados para o atendimento das demandas apresentadas pela PF.

    “O advogado-geral da União também buscou, em diferentes oportunidades, interlocução com o ministro-relator e com o presidente do STF, com o propósito de contribuir para a construção de um ambiente de diálogo capaz de equacionar divergências e evitar o agravamento de uma situação institucional sensível.

    “A missão constitucional da AGU é defender a União e preservar o interesse público, sempre nos limites estabelecidos pela Constituição e pela legislação. Foi com base nessas balizas que a instituição concluiu que, além da ausência de competência legal para atuar na esfera criminal nos termos solicitados, uma intervenção processual nas condições pretendidas poderia gerar riscos jurídicos e institucionais para as próprias investigações em curso no STF.

    “A decisão foi resultado de análise técnica e jurídica realizada por advogados e advogadas com atribuições formais na AGU para apreciação da matéria. Não há, na história da instituição, precedente de atuação da natureza pretendida.

    “A AGU permanece à disposição da Polícia Federal e das demais instituições do Estado para auxiliar, no âmbito de suas competências, em tudo o que for necessário ao regular desenvolvimento das investigações e à defesa do interesse público.

    “Por dever legal e compromisso institucional, a AGU continuará buscando, com responsabilidade e sem precipitações casuísticas, soluções pacíficas e dialogadas para eventuais conflitos, contribuindo, dentro de suas atribuições constitucionais e legais, para a preservação da harmonia entre os Poderes da República.

    “Quanto às informações veiculadas pela imprensa sobre a existência de relatório no qual a Polícia Federal faria ilações a respeito da atuação do advogado-geral da União nas tratativas decorrentes das divergências entre a direção da instituição policial e o ministro-relator no STF, a AGU adotará as providências necessárias para obter os devidos esclarecimentos pertinentes por intermédio do ministro da Justiça e da Segurança Pública.

    “Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU”

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/afastamento-de-andrei-amplia-desconfianca-no-governo-com-messias/.

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    Na imagem, Jorge Messias depois da votação do plenário do Senado Federal — Foto: Poder360

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