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    Afago corporativista a Gonet fulmina credibilidade do MP

    Diante da marcha rumo à desmoralização da cúpula do Judiciário, o Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu poupar o procurador-geral da República, Paulo Gonet , de incômodos pela sua condução no escândalo do Banco Master . O beneplácito corporativista não surpreende, mas aprofunda a corrosão da autoridade do sistema de Justiça no país. Leia mais (09/27/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 01:00
    Afago corporativista a Gonet fulmina credibilidade do MP
    Ministro do Supremo Tribunal Federal sentado em cadeira de couro marrom claro, vestindo toga preta, camisa branca e gravata azul com pontos brancos, com expressão séria. Fundo de parede de pedra clara com relevos arredondados. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Paulo Gonet, procurador-geral da República - Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP · Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP
    Paulo Gonet, procurador-geral da República - Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP · Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Diante da marcha rumo à desmoralização da cúpula do Judiciário, o Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu poupar o procurador-geral da República, Paulo Gonet , de incômodos pela sua condução no escândalo do Banco Master . O beneplácito corporativista não surpreende, mas aprofunda a corrosão da autoridade do sistema de Justiça no país.

    Responsável pela fiscalização da Carta e pelas ações penais no Supremo Tribunal Federal ( STF ), Gonet aparece em relatório da Polícia Federal em situações de confraternização com o entourage do mafioso Daniel Vorcaro . A imagem da noite de charutos e uísque em Londres deveria bastar para afastá-lo de atuar nesse caso.

    Infelizmente, ele tem seguido a regra geral da desfaçatez das altas autoridades flagradas em relações, das apenas festivas às contratuais, com a teia do Master. Numa velocidade incomum, apressou-se a considerar inválido o documento, enviado pelo ministro André Mendonça ao presidente Edson Fachin , em que ele mesmo, Gonet, é mencionado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já quando Mendonça decretou a prisão preventiva da tropa de assalto de Vorcaro, chamada de "A Turma", o procurador-geral não se apurou tanto e pediu mais tempo para avaliar se elementos que confabulavam sobre agredir um jornalista, entre outras ações de jagunçagem, deveriam ser recolhidos à prisão. O ministro relator lhe passou uma justa carraspana e ordenou a detenção.

    Tampouco se conhecem quaisquer iniciativas de Paulo Gonet acerca de outro documento da PF, de 196 páginas, com indícios de relações impróprias do ministro Dias Toffoli com a quadrilha do Master. E há sete meses se conhece esse relatório.

    A passividade de Gonet nesses casos não tem sido a melhor maneira de exercer a fiscalização da lei em nome dos cidadãos. Para além dessa crítica, o fato de ser mencionado no relatório em situações que mereceriam aprofundamento e de ter festejado gostosamente às expensas do fraudador deveriam ensejar afastamento imediato da causa.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não foi o que julgaram nove dos nove conselheiros do órgão máximo do Ministério Público, que mantiveram o colega Gonet à frente das ações do Master.

    O pedido para abrir investigação a respeito dos atos de Paulo Gonet foi rejeitado por cinco deles. O voto de minerva coube ao subprocurador Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino , pivô da manobra que no Supremo protelou para data incerta a decisão sobre a abertura de inquérito em face de Alexandre de Moraes .

    Quando autoridades do mais alto nível incumbidas do sistema de Justiça se protegem diante de elementos clamorosos de má conduta, é o princípio da República que se abala. Todos são iguais diante da lei? O exemplo que vem de cima estimula os brasileiros a responder não a essa pergunta.

    Como o regime das liberdades depende da crença na imparcialidade dos agentes que distribuem o direito, aqui o Brasil vai mal.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/afago-corporativista-a-gonet-fulmina-credibilidade-do-mp.shtml.

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    Paulo Gonet, procurador-geral da República - Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP · Rosinei Coutinho - 15.set.26/STF via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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