“Acordei sendo filmada”, diz jovem estuprada por líder de grupo no Telegram
Relato foi publicado pela própria vítima, de 16 anos, após as imagens do episódio começarem a circular em grupos e redes sociais

A jovem que acusa Nicolas Archanjo Silva, o Naro ( imagem em destaque ), de estupro diz ter recobrado a consciência já diante de uma câmera. Até aquele momento, segundo seu relato, não sabia que estava sendo filmada.
“Eu nem tava consciente porque […] me desmaiou. Eu acordei com a câmera na minha cara já”, afirmou em um vídeo, publicado em uma rede social, depois que imagens do episódio passaram a circular na internet. 4 imagens Fechar modal. 1 de 4 Líder de "panela" foi preso por determinação judicial
Naro teria dopado e estuprado vítima de 16 anos

Ele já é investigado por outros crimes, fomentados no ambiente virtual
Vítima foi agredida fisicamente após abuso sexual
Nicolas foi preso temporariamente, no início da semana, após a Justiça considerar haver indícios de que a vítima foi atraída à casa dele e teve sua capacidade de reação reduzida após ingerir uma bebida. O abuso teria sido gravado e, posteriormente, compartilhado em ambientes virtuais.

No relato, a jovem insiste que não consentiu com a gravação. “Eu não pedi pra gravar porra nenhuma”, afirmou, ao contestar versões divulgadas na internet de que teria concordado com o registro. “Minha vida tá um inferno” A exposição das imagens, segundo ela, abriu uma segunda frente de violência. Além de ter o vídeo divulgado, a jovem passou a ser atacada e responsabilizada pelo crime que alega ter sofrido.
“Minha vida tá um inferno”, resumiu. Em outro momento, contou que a repercussão chegou à sua vida fora da internet. “Perdi meu namorado. Perdi meu terreiro. Perdi um monte de coisa por causa disso.” A jovem também relata ter recebido ameaças após denunciar o ocorrido. Entre as mensagens que afirma serem atribuídas a Nicolas estão referências ao endereço dela e ameaças de morte. “Você vai ter o que você merece”, diz uma das mensagens que ela exibe durante o vídeo.
A versão encontra correspondência na decisão que decretou a prisão temporária. O documento menciona “reiteração de ameaças virtuais” e a continuidade da exposição de conteúdo íntimo após o abuso.

Nicolas é apontado pela investigação como liderança de um grupo no Telegram associado à exploração sexual de crianças e adolescentes, estupros virtuais, coação e incentivo à automutilação.
A própria vítima relata ter encontrado, depois do episódio, acusações feitas por outras jovens contra o suspeito. Parte dessas afirmações ainda depende da apuração policial.
A prisão temporária de Nicolas, decretada por 30 dias, está relacionada à investigação por estupro de vulnerável. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/acordei-sendo-filmada-diz-jovem-estuprada-por-lider-de-grupo-no-telegram.

Reprodução/Arquivo Pessoal — Foto: Metrópoles
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