Ações da Hapvida desabam 33% após lucro cair 95,8% e fecham no menor nível desde IPO
As ações da Hapvida desabaram 33,09% nesta quinta-feira (13) após a companhia reportar queda de 95,8% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre de 2026, para R$ 12,5 milhões. Leia mais (08/13/2026 - 20h00)

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As ações da Hapvida desabaram 33,09% nesta quinta-feira (13) após a companhia reportar queda de 95,8% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre de 2026, para R$ 12,5 milhões.

Os papéis da empresa de saúde fecharam a R$ 6,41, no menor valor desde o IPO (oferta pública inicial de ações, quando uma empresa passa a ter seus papéis negociados na Bolsa ), realizado em 25 de abril de 2018.
Para Renato Reis, analista da Blue3 Investimentos, a queda das ações, apesar de forte, não foi exagerada diante da deterioração dos indicadores. Ele destaca a piora da sinistralidade, indicador que mostra quanto da receita da operadora é destinado ao pagamento de despesas médicas e assistenciais.
No segundo trimestre, o índice chegou a 75,2%, alta de 3 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e de 1,3 ponto percentual na comparação anual. Na avaliação de Reis, a piora parece refletir um problema mais estrutural do que pontual.

Segundo o especialista, a intensidade do movimento também pode estar relacionada à falta de um alinhamento prévio da Hapvida com o mercado sobre os resultados.
Para ele, embora os números possam melhorar no próximo trimestre, seria necessário observar uma melhora estrutural antes de voltar a considerar a compra das ações.
Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, acrescenta que a queda também pode refletir um movimento técnico. Segundo ele, investidores que apostavam em uma virada operacional da companhia podem ter desfeito suas posições diante da ausência dessa melhora.

O analista também destaca a sinistralidade como um dos principais pontos de atenção, mas avalia que a Hapvida pode se recuperar à medida que avance na revisão dos contratos deficitários. Para ele, porém, o cenário ainda dificulta a entrada de investidores pessoa física no papel.
Em relatório, o BB Investimentos avaliou que a Hapvida apresentou resultados negativos no segundo trimestre, com deterioração da rentabilidade tanto na comparação trimestral quanto anual. Segundo a instituição, o desempenho refletiu principalmente o aumento da sinistralidade caixa e das despesas administrativas e de vendas.
Segundo o BB, o aumento foi explicado pela sazonalidade historicamente menos favorável do período, pelo maior transbordo de contas médicas da rede credenciada (associado à maior utilização observada em março) e pelo aumento dos sinistros judiciais em relação ao trimestre anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 504,4 milhões no segundo trimestre, recuo de 44,3% na comparação anual.
Na avaliação do BB, a Hapvida vem buscando recuperar a rentabilidade e a geração de caixa por meio da análise de sua base de contratos deficitários e da adoção de critérios mais rigorosos para clientes inadimplentes.
A medida envolve uma parcela relevante da carteira: ao final de junho, aproximadamente 947 mil beneficiários, cerca de 11% do total, estavam vinculados a contratos sob análise quanto ao equilíbrio econômico e à inadimplência.
Na avaliação de Harold Takahashi, sócio da Fortezza Partners, esse foi um dos principais pontos do balanço. A Hapvida pretende reavaliar esses contratos, o que pode levar parte dos clientes a aceitar uma repactuação de preços e outra parcela a cancelar os planos. Takahashi também diz que há um risco de judicialização associado ao processo.
O BTG também avaliou que o resultado veio abaixo do esperado. O banco afirmou que esperava uma continuidade da melhora observada no primeiro trimestre, o que não ocorreu. Na avaliação da instituição, além da sazonalidade desafiadora, a Hapvida continua enfrentando problemas como alta taxa de utilização, judicialização, contratos com condições econômicas desfavoráveis, alto endividamento e pressão sobre os custos médicos.
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A receita líquida foi de R$ 7,97 bilhões, alta de 4% na comparação anual e 1% abaixo da projeção do BTG. O Ebitda ajustado (R$ 504 milhões) ficou 30% abaixo da estimativa do banco. Segundo o BTG, esse foi o pior Ebitda registrado pela companhia nos últimos cinco anos.
Analistas do Itaú BBA também consideraram os resultados piores do que o esperado, principalmente em razão de uma tendência de judicialização mais forte do que a prevista. Para o banco, o resultado dificulta avaliar qual seria um nível de rentabilidade normalizado para a companhia no futuro.
O Itaú BBA também chamou atenção para a identificação dos mais de 900 mil beneficiários com tíquetes médios abaixo da média. Para os analistas, os resultados abaixo do esperado e a pressão renovada relacionada aos depósitos judiciais podem levar a revisões para baixo nas estimativas e pressionar as ações no curto prazo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/acoes-da-hapvida-desabam-33-apos-lucro-cair-958-e-fecham-no-menor-nivel-desde-ipo.shtml.

Logo da Hapvida visto em uma clínica em São Paulo; ações da empresa desabam com queda de 95,8% no lucro do segundo trimestre - Amanda Perobelli - 26.mar.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 26.mar.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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