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    Acidente radioativo com Césio 137 em Goiânia completa 39 anos; relembre caso

    Contaminação de locais e habitantes da capital de Goiás foi causada pelo descarte indevido de um aparelho de radiologia

    CNN Brasil
    13 de setembro de 2026 às 10:07
    Acidente radioativo com Césio 137 em Goiânia completa 39 anos; relembre caso
    Foto: CNN Brasil

    Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada na capital de Goiás .

    A descoberta deu início ao que se tornaria o maior acidente radiológico da história do país.

    Roberto dos Santos e Wagner Mota recolheram o aparelho e o levaram para um ferro-velho para desmonte. Dentro do dispositivo, estava uma cápsula cilíndrica contendo um pó azul de brilho impressionante.

    O maior acidente radiológico da história brasileira aconteceu em Goiânia em 1987 • Reprodução/Universidade Federal de Goiás · • Reprodução/Universidade Federal de Goiás
    O maior acidente radiológico da história brasileira aconteceu em Goiânia em 1987 • Reprodução/Universidade Federal de Goiás · • Reprodução/Universidade Federal de Goiás — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Eles abriram a cápsula, manusearam o pó e decidiram levar parte dele para mostrar aos familiares. A distribuição do césio-137 pela cidade foi rápida, e os efeitos da contaminação foram devastadores.

    Nos dias seguintes, diversas pessoas começaram a apresentar náusea, vômito, queimaduras na pele e fraqueza intensa. Os sinais foram confundidos com outras doenças, o que atrapalhou o processo de identificação e atrasou a resposta das autoridades.

    Quando o contato com o pó brilhante e a cápsula foi apontado como elo em comum entre os doentes, uma atitude por pouco não transformou o acidente em tragédia ainda maior.

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    O físico nuclear Walter Mendes Ferreira conta que o Corpo de Bombeiros foi chamado para fazer o descarte do material, que quase foi atirado no rio. Foi neste momento que a radiação emitida pelo pó foi medida, comprovando a gravidade da situação.

    A operação de emergência exigiu o isolamento de residências, a destruição de pertences pessoais e a descontaminação de bairros inteiros.

    Ao todo, mais de 100 mil pessoas foram avaliadas por exposição, resultando em quatro mortes diretas e afetando milhares de pessoas.

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    Além da saúde fragilizada, a perda de entes queridos e partes do próprio corpo, os sobreviventes também lidaram com anos de preconceito e isolamento causados por ideias incorretas sobre os efeitos da radiação.

    Como a meia-vida física do césio-137 é de cerca de 33 anos, os locais de manipulação e estocagem permaneceram contaminados por anos. Cerca de 6 mil toneladas de objetos continuam guardadas em depósitos subterrâneos em Abadia de Goiás; estima-se que os rastros da radiação desapareçam totalmente 200 anos depois.

    Três décadas após o desastre, cerca de 1.141 sobreviventes — incluindo vítimas diretas, trabalhadores que atuaram na crise (policiais, bombeiros, garis e profissionais de saúde) e seus descendentes — continuam sob acompanhamento físico e psicológico do Cara (Centro de Assistência aos Radioacidentados), vinculado à Secretaria de Saúde de Goiás.

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    O acidente de Goiânia consolidou-se como uma referência internacional, transformando radicalmente as leis, as normas de radioproteção e os protocolos globais de gestão e resposta a emergências com materiais nucleares.

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    Mãos de sobrevivente do acidente radiológico em Goiás • Secretaria de Saúde de Goiás — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Mãos de sobrevivente do acidente radiológico em Goiás • Secretaria de Saúde de Goiás
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    Qual é a estação de metrô mais profunda de SP? Entenda a engenharia por trás da estação Água Branca — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/acidente-radioativo-com-cesio-137-em-goiania-completa-39-anos-relembre-caso/.

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