Brasil

    Abstenção muda e passa a ser maior entre os mais pobres, afetando Lula

    Taxa de ausência nas eleições presidenciais se inverteu a partir de 2018, após décadas em que era mais elevada entre os eleitores de maior renda

    UOL
    14 de outubro de 2026 às 03:00
    Abstenção muda e passa a ser maior entre os mais pobres, afetando Lula
    Cabina de votação branca com inscrições 'Justiça Eleitoral' e 'Cabina de Votação' em preto, exibindo o brasão nacional no centro, em ambiente interno com cortinas e decoração clássica. — Foto: UOL

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    A abstenção eleitoral no Brasil , historicamente mais elevada entre os eleitores de maior renda nas eleições gerais, passou a ser maior nas áreas mais pobres. Em 2026, 21,3% dos eleitores do quinto de menor renda deixaram de votar no primeiro turno da eleição presidencial, ante 20,3% no quinto mais rico.

    Cabine de votação na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, região central da capital paulista - Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress · Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress
    Cabine de votação na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, região central da capital paulista - Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress · Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Numa eleição apertada, a abstenção maior dos mais pobres pode ter prejudicado Lula ( PT ) no primeiro turno.

    A maior vantagem do presidente está nos setores com renda média de 0,7 salário mínimo –R$ 1,1 mil hoje, com 76% dos votos, segundo levantamento da Folha . Já a de Flávio Bolsonaro está na faixa de 2,9 salários mínimos, que correspondem a R$ 4,7 mil, na qual ele conquistou 56% dos votos. Essa faixa já posiciona a população entre os mais ricos do país.

    Em 2006, a relação era inversa: a abstenção foi de 15% entre os mais pobres e de 16,9% entre os mais ricos. Em 2014, os índices haviam subido para 18% e 19,3%, respectivamente.

    Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno das eleições 2026
    Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno das eleições 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 2018, as taxas praticamente se igualaram, em 19,8% e 19,6%. Em 2022, a ausência passou a ser maior entre os mais pobres, com 20,6%, contra 20,1% entre os mais ricos.

    Para um dos autores desse levantamento, Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) e doutor em ciência política pela Universidade Federal do Paraná, a diferença atual não deve, no entanto, ser superestimada.

    Embora a tendência tenha se invertido, a distância entre os grupos é relativamente pequena. Entre as possíveis explicações estão obstáculos cotidianos que afetam mais os eleitores de baixa renda , como custos e dificuldades de transporte, a necessidade de encontrar alguém para cuidar dos filhos e a responsabilidade de acompanhar pais ou outros familiares.

    Cenas do primeiro turno de 2026 pelo Brasil
    Cenas do primeiro turno de 2026 pelo Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Esse padrão, segundo o pesquisador, não se repete nas eleições municipais . Nessas disputas, os mais pobres tendem a participar mais porque conhecem os candidatos e mantêm relações mais próximas com vereadores e prefeitos. A proximidade com os representantes locais pode estimular o comparecimento às urnas.

    Dantas também aponta o desgaste da política como possível fator de desmobilização. A crise de confiança nas instituições e a percepção de que os políticos não respondem às necessidades da população podem desestimular especialmente os eleitores mais pobres.

    Outro elemento é a maior facilidade para lidar com as consequências da ausência: com a digitalização dos serviços eleitorais, ficou mais simples consultar informações e regularizar pendências, o que pode ter reduzido o custo prático de não votar.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O estudo cruza dados de votação por seção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações de renda e território do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os locais de votação são classificados em cinco grupos de renda dentro de cada município. A amostra de 2026 abrange 1.170 municípios e cerca de 114,5 milhões de eleitores aptos.

    Outro levantamento, realizado pela Folha , mostra que a renda se consolidou como a principal fronteira do voto presidencial, revelando mudanças significativas em relação a 2022.

    Na comparação com o primeiro turno daquele ano, o presidente Lula perdeu votos em quase toda a distribuição —com maior impacto nas faixas de renda média e crescimento apenas entre os 4% mais ricos.

    mapa da apuração 2024 - brasil - normal
    mapa da apuração 2024 - brasil - normal — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em contrapartida, Flávio Bolsonaro avançou sobre todas as faixas, expandindo sua base especialmente entre as populações de menor renda.

    Na prática, a renda traça um divisor claro: Lula lidera entre os mais pobres (com ampla vantagem na faixa de até um salário mínimo, que representa cerca de 42% da população), enquanto Bolsonaro vence no restante do espectro, que vai de 1,6 a 16,3 salários mínimos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/abstencao-muda-e-passa-a-ser-maior-entre-os-mais-pobres-afetando-lula.shtml.

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    Cabine de votação na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, região central da capital paulista - Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress · Jardiel Carvalho - 4.out.26/Folhapress — Foto: UOL

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