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    Abrafarma aponta irregularidades em 71% dos produtos para emagrecer no Mercado Livre

    Uma análise da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) aponta que 71% dos produtos encontrados em buscas por emagrecimento no Mercado Livre apresentam ao menos uma irregularidade em relação às normas sanitárias ou aos termos de uso do marketplace. Leia mais (10/01/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de outubro de 2026 às 07:00
    Abrafarma aponta irregularidades em 71% dos produtos para emagrecer no Mercado Livre
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Uma análise da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) aponta que 71% dos produtos encontrados em buscas por emagrecimento no Mercado Livre apresentam ao menos uma irregularidade em relação às normas sanitárias ou aos termos de uso do marketplace.

    Centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo - Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress · Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress
    Centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo - Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress · Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Abrafarma representa as grandes redes de farmácias, que concorrem com as plataformas digitais na venda de suplementos e produtos de saúde . O levantamento analisou 2.624 produtos, selecionados a partir de 7.067 anúncios coletados entre 15 e 19 de junho deste ano.

    Procurado, o Mercado Livre diz que não valida nem contesta metodologias de terceiros, mas reforça que os anúncios que ferirem os termos e condições de uso serão removidos da plataforma.

    "Os medicamentos comercializados por farmácias na plataforma devem ser devidamente regularizados e contar com todas as certificações e autorizações sanitárias exigidas pela Anvisa . A segurança do consumidor é uma prioridade e seguimos investindo continuamente no aprimoramento de seus processos de moderação", escreveu a empresa em nota.

    Veja influenciadores brasileiros que promoveram canetas paraguaias proibidas pela Anvisa
    Veja influenciadores brasileiros que promoveram canetas paraguaias proibidas pela Anvisa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O levantamento enviado à Folha vem a público depois de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) notificar o Mercado Livre, nesta segunda-feira (28), após a empresa anunciar que passaria a vender medicamentos que exigem receita médica.

    Como mostrou a coluna da Mônica Bergamo, a Anvisa afirmou na notificação que o Mercado Livre deve explicar como a operação atende às regras sanitárias e apresentar documentos que comprovem a regularidade do serviço.

    Do total de produtos analisados no relatório da Abrafarma, 1.865 tinham irregularidades. Desses, 912 apresentaram apenas uma infração, e 953 acumularam duas ou mais.

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    O índice soma infrações a normas sanitárias e a regras da própria plataforma, como o uso indevido de marcas de terceiros. A análise considerou apenas o texto e as avaliações públicas dos anúncios, sem compra nem teste laboratorial dos produtos.

    Os suplementos alimentares correspondem a 90% dos itens analisados. O restante inclui 51 medicamentos, cremes e adesivos com composição de suplemento e produtos veterinários com substâncias também administradas a humanos, a maioria em solução injetável.

    Segundo o relatório, o achado central é que as irregularidades se concentram na própria categoria de suplementos. Esses produtos assumem a roupagem de medicamentos ao fazer promessas de cura ou perda de peso e ao se apropriar de marcas, como Ozempic e Mounjaro.

    A irregularidade mais frequente foi a promessa terapêutica, com 1.186 ocorrências. Em 22 anúncios, o próprio título estipula quantos quilos serão perdidos e em quanto tempo, como em "cápsula detox seca reduz 30kg em 30 dias".

    Também apareceram anúncios com promessas de cura ou prevenção de doenças. Um produto é vendido como "remédio para herpes de pele". Um óleo de semente de abóbora afirma atuar na "proteção e prevenção do câncer de próstata", e um suplemento de beterraba diz ajudar "a reduzir o risco de doenças cardíacas e AVC".

    Pelas normas da Anvisa, suplementos alimentares não podem alegar finalidade terapêutica ou curativa. Segundo o relatório, promessas desse tipo induzem o consumidor a erro e podem levá-lo a adiar ou substituir tratamentos com eficácia comprovada.

    A apropriação de marcas aparece em 538 produtos, como suplementos batizados com variações dos nomes Ozempic e Mounjaro.

    Um dos anúncios se apresenta como "Monjauro de pobre". Outro promete "seca 15kg mês" e se diz "+ forte q Mounjaro".

    Os medicamentos Ozempic e Mounjaro , à base de semaglutida e tirzepatida, respectivamente, só podem ser vendidos em farmácia com retenção de receita .

    A Abrafarma afirma que vai usar a pesquisa para acionar a Anvisa nos próximos dias. Na semana passada, a associação já havia enviado enviado ofício à agência questionando a venda de medicamentos com receita pelo Mercado Livre, antes da notificação de segunda-feira.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/abrafarma-aponta-irregularidades-em-71-dos-produtos-para-emagrecer-no-mercado-livre.shtml.

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    Centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo - Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress · Karime Xavier - 16.jan.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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