Abel Ferreira: bom para o time e para as finanças do Palmeiras
Com a venda de Allan, são 401 milhões de euros em vendas desde a chegada do treinador

Jornalista e comentarista da TNT Sports. Viu Messi jogar mais de 100 vezes e há dez anos cobre o dia a dia da Liga dos Campeões
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A venda de Allan, do Palmeiras para o Manchester City , é mais um caso de sucesso da capacidade do clube de formar e do técnico Abel Ferreira de desenvolver jogadores, ao mesmo tempo que mantém sua equipe competitiva.
No mundo do futebol , muitos são os clubes que baseiam sua sobrevivência em revelar e vender, mas custam a conseguir reposição e estabilidade dentro de campo nas entressafras.
O valor, entre fixos e variáveis, de 40 milhões de euros é ótimo para o Palmeiras, que vende um coadjuvante por preço de craques como Endrick e Estêvão. Também é excelente para Allan, que vai para um clube forte tentar dar o passo adiante na carreira —embora a saída de Pep Guardiola levante muitas dúvidas sobre o futuro competitivo do Manchester City.

Para o comprador o negócio também pode ser muito bom, caso consiga desenvolver um bom jogador, com características mais de futebol coletivo do que de brilho individual, para ser uma peça importante em seu elenco.
Com essa negociação, o Palmeiras chega a 401 milhões de euros em vendas desde a chegada de Abel Ferreira, segundo o site Transfermarkt. Entre jogadores revelados ou melhorados pelo técnico português, o clube consegue uma receita extraordinária, ainda mais se compararmos com seus rivais.
O Flamengo arrecadou 220 milhões de euros, 180 milhões a menos —em reais, 1 bilhão atrás. O São Paulo, terceiro colocado em receita com vendas no mesmo período, arrecadou 166 milhões de euros, menos da metade de seu vizinho.

No Palmeiras, as vendas não acompanham compras da mesma magnitude. O clube investiu 224 milhões de euros no período, enquanto o Flamengo gastou 241 milhões. Ou seja, desde a chegada de Abel, o Palmeiras tem um "lucro" de 177 milhões de euros, enquanto o rubronegro tem um déficit de 21 milhões de euros. A diferença entre os dois, portanto, é de 198 milhões de euros no período. Convertendo, R$ 1,2 bilhão em sete anos. Por temporada, são R$ 170 milhões de diferença de investimento entre os dois clubes.
Esses números por si só explicam o mérito esportivo do treinador, capaz de bater de frente com a potência do Rio de Janeiro, dividindo taças e competindo de igual para igual.
Abel precisa, a cada ano, refazer o time e a forma de jogar, porque os jogadores de destaque são negociados para manter a roda girando. No ano passado, precisou encontrar alternativa para a venda de Estêvão; no curso anterior, foi Endrick quem saiu e deixou uma lacuna importante.

O Palmeiras é o único clube vivo nas três competições mais importantes do ano: Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores . E terá que se remontar a partir de agora.
Allan era o único ponta canhoto e driblador do elenco. Joga também como ala ou meia, o que permitia vários esquemas táticos diferentes, sem a necessidade de mudar jogadores. Sem ele, o esquema montado com três zagueiros talvez perca sentido. A melhor alternativa talvez seja Jhon Arias jogar aberto pela direita, mas o time não terá a mesma explosão que conseguia pelo setor.
Nesta coluna já debati várias vezes a estética de jogo do Palmeiras. Parece-me que o torcedor também está exausto do modelo de jogo competitivo, mas via bolas paradas, bolas longas e futebol menos atraente que o do Flamengo. Porém, quando vemos essa diferença de investimento entre os clubes, não há como negar que Abel merece muito mais elogios pelos resultados esportivos e econômicos do que críticas pela beleza do jogo.
Existem várias formas de jogar e de ganhar no futebol. O Palmeiras tem um técnico que talvez não tenha encontrado a melhor para aquilo que lhe dão, mas certamente a melhor para aquilo que lhe tiram.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelo-bechler/2026/08/abel-ferreira-bom-para-o-time-e-para-as-financas-do-palmeiras.shtml.

Allan em jogo contra o paraguaio Cerro Porteño, pela Libertadores - Daniel Duarte - 19.ago.26/AFP · Daniel Duarte - 19.ago.26/AFP — Foto: UOL
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