Economia

    A um mês para a eleição, é melhor investir agora ou esperar? Especialistas respondem

    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/urna-eletronica-eleicoes.webp?fit=1024%2C768&quality=70&strip=all" />A um mês do primeiro turno, prefixados garantem espaço na renda fixa, e especialistas limitam estatais a 10% da carteira de ações antes do primeiro turno; veja as recomendações The post A um mês para a eleição, é melhor investir agora ou esperar? Especialistas respondem appeared first on InfoMoney .

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    4 de setembro de 2026 às 08:00
    A um mês para a eleição, é melhor investir agora ou esperar? Especialistas respondem
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    O primeiro turno das eleições acontece em um mês, e quem quer investir agora vai atravessar o pleito com posições montadas logo antes da disputa. Nesse caso, a dúvida é se vale a pena esperar o desfecho eleitoral para aportar, ou se a turbulência não é tão forte para justificar a pausa. Para decidir, é preciso saber: vai ter mesmo muita volatilidade?

    Para responder à pergunta, o UBS comparou a volatilidade trimestral anualizada da Bolsa, do câmbio e da renda fixa em anos eleitorais e na média histórica – e não encontrou padrão consistente de estresse adicional. No Ibovespa, por exemplo, a volatilidade média dos anos de eleição foi de 19% no primeiro trimestre, ante 23% da média histórica, e de 20% no terceiro, ante 21%. As médias excluem 2008 e 2020.

    “Concordo com a leitura do UBS. Os dados mostram que, de fato, a volatilidade não necessariamente aumenta de forma significativa em anos eleitorais”, diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. Para ele, o efeito eleitoral aparece em outro lugar. “Não é necessariamente mais volatilidade, mas mais mudanças direcionais nos preços à medida que o mercado recalibra expectativas para o próximo governo”.

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    Pedro Carneiro, gestor de renda variável da Asset1, concorda e ressalta que o que muda na reta final é a forma como o mercado reage a cada informação nova. “Em setembro e outubro, cada pesquisa altera a probabilidade atribuída ao regime fiscal dos próximos anos. Aumenta o risco de movimentos grandes quando o mercado precisa reprecificar rapidamente um cenário”, afirma, levando em conta as últimas três eleições presidenciais.

    Mas muitos no mercado veem riscos. “O que a gente está vendo no momento atual não condiz muito com essa narrativa. Temos mais volatilidade, sim”, opina Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, citando a sequência de 12 pregões consecutivos de queda do Ibovespa, encerrada no último dia 19 de agosto, seguida de 11 altas consecutivas até esta quinta-feira (3). Na avaliação dele, o pleito deste ano gera muito mais oscilação do que as eleições anteriores.

    Robson Casagrande, sócio da GT Capital, diz que o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas produziu “uma reprecificação direcional, não um aumento de variância”. Já Jeff Patzlaff, planejador financeiro com certificação CFP, separa a estatística da experiência do investidor. “A volatilidade média pode ser igual, mas os solavancos num único dia ou semana costumam ser muito mais fortes e emocionais”, afirma.

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    Para navegar por esse cenário, Carneiro começaria por ações de empresas com fluxo de caixa previsível, evitando exposição doméstica com o PIB desacelerando. Sobre estatais, impõe um limite. “Para uma pessoa física que não quer carregar risco de manchete política, eu limitaria essa exposição a algo como 10% da carteira de ações”, diz. Ele recomenda dividir a entrada em três aportes até novembro, para diluir o risco.

    Nobile concorda que as estatais são os ativos mais expostos ao resultado das eleições, mas não quer montar uma carteira pautada pela urna. “O investidor não pode e não deve se concentrar ou comprar muito baseado em eleição, porque está muito difícil de prever quem vai ser o ganhador”, afirma.

    Um relatório da Nomos Research, assinado pelo estrategista Max Bohm, adota caminho diferente e monta duas carteiras de cinco ações, uma para cada cenário de vitória, sem apostar em nenhum deles. O documento trata o pleito como “um grande 50/50” e recomenda seguir posicionado em Bolsa qualquer que seja o resultado.

    Urna eletrônica com indicação
    Urna eletrônica com indicação — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Para uma vitória do presidente Lula, a Nomos parte da premissa de dólar mais forte e juros futuros abrindo, e seleciona exportadoras e empresas defensivas: Suzano ( SUZB3 ), WEG ( WEGE3 ), BB Seguridade ( BBSE3 ), Caixa Seguridade ( CXSE3 ) e TIM ( TIMS3 ).

    Para uma vitória de Flávio Bolsonaro, em que projeta dólar abaixo de R$ 5 e fechamento da curva de juros, a escolha recai sobre estatais com potencial de mudança de gestão, casos de melhora de governança e cíclicos favorecidos por juros menores: Petrobras ( PETR4 ), Banco do Brasil ( BBAS3 ), Axia Energia ( AXIA3 ), BTG Pactual ( BPAC11 ) e Cyrela ( CYRE3 ).

    Os especialistas chegam a carteiras distintas para quem aplica agora com foco no longo prazo. Mas há um consenso: todos veem espaço para prefixados, normalmente considerados mais arriscados, após dados de inflação apontarem para a possibilidade de continuação da queda da Selic. Hoje, o mercado projeta a taxa básica em 13,75% neste ano, com mais um corte, e 12% em 2027.

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    Veja as principais recomendações dos especialistas na renda fixa:

    “O carrego do pós-fixado é a melhor poltrona de espera. Tentar acertar o pico exato de um título prefixado agora é tentar segurar uma faca caindo no escuro”, diz.

    A casa reduziu a exposição a crédito privado pós-fixado e encurtou o prazo médio dos prefixados de quatro para três anos, apontando desaceleração da atividade e leituras de inflação mais benignas

    A divergência se estende ao prefixado longo. Para Casagrande, é o ativo que mais se beneficia se o mercado seguir lendo o avanço nas pesquisas como reancoragem fiscal, mas também o que mais sofre caso a aposta seja desfeita. Patzlaff prefere esperar. “É melhor entrar pagando um pouquinho mais caro num cenário onde o novo ministro da economia já está definido do que tentar adivinhar o futuro agora”, afirma.

    No crédito privado, os especialistas voltam a concordar. “A palavra principal para nós é critério”, diz Mendes, que cita o aumento de recuperações judiciais de empresas com dificuldade para refinanciar dívidas mesmo com Ebitda positivo.

    Casagrande evita crédito de empresas alavancadas e ligadas ao consumo discricionário. Ele vê deterioração em papéis high yield, de empresas com menor nota de crédito, e em cotas subordinadas de FIDCs, os fundos de investimento em direitos creditórios, citando “aumento de eventos de crédito pontuais e resgates relevantes em fundos que seguraram essas posições”.

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/onde-investir/um-mes-para-as-eleicoes-e-melhor-investir-agora-ou-esperar/.

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