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    A trajetória hedonista e empreendedora de Baby Pignatari

    Durante minha infância ouvia muita gente falar dele com admiração e curiosidade. Na minha cabeça, era uma figura mítica, uma lenda, um playboy por excelência, preocupado em curtir a vida alucinadamente, namorando, bebendo, pilotando seus próprios aviões e participando de corridas de carros. Seu nome aparecia nos jornais e revistas do Brasil e do exterior, como as norte-americanas Life Magazine e Time . Em São Paulo, sua base era a Casa das Tochas, na avenida Morumbi, onde promoveu festas antológicas. Leia mais (09/03/2026 - 13h04)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 16:04
    A trajetória hedonista e empreendedora de Baby Pignatari
    Homem de terno cinza e gravata preta está ao lado de mulher com casaco claro e colar de pérolas. Ambos olham para a direita, em ambiente externo com estrutura metálica visível ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga

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    O playboy Francisco Matarazzo Pignatari, o Baby Pignatari, ao lado da esposa Ira von Furstenberg - Acervo UH/Folhapress · Acervo UH/Folhapress
    O playboy Francisco Matarazzo Pignatari, o Baby Pignatari, ao lado da esposa Ira von Furstenberg - Acervo UH/Folhapress · Acervo UH/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante minha infância ouvia muita gente falar dele com admiração e curiosidade. Na minha cabeça, era uma figura mítica, uma lenda, um playboy por excelência, preocupado em curtir a vida alucinadamente, namorando, bebendo, pilotando seus próprios aviões e participando de corridas de carros. Seu nome aparecia nos jornais e revistas do Brasil e do exterior, como as norte-americanas Life Magazine e Time . Em São Paulo, sua base era a Casa das Tochas, na avenida Morumbi, onde promoveu festas antológicas.

    Francisco Matarazzo Pignatari (1916-1977), conhecido como Baby Pignatari , foi um dos personagens mais notáveis da elite brasileira e internacional entre as décadas de 1940 e 1960. Nascido em Nápoles, na Itália, fez tudo o que quis. Com sua vida amorosa, empresarial e social sempre agitada, ganhou fama nos salões frequentados pelos milionários da Europa e dos Estados Unidos e namorou algumas das mais belas mulheres de sua época.

    Sua lista de relacionamentos era extensa. Incluiu Anita Ekberg , Jill St. John, Linda Christian, Dolores del Río, Joanna Moore, Susan Cabot, entre muitas outras atrizes de Hollywood. Seu grande caso, porém, foi com uma princesa, a italiana Ira de Furstenberg , por quem se apaixonou na década de 1960. Ira era relações-públicas do estilista Valentino e herdeira da Fiat. Também era casada e 24 anos mais nova do que Pignatari. Ele praticamente a sequestrou quando ela tinha 20 anos e a trouxe para o Brasil em 1961.

    O parque Burle Marx, que engloba um jardim encomendado por Pignatari, está situado no Panamby - Edson Lopes Jr./SECOM · Edson Lopes Jr./SECOM
    O parque Burle Marx, que engloba um jardim encomendado por Pignatari, está situado no Panamby - Edson Lopes Jr./SECOM · Edson Lopes Jr./SECOM — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para abrigar a princesa, com quem se casou, Pignatari decidiu construir uma mansão na antiga Chácara Tangará, na beira do rio Pinheiros, no bairro Panamby. Contratou um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e deixou a responsabilidade pelos jardins para o paisagista Roberto Burle Marx . A obra avançou até 1964, quando terminou o relacionamento. Os jardins foram preservados e transformados décadas mais tarde no parque Burle Marx. Já a casa inacabada foi demolida e no terreno que ela ocupava hoje funciona o hotel cinco estrelas Palácio Tangará , inaugurado em 2017.

    Apesar de seu hedonismo, Pignatari não era um playboy ocioso, que só vivia da herança. Bancava seu estilo extravagante com o dinheiro obtido em projetos empresariais bem-sucedidos. Neto do conde Francesco Matarazzo , começou a trabalhar cedo no negócio do pai, Giulio Pignatari, a Laminação Nacional de Metais. Em 1942, fundou a lucrativa Companhia Brasileira de Cobre no Rio Grande do Sul.

    Era dono também de uma fábrica de pequenos aviões monomotores, os Paulistinhas, cujas vendas foram impulsionadas por uma campanha nacional movida por Assis Chateaubriand para a instalação de aeroclubes em todo o país. Em gratidão, Pignatari presenteou o jornalista com um automóvel Rolls-Royce. O playboy chegou a ter 11 empresas, inclusive de purpurina e botões. Já no final da vida, decidiu explorar uma mina de cobre na Bahia, a Caraíba Metais. Possuía um avião Electra.

    Vista da piscina do luxuoso hotel Palácio Tangará localizado ao lado do parque Burle Marx - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress
    Vista da piscina do luxuoso hotel Palácio Tangará localizado ao lado do parque Burle Marx - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No final da década de 1960 seus negócios começaram a claudicar e ele entregou suas principais empresas para o governo. A Companhia Brasileira de Cobre e a Caraíba Metais serviram para quitação de dívidas contraídas em empréstimos bancários, estimados em torno de US$ 50 milhões. Em 1971, se casou pela quarta vez com Maria Regina Fernandes.

    Aquele que fora o "playboy número 1", como o descreveu a revista Life em 1947, e que "gastava dinheiro com a mesma velocidade com que fazia negócios", segundo reportagem da Time de 1950, morreu aos 60 anos, após uma vida intensa, mas com a fortuna dissipada. Sua herança ficou com seu único filho, Giulio, dependente de drogas que foi desinterditado e ganhou um preceptor. A partir daí o que tinha sobrado do dinheiro de Pignatari foi para o ralo.

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    . — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Piscina retangular com desenho de borboleta no fundo, cercada por espreguiçadeiras e guarda-sóis fechados. Edifícios brancos de vários andares com varandas e janelas ao redor, árvores e plantas decoram o espaço.
    Piscina retangular com desenho de borboleta no fundo, cercada por espreguiçadeiras e guarda-sóis fechados. Edifícios brancos de vários andares com varandas e janelas ao redor, árvores e plantas decoram o espaço. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/09/a-trajetoria-hedonista-e-empreendedora-de-baby-pignatari.shtml.

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