A situação de Lula piorou
O presidente precisa dos debates

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"
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A primeira pesquisa Datafolha mostrou que Flávio Bolsonaro botou quatro pontos de frente sobre Lula ( 52% a 48% ). Todas as notícias são ruins. Flávio aumentou seu capital em mais de 1 milhão de votos. Eleitores dos candidatos da terceira via estão migrando mais para Flávio. Nove milhões de votos que foram para Lula em 2022 estão com Flávio em 2026.
A bola de ferro presa no pé de Lula é a mesma de sempre: ele é rejeitado por 46% dos entrevistados . Desde 2026, seu governo é mal avaliado na faixa dos 40% dos entrevistados e há anos não chega aos 50% de aprovação.
Lula reagiu com a escala 5x2 (um benefício futuro) e o fim das apostas (um benefício tardio). Deu no que deu.

Os 21 dias que separam o primeiro do segundo turno são uma época de calibragens e promessas, porém, o que os enriquece são os debates mano a mano. Foram programados quatro. O primeiro, na Record , previsto para o domingo (11), foi cancelado . Quatro dias depois, será a vez do SBT . Dia 18 virá a Band e, no dia 23, dois dias antes do pleito, o debate será na Globo .
Jamais se saberá se a ausência de Lula nos debates do primeiro turno foi uma boa ideia.
Teoricamente, Flávio ou Lula poderão faltar a um ou a todos os debates. Nesse caso, darão ao adversário valiosos palanques. Em poucos dias Flávio calçou um salto alto, com propostas incompletas ou desconexas. (Um salto só, o que dificulta o equilíbrio).

Desde domingo passado abundam as explicações para o resultado do primeiro turno. Vale a pena repetir a análise de Heitor Ferreira , secretário particular do presidente Ernesto Geisel , para a vitória da oposição, que elegeu 16 senadores em 1974: "O MDB ganhou porque os eleitores foram às urnas, cada um depositou uma cédula. Quando essas cédulas foram contadas, havia mais votos para os candidatos do MDB".
Lula pode reverter o resultado do primeiro turno. Afinal, após a primeira pesquisa do segundo turno de 2014, Dilma Rousseff conseguiu virar , e ela não era uma espadachim de embates eleitorais.
Ele precisa abandonar um velho cacoete, segundo o qual "eu ganho, vocês perdem". Na quarta-feira (7), falando do resultado de domingo (4), ele se queixou da campanha : "Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Essa foi a campanha menos organizada de que participei desde 1989".
Ou seja, por desorganizada, a campanha não tirou de Lula tudo o que podia. Essa é uma velha escrita, exposta em 2018 pelo sindicalista Paulo Vidal (1942-2026), que o perfilhou no movimento sindical, colocando-o na máquina do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, em 1969.
O tempo e o poder os afastaram. Em 2018, falando de Lula, Paulo Vidal foi amargo: "Um tipo egoísta que sempre evitou assumir seus erros, se construiu sobre o sacrifício dos aliados e, apesar do figurino de líder dos trabalhadores e da esquerda, desde os primórdios já gostava das gostosuras que o dinheiro pode comprar".
Há meses, Sidônio Palmeira , o ministro da Comunicação Social do governo, é responsabilizado pelo ectoplasma chamado de " problema de comunicação do governo ".
Colocando as coisas no lugar: nos êxitos e nas derrotas, o maestro da comunicação chama-se Lula e seu problema nessa campanha foi tocar um disco velho.
Há poucos meses, ele foi a Fortaleza para inaugurar uma etapa do campus avançado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, obra meritória de seu governo.
O ITA gerou a Embraer, que estava acabando de montar o primeiro caça Gripen em parceria com a sueca Saab.
O caça fez seu primeiro voo na semana passada.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/10/a-situacao-de-lula-piorou.shtml.

O presidente Lula (PT) - Gabriela Biló - 7.out.26/Folhapress · Gabriela Biló - 7.out.26/Folhapress — Foto: UOL
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