Brasil

    A síndrome do segundo mandato

    Biológica e juridicamente, Jair e Flávio Bolsonaro são seres distintos. Mas, politicamente, atuam como um coletivo. Assim, uma vitória de Flávio iniciaria não o seu primeiro mandato, mas o segundo do clã Bolsonaro. E é aí que mora o perigo. Leia mais (10/06/2026 - 12h15)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 15:15
    A síndrome do segundo mandato
    Homem de camiseta amarela segura retrato grande de político com faixa presidencial, ao lado de mulher com microfone e outras pessoas vestindo amarelo, em ambiente externo com vegetação ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    O candidato Flávio Bolsonaro (PL) segura quadro com foto do pai, Jair, durante a campanha em Goiânia - Adriano Machado - 27.set.26/Reuters
    O candidato Flávio Bolsonaro (PL) segura quadro com foto do pai, Jair, durante a campanha em Goiânia - Adriano Machado - 27.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Biológica e juridicamente, Jair e Flávio Bolsonaro são seres distintos. Mas, politicamente, atuam como um coletivo. Assim, uma vitória de Flávio iniciaria não o seu primeiro mandato, mas o segundo do clã Bolsonaro. E é aí que mora o perigo.

    A literatura mostra que processos de erosão democrática patrocinados por líderes autoritários costumam ficar mais agudos a partir de seus segundos mandatos. E esses movimentos tendem a intensificar-se ainda mais se o dirigente tiver sido removido do poder por um período e depois retornado. É aí que eles vêm com sangue nos olhos. Vimos isso claramente nos casos de Trump 2 , de Netanyahu pós-2022 e do último Viktor Orbán . Candidatos a explicar a radicalização incluem os ressentimentos acumulados, o maior conhecimento das engrenagens do poder, que torna suas ações mais eficazes, e o afastamento dos membros mais moderados de suas coalizões.

    No caso brasileiro, um eventual Bolsonaros 2 encontrará ainda um ambiente institucional deteriorado. O STF , que no mandato de Jair foi uma importante linha de defesa contra abusos, está em frangalhos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Registre-se que a fragilidade do Supremo decorre de erros e defeitos de seus próprios membros. Outra força moderadora da política brasileira é o centrão. O bloco de parlamentares com pouca ideologia e muito amor por cargos e verbas nunca teve problemas para apoiar qualquer administração que pagasse seu preço, mas costumava vetar radicalismos.

    O centrão se opôs às iniciativas legislativas mais tresloucadas de Bolsonaro 1 e, mais recentemente, não permitiu a aprovação de uma anistia ao ex-presidente condenado. Bem, a vitória da direita bolsonarista no Parlamento foi tão contundente que o centrão, ao menos nominalmente, perdeu espaço.

    O grupo segue existindo e continuará a atuar como fiel da balança. Mas, a partir da nova legislatura, o bolsonarismo não precisará cooptar mais do que meia dúzia de senadores e algumas dezenas de deputados do bloco para fazer passar suas boiadas constitucionais e impeachments.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/10/a-sindrome-do-segundo-mandato.shtml.

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    O candidato Flávio Bolsonaro (PL) segura quadro com foto do pai, Jair, durante a campanha em Goiânia - Adriano Machado - 27.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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