Brasil

    A pulseirinha é como ter a minha mãe constantemente com o dedo no pulso

    Comprei uma dessas pulseirinhas que medem o batimento cardíaco , monitoram o sono e contabilizam o número de passos que uma pessoa dá por dia. A pulseirinha avalia o meu desempenho e depois faz queixa ao celular. Leia mais (08/29/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 11:00
    A pulseirinha é como ter a minha mãe constantemente com o dedo no pulso
    É uma ilustração em preto e branco, com traços finos, sobre um fundo branco. No centro da imagem há uma pessoa sentada em uma cadeira. Ela está encolhida, com os joelhos dobrados e trazidos contra o peito, numa postura que transmite proteç — Foto: Folha de S.Paulo

    Humorista, membro do coletivo português Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”

    Texto cômico, geralmente sobre um tema atual

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Ilustração de Luiza Pannunzio para coluna de Ricardo Araújo Pereira de 30 de agosto de 2026 - Luiza Pannunzio/Folhapress · Luiza Pannunzio/Folhapress
    Ilustração de Luiza Pannunzio para coluna de Ricardo Araújo Pereira de 30 de agosto de 2026 - Luiza Pannunzio/Folhapress · Luiza Pannunzio/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Comprei uma dessas pulseirinhas que medem o batimento cardíaco , monitoram o sono e contabilizam o número de passos que uma pessoa dá por dia. A pulseirinha avalia o meu desempenho e depois faz queixa ao celular.

    Todos os dias, quando acordo, a pulseirinha comunica-me quantas horas dormi e quanto desse tempo foi passado em sono profundo e sono REM .

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eu não sei distinguir entre sonos, mas a pulseirinha diz que estou dormindo uma quantidade muito aceitável de cada sono diferente.

    A pulseirinha também diz quantas vezes é que eu respirei durante a noite. Estando no pulso, não sei como é que ela consegue apurar esses dados.

    Talvez um funcionário da marca se introduza secretamente no meu quarto e fique à minha cabeceira a contar cada inspiração e expiração e saia pouco antes de eu acordar.

    Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

    Quando eu consulto os dados, verifico que a pulseirinha pretende que eu estabeleça uma competição comigo próprio, tentando dormir melhor do que no dia anterior. Mas ela também me incentiva a competir com outras pessoas.

    Por exemplo, anteontem disse-me que eu tinha dormido menos do que 75% dos utilizadores da pulseirinha. Por isso, ontem fui para a cama determinado a relaxar mais do que essa gente. Querem competição de relaxamento, vão tê-la. Vamos ver quem relaxa mais e melhor.

    A questão é que isso me enervou, evidentemente, o que fez com que eu relaxasse pior. É como ter a minha mãe constantemente com o dedo no meu pulso.

    "Devias dormir melhor. Que se passa? O teu batimento cardíaco está 20% acima do que é costume. Tens comido bem? Não fazes exercício desde a semana passada."

    Esse é outro problema. A pulseirinha detecta que eu estou praticando atividade física. Mas não distingue entre atividades físicas, se é que me entendem. Registra que o batimento cardíaco aumenta e a respiração fica mais ofegante, mas não percebe se eu estou no ginásio ou, digamos, em outro lugar.

    Ontem, a pulseirinha detectou atividade física e fez o seguinte comentário: " Vinte minutos não é muito . Deve apontar para uma hora".

    Ora, como já tive oportunidade de dizer, há um eco maternal nestes comentários, e eu acho um pouco aflitivo ter a minha mãe a dar opiniões sobre esta área da minha vida. Vamos com calma, pulseirinha.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/08/a-pulseirinha-e-como-ter-a-minha-mae-constantemente-com-o-dedo-no-pulso.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    Ilustração de Luiza Pannunzio para coluna de Ricardo Araújo Pereira de 30 de agosto de 2026 - Luiza Pannunzio/Folhapress · Luiza Pannunzio/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)