Brasil

    A política dos mapas

    Por 164 votos contra 1 e 6 abstenções, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução em que recomenda que os mapas-múndi utilizem a projeção cartográfica Equal Earth, ou outra do tipo equivalente, e não a mais tradicional projeção Mercator. Leia mais (09/09/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 01:00
    A política dos mapas
    Mapa-múndi em projeção Equal Earth mostrando países, oceanos e principais cidades. Continentes e ilhas estão coloridos para diferenciar territórios, com nomes de países e capitais legíveis. Legendas indicam símbolos usados e escalas de dist — Foto: Folha de S.Paulo

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    Mapa-múndi no modelo Equal Earth - Handout/Equal Earth /AFP · Handout/Equal Earth /AFP
    Mapa-múndi no modelo Equal Earth - Handout/Equal Earth /AFP · Handout/Equal Earth /AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por 164 votos contra 1 e 6 abstenções, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução em que recomenda que os mapas-múndi utilizem a projeção cartográfica Equal Earth, ou outra do tipo equivalente, e não a mais tradicional projeção Mercator.

    A Equal Earth reflete áreas continentais com mais fidelidade do que a Mercator, que amplia terras localizadas em altas latitudes.

    Os EUA foram o único país a votar contra a resolução, com o argumento de que ela promove uma agenda ideológica.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O movimento anti-Mercator foi impulsionado em 2025 a partir de uma campanha da União Africana que obteve a adesão de outros países, com discurso anti-imperialista e anticolonialista. Recentemente, no Brasil, o IBGE lançou um mapa-múndi invertido para promover o Sul Global.

    Nos anos 1990, já havia ganhado força a chamada cartografia crítica, segundo a qual os mapas são expressões de poder. Ao longo da história, várias invasões territoriais foram precedidas por mapas que retratavam o objetivo da potência agressora.

    Ironicamente, Trump deu um exemplo disso nesta semana, ao divulgar um mapa em que EUA, México, Canadá, Groenlândia, Caribe, América Central e Islândia estão cobertos pela bandeira americana —o que causou uma onda de repúdio diplomático.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O problema é que mapas são poder, mas também são ferramentas. A Mercator não é uma das mais usadas desde 1569 à toa.

    Ela é especialmente adequada à navegação. Além de preservar bem o desenho das costas, permite traçar uma linha de um ponto a outro e seguir em direção constante pela bússola por causa de suas linhas que cortam todos os meridianos sob o mesmo ângulo.

    Hoje a navegação não depende tanto de bússola e sextante. Mas daí não resulta que a Mercator seja inútil. Mesmo o Google Maps segue essa projeção, já que ela facilita o cálculo das coordenadas e a aplicação do zoom.

    Cartógrafos lidam com uma limitação imposta pela geometria. A impossibilidade de representar fielmente um objeto de três dimensões em duas faz com que a transferência cause distorções. A Equal Earth atenua o problema do tamanho relativo das massas continentais, satisfazendo militantes anti-imperialistas, mas distorce formas, distâncias e direções leste-oeste e norte-sul.

    Antes de responder qual mapa é melhor, é fundamental saber para que ele será usado.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/a-politica-dos-mapas.shtml.

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    Mapa-múndi no modelo Equal Earth - Handout/Equal Earth /AFP · Handout/Equal Earth /AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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