Economia

    A mulher chegou à alta liderança — mas muitas vezes continua sozinha

    Segundo a B3, 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária. mas um terço delas (33%) tem exatamente uma (Foto: Inteligência Artificial) " data-image-caption=" Segundo a B3, 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária. mas um terço delas (33%) tem exatamente uma (Foto: Inteligência Artificial) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/ChatGPT-Image-12-de-ago.-de-2026-15_39_20.png?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Mulheres estão presentes na diretoria estatutária de 51% das companhias analisadas pela B3, maior n

    InfoMoney
    16 de agosto de 2026 às 11:00
    A mulher chegou à alta liderança — mas muitas vezes continua sozinha
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    Segundo a B3, 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária. mas um terço delas (33%) tem exatamente uma (Foto: Inteligência Artificial)

    A presença de mulheres nas diretorias e conselhos das empresas listadas na Bolsa atingiu o maior nível desde que a B3 começou a acompanhar esses indicadores, em 2021.

    Mas há outra história por trás do avanço: 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária, porém 33% têm exatamente uma. Nos conselhos, uma única integrante feminina também é a configuração mais frequente.

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    O estudo Lideranças Plurais 2026, realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva, analisou informações declaradas por 290 companhias em seus formulários de referência.

    Em 2026, 80% das empresas têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária ou no conselho de administração, ante 75% em 2025. Entre os grupos sub-representados analisados, as mulheres aparecem na maior proporção de companhias.

    Nas diretorias estatutárias, a proporção de empresas com ao menos uma mulher passou de 39% em 2021 para 51% em 2026, maior patamar da série histórica.

    Segundo a B3, 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária. mas um terço delas (33%) tem exatamente uma (Foto: Inteligência Artificial)
    Segundo a B3, 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária. mas um terço delas (33%) tem exatamente uma (Foto: Inteligência Artificial) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Mas o próprio levantamento revela o limite desse movimento.

    Entre as companhias analisadas, 33% têm exatamente uma mulher na diretoria estatutária. Apenas 11% possuem duas e 7% têm três ou mais. Assim, embora 51% tenham presença feminina, somente 18% contam com duas ou mais mulheres nesse órgão.

    A conclusão da própria B3 é que a presença feminina nas diretorias ultrapassou metade das empresas, mas permanece concentrada, em maior medida, em uma única integrante.

    O fenômeno se repete nos conselhos de administração.

    Em 2026, 70% das companhias têm ao menos uma mulher no conselho, ante 55% em 2021. É o melhor índice registrado desde o início do acompanhamento.

    Mas, novamente, a configuração mais comum é a presença de apenas uma mulher: 36% das empresas estão nessa situação. Outras 24% têm duas integrantes femininas e 10% possuem três ou mais.

    Isso significa que 34% das companhias contam com pelo menos duas mulheres no conselho.

    Os números não permitem afirmar que uma executiva seja profissionalmente isolada, tenha menos influência ou encontre maior resistência simplesmente por ser a única mulher do colegiado.

    O estudo mede presença, não a experiência individual dessas profissionais.

    O que os dados permitem afirmar é mais objetivo: em parcela relevante das empresas, a presença feminina no topo ainda está concentrada em uma única integrante.

    “Os resultados mostram uma evolução relevante, mas ainda há desafios importantes a serem enfrentados”, afirma Renata Caffaro, diretora de Pessoas e Comunicação Interna da B3.

    Segundo ela, equipes diversas ampliam a pluralidade de perspectivas, contribuem para melhores decisões e fortalecem a capacidade das empresas de atrair e reter talentos.

    Há duas formas diferentes de observar o avanço.

    Uma é medir quantas empresas têm alguma mulher na liderança. É nesse indicador que a B3 registra os recordes.

    Outra é observar quantas mulheres existem no conjunto da alta liderança.

    O Report de Remuneração Diretoria Executiva 2026 , da Evermonte, analisou 1.976 executivos de diretoria e C-level no Brasil. Segundo dados do levantamento, 85,4% das posições eram ocupadas por homens e 14,4% por mulheres.

    Os levantamentos não são diretamente comparáveis, porque trabalham com amostras e metodologias diferentes. Mas mostram como as duas situações podem coexistir.

    Uma companhia pode ter uma mulher entre vários homens na diretoria e, ainda assim, entrar para a estatística das empresas que possuem presença feminina.

    Por isso, aumentar o número de companhias com mulheres no topo não significa, automaticamente, equilibrar a composição desses órgãos.

    A diferença também aparece antes do último degrau da carreira.

    O Women in the Workplace 2025 aponta que, para cada 100 homens promovidos ao primeiro cargo de gestão, 93 mulheres recebem a mesma oportunidade.

    Nos cargos de C-level, elas representam 29% das posições nas empresas pesquisadas.

    É o fenômeno conhecido como “degrau quebrado”: uma diferença que surge na primeira promoção para a gestão e reduz o contingente de mulheres disponível para avançar aos níveis seguintes.

    O efeito tende a se acumular ao longo da carreira. Se proporcionalmente menos mulheres entram na gestão, o grupo disponível para disputar posteriormente posições de diretoria e C-level também tende a ser menor.

    Os dados colocam o recorde da B3 em perspectiva. A questão não é apenas quantas mulheres chegam ao último estágio, mas quantas conseguem avançar pelos diferentes níveis que levam até ele.

    A presença feminina no topo também deixou de ser apenas uma discussão de recursos humanos. O tema passou a integrar mecanismos de governança e transparência das companhias listadas.

    A Medida ASG 1, do Anexo ASG da B3, estabelece como referência dois critérios: ter uma mulher e uma pessoa de outro grupo sub-representado como membro titular do conselho de administração ou da diretoria estatutária.

    Nesse segundo grupo estão pessoas negras, indígenas, com deficiência e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+.

    A medida segue o modelo “pratique ou explique”: as companhias devem informar se adotam a prática ou apresentar suas justificativas ao mercado.

    Uma mulher é suficiente para atender ao componente de gênero dessa referência. Isso, porém, não equivale a equilíbrio numérico dentro da diretoria ou do conselho.

    A diferença aparece nos próprios dados: 51% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria estatutária, mas somente 18% têm duas ou mais.

    Os números de 2026 contam duas histórias ao mesmo tempo.

    A primeira é de avanço. Entre 2021 e 2026, a proporção de companhias com ao menos uma mulher na diretoria estatutária passou de 39% para 51%. Nos conselhos, o indicador avançou de 55% para 70%.

    A segunda é que romper a porta de entrada não significa necessariamente equilibrar a sala.

    Nas diretorias, 33% das companhias têm uma única mulher e apenas 18% têm duas ou mais. Nos conselhos, uma única integrante feminina também continua sendo a configuração mais frequente.

    Para o investidor, os próximos levantamentos permitirão acompanhar se o recorde de presença feminina será acompanhado por uma distribuição maior das mulheres dentro dos órgãos de comando.

    O próximo número a observar não é apenas quantas empresas têm uma mulher no topo, mas quantas deixam de ter apenas uma.

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