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    'A Morte de Robin Hood' é monótono, mas leva frescor feminista à lenda

    O princípio de "A Morte de Robin Hood" se enuncia desde o início do filme -esqueça essa história de Robin Hood herói que você escuta desde que nasceu. Ele não passa de um bandoleiro. Com efeito, o que distingue o mocinho do bandido é, em geral, quem ganhou a guerra ou, mais genericamente, quem ficou com o poder. Leia mais (08/13/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 13:00
    'A Morte de Robin Hood' é monótono, mas leva frescor feminista à lenda
    Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    Hugh Jackman em cena do filme 'A Morte de Robin Hood' - Aidan Monaghan/Divulgação · Aidan Monaghan/Divulgação
    Hugh Jackman em cena do filme 'A Morte de Robin Hood' - Aidan Monaghan/Divulgação · Aidan Monaghan/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O princípio de "A Morte de Robin Hood" se enuncia desde o início do filme —esqueça essa história de Robin Hood herói que você escuta desde que nasceu. Ele não passa de um bandoleiro. Com efeito, o que distingue o mocinho do bandido é, em geral, quem ganhou a guerra ou, mais genericamente, quem ficou com o poder.

    Portanto, agora Robin Hood, vivido por Hugh Jackman , é bandido e não se fala mais nisso. Está velho e alquebrado. O que se segue nos remete em linha reta a esses filmes de extrema direita sobre bem e mal, vingança e redenção. Mais do que isso, há brutalidade, sangue e mortes aos montes.

    Não é apenas Robin Hood o responsável por esse estado de coisas. Segundo o filme, são vinganças que sucedem vinganças, como se estivéssemos na Sicília. Mas não, é a Inglaterra da Idade Média . Estamos em um mundo escuro —na verdade, o filme é escuro—, povoado por bárbaros e barbáries. O tipo de mundo que espera por uma redenção.

    Veja cenas do filme 'A Morte de Robin Hood'
    Veja cenas do filme 'A Morte de Robin Hood' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O protagonista reencontra seu velho comparsa Little John —ou João Pequeno, como preferia Monteiro Lobato em sua versão da lenda. E Little John , vivido por Bill Skarsgard e malvado como Robin Hood, agora tem mulher e filha. E ambas estão sujeitas às atrocidades de outros homens tão maus quanto eles.

    E a redenção, quando virá? Bem, em dado momento, o pobre Robin Hood é perigosamente golpeado. Ele está à beira da morte, e Little John o leva a uma ilha onde, segundo ele, uma mulher com poderes mágicos poderá salvá-lo.

    Até agora estivemos submetidos a questões meio óbvias, que ameaçam descambar para a religião, mas não vão até o fim. Daqui por diante, algo muda. Com efeito, Brigid, personagem de Jodie Comer, opera milagres e praticamente ressuscita o velho Robin Hood.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A tradução a chama de prioresa; o original diz que é "sister". Portanto, nos devolve à ideia de um convento ou algo de caráter religioso. Mas Brigid vai nos levar a outras paragens, que permitem ver o filme numa chave feminista.

    Ou seja, dos homens vem a morte e a barbárie; das mulheres, a redenção e a vida. Desde então o roteiro se transforma, como se a ilha onde Brigid pontifica fosse já um anúncio da existência celeste, ou ao menos algo regido por outros parâmetros que não a vingança sem fim.

    É verdade que, com isso, o filme permite ao espectador despertar. A luz se infiltra no escuro mundo em que vivem os personagens —e que exige tanto de nossas vistas. E o roteiro de Michael Sarnoski , também diretor, parece que nos levará a outros pontos.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    O fato é que, nessa parte do filme, o feminino se impõe. Não pelo poder, mas por um modo de ser. O poder da cura não a torna dominadora. Será que isso redimirá os atos passados de Robin Hood? E o mundo em geral? Não, a julgar pela última cena.

    Ainda assim, a última volta do parafuso desse filme traz algo de intrigante a uma trama em que, a princípio, tudo parece óbvio. Seria melhor se Sarnoski conseguisse alternar os tempos —e a iluminação— com mais frequência, de modo a evitar a monotonia que suas imagens transmitem.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/a-morte-de-robin-hood-e-monotono-mas-leva-frescor-feminista-a-lenda.shtml.

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    Hugh Jackman em cena do filme 'A Morte de Robin Hood' - Aidan Monaghan/Divulgação · Aidan Monaghan/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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