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    A Lua é um coronógrafo! Você sabe o que é isso?

    Entenda o que é um coronógrafo e por que a Lua atua exatamente como esse instrumento no céu, revelando segredos escondidos pelo brilho do Sol O post A Lua é um coronógrafo! Você sabe o que é isso? apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    17 de agosto de 2026 às 16:06
    A Lua é um coronógrafo! Você sabe o que é isso?
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    Essencial em várias áreas da astrofísica , o coronógrafo é um instrumento óptico usado para bloquear ou reduzir a luz muito intensa de uma estrela . Assim, ele permite observar estruturas e objetos mais fracos que estejam próximos dela e que, de outra forma, ficariam escondidos pelo brilho.

    Para fazer isso, o instrumento utiliza discos e máscaras que ocultam a luz mais intensa da estrela, criando uma espécie de eclipse artificial . Com o brilho central reduzido, fica mais fácil estudar o que existe ao redor, como a atmosfera externa do Sol, chamada coroa solar, ou até mesmo procurar planetas que orbitam outras estrelas. Nesse sentido, é possível fazer uma comparação interessante: durante um eclipse solar total, a Lua bloqueia o disco brilhante do Sol, o que faz dela um “coronógrafo natural”.

    Essa tecnologia é utilizada tanto no estudo do Sol quanto na pesquisa de exoplanetas. Um exemplo é o Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), missão conjunta da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), que leva o Coronógrafo de Grande Ângulo e Espectrométrico (LASCO, na sigla em inglês). O instrumento bloqueia a luz direta do disco solar, permitindo observar a coroa e acompanhar fenômenos como as ejeções de massa coronal.

    Flavia Correia
    Flavia Correia — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Já em termos de astrofísica estelar, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, utiliza coronógrafos na Câmera de Infravermelho Próximo (NIRCam) e no Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI) para capturar imagens diretas de planetas gigantes gasosos e discos de poeira ao redor de outras estrelas.

    O salto tecnológico mais marcante virá com o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, desenvolvido pela NASA, com lançamento previsto para 30 de agosto. Equipado com o Instrumento Coronográfico (CGI), ele utilizará espelhos deformáveis de alta precisão e algoritmos avançados para cancelar a luz dispersa de forma dinâmica (saiba mais aqui). Isso permitirá alcançar um contraste sem precedentes, suprimindo o brilho estelar na ordem de um para um bilhão.

    Com essa capacidade, o telescópio Nancy Grace Roman conseguirá fotografar diretamente e analisar a composição atmosférica de exoplanetas do tamanho de Júpiter e Saturno. A missão servirá como um demonstrador crítico para futuras buscas de mundos rochosos e potencialmente habitáveis.

    Eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 transformando o dia em noite em Javalambre, na Espanha. – Crédito: Agência Espacial Europeia
    Eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 transformando o dia em noite em Javalambre, na Espanha. – Crédito: Agência Espacial Europeia — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em participação no programa Olhar Espacial, apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita, a astrobióloga Raíssa Estrela, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, detalhou a importância e o funcionamento do CGI. “Essa tecnologia que a gente chama de coronógrafo é basicamente um instrumento que bloqueia a luz da estrela-mãe. E por que a gente quer bloquear essa luz? Porque quando a gente bloqueia a luz da estrela-mãe, a gente consegue ver a luz refletida pelos planetas que estão habitando essa estrela. O brilho da estrela é tão forte que ela ofusca toda a imagem. Então, a gente precisa bloquear para conseguir ver a luz refletida pelos planetas que estão orbitando. Com esse tipo de observatório, a gente vai conseguir fazer o imageamento mesmo do sistema planetário”.

    Raíssa destacou que esse é o grande diferencial do equipamento. “Vai deixar de ser uma medida indireta, como é o caso que a gente faz hoje com o James Webb, para também ter agora o imageamento mesmo dos planetas”.

    Embora o Roman represente um salto gigante para a astronomia, ele não foi projetado para analisar diretamente a atmosfera de planetas rochosos de tamanho terrestre em busca de sinais biológicos de vida. No entanto, sua missão é o alicerce indispensável sem o qual a descoberta de uma “Terra 2.0” permaneceria inalcançável.

    Conceito artístico da espaçonave SOHO, parceria entre a NASA e a ESA, que usa um coronógrafo para bloquear a luz do Sol e analisar a coroa – Crédito: NASA
    Conceito artístico da espaçonave SOHO, parceria entre a NASA e a ESA, que usa um coronógrafo para bloquear a luz do Sol e analisar a coroa – Crédito: NASA — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O uso operacional do coronógrafo em ambiente espacial e os dados populacionais obtidos pelo Roman servirão como um laboratório de testes para o desenvolvimento das missões astronômicas das próximas décadas. É o caso do futuro Observatório de Mundos Habitáveis, um projeto planejado pela NASA para as décadas de 2030 e 2040 que terá como foco exclusivo a busca por assinaturas químicas de vida em planetas semelhantes ao nosso.

    “A gente não tem a tecnologia para detectar ainda moléculas numa atmosfera como a Terra, uma Terra 2.0. Então a gente tá preparando o cenário para, daqui a alguns anos, a gente ter um telescópio espacial que vai ser capaz de fazer essa ciência”, explica Raíssa.

    A pesquisadora do JPL reforçou como os estudos com o Roman pavimentarão o caminho para as próximas gerações de astrobiólogos. “O Roman vai estudar outros planetas, mas vai ser mais voltado para os gigantes gasosos. A tecnologia não vai chegar a ponto de caracterizar planetas como o caso da Terra. Mas vai trazer essa tecnologia que a gente precisa entender, que é o imageamento direto dos exoplanetas, que vai ser utilizada pelo Observatório de Mundos Habitáveis, só que para planetas menores. Então, é como se fosse o primeiro passo que a gente está dando dentro dessa jornada de chegar à caracterização de planetas tipo Terra.”

    Representação artística do satélite Ocultador eclipsando o Sol para o Coronógrafo da missão Proba-3. – Crédito: ESA-P. Carril
    Representação artística do satélite Ocultador eclipsando o Sol para o Coronógrafo da missão Proba-3. – Crédito: ESA-P. Carril — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

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    Representação artística do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, com lançamento previsto para 30 de agosto – Crédito: NASA/GSFC/SVS
    Representação artística do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, com lançamento previsto para 30 de agosto – Crédito: NASA/GSFC/SVS — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Raíssa Estrela é pesquisadora da NASA e concedeu entrevista ao OD. – Crédito: Arquivo Pessoal
    Raíssa Estrela é pesquisadora da NASA e concedeu entrevista ao OD. – Crédito: Arquivo Pessoal — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    eclipse solar total espanha 2026
    eclipse solar total espanha 2026 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    SOHO sol
    SOHO sol — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
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    proba-3 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
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    telescópio roman — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    raíssa estrela
    raíssa estrela — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/17/ciencia-e-espaco/a-lua-e-um-coronografo-voce-sabe-o-que-e-isso/.

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