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    A lista de melhores séries do século publicada pelo New York Times presta?

    Uma lista é uma lista: uma relação subjetiva que pode tanto inspirar quanto causar controvérsias, críticas e frustrações. Não haveria por que ser diferente com a lista de 100 melhores séries deste século do jornal americano The New York Times , que culminou na revelação das 20 melhores na última sexta-feira (25). Leia mais (09/28/2026 - 17h01)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 20:01
    A lista de melhores séries do século publicada pelo New York Times presta?
    Foto: Folha de S.Paulo

    Secretária-assistente de Redação, foi editora do Núcleo de Cidades, correspondente em Nova York, Genebra e Washington e editora de Mundo

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    Melhores séries do século 21 segundo o NYT
    Melhores séries do século 21 segundo o NYT — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma lista é uma lista: uma relação subjetiva que pode tanto inspirar quanto causar controvérsias, críticas e frustrações. Não haveria por que ser diferente com a lista de 100 melhores séries deste século do jornal americano The New York Times , que culminou na revelação das 20 melhores na última sexta-feira (25).

    O ranking do Times não é resultado da seleção criteriosa e debatida de um júri, e sim uma votação. Isso não o invalida, mas explica as repetições temáticas e a quase exclusão de obras não faladas em inglês (há uma série francesa, "Le Bureau", e uma coreana, "Round Six" , e uma falada em japonês com produção americana, "Xógum" ; entre as anglófonas, são 17 britânicas. As outras 80 são made in USA).

    A publicação americana pediu que "mais de 500 pessoas" que trabalham com séries —atores, roteiristas, produtores, diretores— votassem em seus 10 programas preferidos lançados nos últimos 26 anos (eles incluíram 2000, último ano do século 20) sem nenhuma ordem especial. A partir da repetição de menções para cada título, montou a lista.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os votantes estão inseridos no mercado americano. Muitos elegeram seus próprios trabalhos, como indicam entrevistas que acompanham a lista, e, na contramão da explosão do streaming, não houve preocupação em representar vários gêneros, países ou pontos de vista.

    Deveria haver? Talvez não, se tomarmos a lista apenas como um reflexo do gosto do setor nos EUA e não como um ranking absoluto e representativo, coisa que o próprio Times sugere não fazer. A ideia é estimular o debate.

    Nesse sentido, a escalação serve como um bom espelho da produção anglófona recente.

    Ficam claras a decadência das séries com múltiplas câmeras simultâneas (aquelas com cenário fixo), a ascensão da dita "TV de prestígio", a prevalência dos dramas (51 ante 33 comédias), o apreço dos americanos pelo humor britânico, a sub-representação dos reality shows (só 3 foram citados, além de 6 séries documentais) e a baixa presença das minisséries, formato que costuma ter maior qualidade (11).

    Outras questões: "BoJack Horseman" foi a única animação lembrada. As distopias ganharam espaço, e as séries médicas perderam (com as honrosas exceções de "The Pitt" e "House" ). O passado recente, com "Chernobyl" e "Mad Men", faz mais sucesso que o longínquo.

    Dos primeiros colocados, não vejo erro em "Breaking Bad" , "A Escuta" (ou "The Wire" ) e "Mad Men" ocuparem o pódio. São três obras primorosas (e calham com o meu gosto).

    "Succession" , a quarta, é uma grande série, mas sua posição parece um efeito da memória recente. Poderia dar lugar a "Veep" (7º), "Segura a onda" (ou "Curb Your Enthusiasm" , 9º) e "The Office - EUA" (11º). Já o quinto posto para "Fleabag" , obra ácida e hilária parida por uma só mulher, Phoebe Waller-Bridge, faz mais sentido.

    A lista, afinal, parece tratar mais de gosto do que de influência sobre outras produções ou sobre o público. Não fosse isso, o lugar que têm na cultura pop deveria ter servido de trampolim a "Scandal" e "Gilmore Girls", as últimas da lista. Shonda Rhimes, principalmente, e Amy Sherman-Palladino mereciam mais.

    Mesmo "House" (95º), que entrou para o léxico dos espectadores, "Lost" (22º), que uniu 13,5 milhões de pessoas na noite de seu último episódio , e "Handmaid’s Tale" (67º), ecoada em protestos e ensaios feministas na última década, parecem subestimadas.

    A vanguardista "24 Horas" , fenômeno da virada do milênio que levou 20 Emmys, inclusive melhor drama em 2006, foi ignorada. Entre as comédias, passaram batidas as premiadas "A Maravilhosa Senhora Maisel" e "O Estúdio". E, embora os cancelamentos pós-MeToo não tenham enterrado "House of Cards" (48º), primeira série a ir ao ar com todos os episódios da temporada de uma vez, nem a engraçada "Louie" (41º), eles parecem ter cobrado posições.

    Sobre tudo isso, paira "Sopranos" . A série de David Chase estreou em janeiro de 1999 e permaneceu no ar até junho de 2007, descontadas reprises. O Times precisou de um texto apenas para explicar que a obra não se encaixava nos critérios da lista por causa de 12 meses. O crítico James Poniewozik sublinhou, porém, que a maior parte das eleitas devia algo à produção .

    Verdade. "Família Soprano" não apenas alçou um anti-herói ao protagonismo, criando um subgênero, como marcou a virada que tirou das produções em tela pequena, para sempre, a pecha de subcultura .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucianacoelho/2026/09/a-lista-de-melhores-series-do-seculo-publicada-pelo-new-york-times-presta.shtml.

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