Brasil

    A indústria do tabaco e a peleja para manter uma atividade lesiva à população

    A indústria do tabaco , para não trair suas tradições, vem aumentando sua agressividade no esforço para reverter a queda de fumantes que vinha sendo observada globalmente e no Brasil. Leia mais (09/23/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 01:00
    A indústria do tabaco e a peleja para manter uma atividade lesiva à população
    Diversas caixas plásticas cheias de embalagens de cigarros eletrônicos descartados empilhadas em um ambiente interno, com foco nas embalagens coloridas e textos de advertência visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Cigarros eletrônicos apreendidos na fronteira do Brasil com o Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR) - Danilo Verpa - 18.mai.26/Folhapress
    Cigarros eletrônicos apreendidos na fronteira do Brasil com o Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR) - Danilo Verpa - 18.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Médico na Divisão de Pneumologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP-SP

    Médico sanitarista da Fiocruz Brasília e diretor da Associação Brasileira de Saúde Coletiva; ex-presidente da Anvisa

    A indústria do tabaco , para não trair suas tradições, vem aumentando sua agressividade no esforço para reverter a queda de fumantes que vinha sendo observada globalmente e no Brasil.

    Como a geração Z consome cigarros eletrônicos
    Como a geração Z consome cigarros eletrônicos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seus esforços concentram-se em: lançar produtos à base de nicotina , como se inofensivos fossem, para manter as pessoas dependentes e, com isso, estimular o uso dual; introduzir aromatizantes no cigarro eletrônico e atrair o jovem consumidor; introduzir nicotina sintética nos produtos para aumentar a dependência; estimular a venda pela internet, pontos de vendas fixos ou em festas e baladas, mesmo nos países que não legalizaram os cigarros eletrônicos e aquecidos. Usam a venda ilegal para criar mercado e pressionar a legalização de seus produtos. Só ingênuos acreditam que os contrabandistas produzem e vendem esses fumígenos ao arrepio das poderosas tabaqueiras.

    Há mais energia aplicada: financiar veladamente, ou não, a indústria de propaganda e do cinema para voltar a apresentar produções com atores e personalidades com cigarros —imagens que haviam desaparecido nos últimos 30 anos ressurgiram; e patrocinar, com disfarce para fugir da legislação, eventos como a recente Parada LGBTQIA+ e outros eventos culturais.

    Outro caminho é a inserção na mídia. No último dia 4 de setembro, a Phillip Morris Brasil (PMB) e a British American Tobacco (BAT Brasil) estavam entre os patrocinadores de um caderno especial do jornal Valor, sob o título de "Mercado ilegal". Nele, o presidente da PMB afirma: "É preciso tomar uma decisão: se queremos deixar esse mercado de produtos de tabaco e de nicotina sem combustão nas mãos do Estado ou se queremos deixar seu controle em mãos ilícitas e criminosas". Ele talvez desconheça que o mercado de tabaco já está em mãos criminosas legalizadas, pois há mais de 70 anos sabemos que fumar adoece e mata pessoas. Um outro artifício é reforçar a cooptação ingênua ou interessada de pesquisadores universitários mundo afora, com artigos sendo publicados em prestigiadas revistas científicas.

    Jovem alerta para os riscos dos cigarros eletrônicos
    Jovem alerta para os riscos dos cigarros eletrônicos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    1 - Manter a proibição da comercialização de produtos como os cigarros eletrônicos, sachês e dispositivos de tabaco aquecido;

    2 - Para isso, persistente e rigorosa orientação e fiscalização nos estados e municípios para inibir vendas em lojas e no comércio em geral, em atividades e eventos sociais, esportivos e culturais;

    3 - O governo federal deve bloquear a venda pela internet e por aplicativos desses produtos;

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    4 - Cessar a venda de cigarros avulsos em lojas, bares, padarias, bancas de jornais e ambulantes;

    5 - Intensificar, a partir de orientação do Ministério da Saúde , esclarecimentos contínuos sobre os malefícios do tabagismo e dos produtos com nicotina e sem tabaco queimado. Incluir a comunicação em toda a rede de ensino e de saúde e em todos os veículos de comunicação;

    6 - Ampla campanha nacional sobre os benefícios da proibição de fumar produtos do tabaco e vapes em ambientes internos;

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    7 - Estabelecer meta para reduzir a prevalência de consumo de tabaco para até 5% para todas as faixas etárias e estratos socioeconômicos até 2040;

    8 - Proibição indefinida de venda de produtos de tabaco para nascidos a partir de determinado ano, como Reino Unido e outros países fizeram . Exemplo: nascidos a partir de 2010, atualmente com 16 anos de idade ou menos;

    9 - Fim de qualquer apoio governamental para o cultivo do tabaco;

    10 - Apoio governamental para os pequenos agricultores deixarem de plantar tabaco e migrarem para a produção de alimentos. Garantir apoio econômico e técnico por longo prazo para que, dessa forma, os pequenos agricultores migrem de produção;

    11 - Proibição de todos os agentes aromatizantes e outros aditivos em produtos de tabaco;

    12 - Congelamento da oferta de novas marcas e suas variantes;

    13 - Medidas para reduzir os lucros e o poder de fixação de preços dos fornecedores de tabaco;

    14 - Aumento imediato da idade mínima para venda dos produtos do tabaco: 18 para 21 anos;

    15 - Como estabelecido para o amianto, datar o fim da fabricação e comercialização de produtos do tabaco e de nicotina. Fim da indústria do tabaco até 2050.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/a-industria-do-tabaco-e-a-peleja-para-manter-uma-atividade-lesiva-a-populacao.shtml.

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    Cigarros eletrônicos apreendidos na fronteira do Brasil com o Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR) - Danilo Verpa - 18.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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