Brasil

    A imprensa não precisa ser protegida das críticas, diz Gabriela Duarte sobre entrevista à Folha

    Atriz conversou sobre nova peça ao lado de Regina Duarte

    UOL
    24 de agosto de 2026 às 00:00
    A imprensa não precisa ser protegida das críticas, diz Gabriela Duarte sobre entrevista à Folha
    Duas mulheres estão próximas, uma mais velha à esquerda com cabelo grisalho preso e casaco marrom, e outra mais jovem à direita com cabelo solto e vestido vermelho floral. Ambas sorriem levemente, com fundo preto liso. — Foto: UOL

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    Gabriela Duarte publicou um vídeo nas redes sociais, na noite deste domingo (23), criticando a condução e a edição da entrevista que ela e a mãe, Regina Duarte , deram a este jornal na semana retrasada. Publicados na última quinta, reportagem e vídeo trouxeram as duas falando de diversos assuntos , como política, a parceria na novela "Por Amor" e a nova peça que estrelam agora, "A Filha da...".

    As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress
    As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Eu pensei bastante antes de vir aqui gravar esse vídeo, porque eu não queria que ele fosse uma resposta a um jornalista ou a um veículo de comunicação", diz a atriz no início da gravação.

    "Depois de mais de 20 anos sem atuarmos juntas, eu e a minha mãe estamos voltando aos palcos. E é, sim, um reencontro artístico, profissional e pessoal. Às vésperas de ela completar 80 anos de vida, após mais de seis décadas de carreira, nós aceitamos dar a nossa primeira grande entrevista juntas sobre esse momento para a capa do caderno de cultura de um dos maiores jornais do país", segue Gabriela.

    "Claro que nós sabíamos que outras questões poderiam surgir. Um jornalista pode e deve fazer perguntas difíceis, ainda que a abordagem tenha sido bastante deselegante nesse caso. Mas tem uma diferença entre perguntar e insistir até provocar uma reação. Quando o desconforto se torna mais importante que a resposta e a busca parece ser por uma frase, um corte, uma manchete, aí eu acho que vale a pena perguntar: 'O que está acontecendo com o jornalismo ? Com a comunicação?'."

    Veja imagens de Regina Duarte e Gabriela Duarte
    Veja imagens de Regina Duarte e Gabriela Duarte — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Cortes da entrevista viralizaram nas redes sociais nos últimos dias, com alguns internautas defendendo a liberdade do jornalismo para perguntar sobre quaisquer temas e outros criticando a maneira como a conversa foi conduzida.

    "Uma conversa sobre cultura, teatro, trajetória, história e esse reencontro de duas atrizes acabou tendo constrangimento como protagonista. O jornalismo pode incomodar, contradizer, questionar, mas ele também precisa ouvir e respeitar, inclusive quando a resposta não entrega a manchete que ele queria, a manchete esperada. Quando o entrevistado entra preparado para se defender, como aconteceu comigo, e não para conversar, alguma coisa já se perdeu", prossegue Gabriela.

    Durante a entrevista com as duas atrizes, a reportagem perguntou sobre o reencontro nos palcos, na peça que estreia agora em São Paulo, e sobre outros temas. Quando a conversa mudou de foco para a breve passagem de Regina pela então Secretaria Especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro , Gabriela e outros presentes tentaram impedir Regina de responder. Ela chegou a dizer que não aceitaria voltar a ser secretária ou ministra .

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    A atriz, por sua vez, tentou falar sobre o assunto e chegou a verbalizar a vontade de responder às perguntas, mesmo sob os protestos de Gabriela, do diretor da peça, de sua assessoria de imprensa e de uma biógrafa que acompanhava a entrevista. Regina não se manifestou sobre a repercussão da reportagem e do vídeo nas redes sociais, em que é figura ativa.

    Gabriela disse ainda, em seu vídeo, que o jornalismo estaria vivendo um paradoxo. "Na tentativa de sobreviver, ele pode estar destruindo justamente aquilo que o mantém vivo, a confiança. Insistir em política partidária num caderno de cultura, quando a pauta deveria ser o teatro, a arte, a trajetória, esse reencontro, também merece reflexão", afirma.

    "Se o clique vale mais que o contexto, se a repercussão vale mais que a escuta, aí a gente está diante de um problema muito maior do que uma simples entrevista", continua. "Não me resta mais nenhuma dúvida que no final das contas tudo o que eu e a minha mãe fazemos é um sucesso, e a nossa nova peça vai seguir esse caminho."

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Agora, é importante lembrar: a imprensa não precisa ser protegida das críticas, mas sim do sensacionalismo. O jornalismo deve ser louvado pelos bons profissionais, aqueles que sabem perguntar, ouvir e respeitar, não por quem transforma o constrangimento em espetáculo e a audiência em medida de qualidade", diz, antes de encerrar desejando um bom domingo a seus seguidores.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/a-imprensa-nao-precisa-ser-protegida-das-criticas-diz-gabriela-duarte-sobre-entrevista-a-folha.shtml.

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    As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: UOL

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