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    A hora da reforma do Judiciário

    A última grande reforma do Poder Judiciário brasileiro ocorreu em 2004, com a emenda constitucional 45, que criou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), pilares do controle institucional e da modernização da Justiça . Desde então, ainda que o país tenha mudado e passado a enfrentar desafios novos e crescentes, seguimos operando sob uma arquitetura que já não responde inteiramente às demandas contemporâneas. Leia mais (10/08/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 01:00
    A hora da reforma do Judiciário
    Um homem em um terno escuro está falando em um microfone em um evento oficial. Ele tem cabelo escuro e usa uma gravata. Ao fundo, há bandeiras do Brasil e de outros estados, indicando um ambiente formal. O homem parece estar em um momento d — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti - Rafaela Araújo - 19.fev.25/Folhapress
    O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti - Rafaela Araújo - 19.fev.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Advogado, é presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

    A última grande reforma do Poder Judiciário brasileiro ocorreu em 2004, com a emenda constitucional 45, que criou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), pilares do controle institucional e da modernização da Justiça . Desde então, ainda que o país tenha mudado e passado a enfrentar desafios novos e crescentes, seguimos operando sob uma arquitetura que já não responde inteiramente às demandas contemporâneas.

    A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defende há mais de uma década a necessidade de aperfeiçoar essa estrutura. Trata-se de um diagnóstico maduro, construído pela observação atenta da advocacia, que acompanha os encontros cotidianos entre o cidadão e a Justiça e enxerga as fragilidades do sistema. A partir dessas constatações, a OAB entregou recentemente ao STF (Supremo Tribunal Federal) um conjunto de 24 propostas, elaboradas por sua Comissão de Mobilização para a Reforma do Judiciário, com contribuições do plenário e das seccionais da Ordem em todas as unidades federativas.

    Série de seminários Judiciário em Debate reúne especialistas para discutir os desafios da Justiça
    Série de seminários Judiciário em Debate reúne especialistas para discutir os desafios da Justiça — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O primeiro eixo de propostas aborda a composição e o funcionamento dos tribunais superiores. A advocacia propõe a adoção de mandatos com duração delimitada para os ministros, o aperfeiçoamento dos procedimentos de indicação e sabatina dos candidatos e o estabelecimento de critérios objetivos de diversidade e representatividade. Também é preciso limitar as decisões monocráticas e os pedidos de vista, além de valorizar as sessões presenciais e a sustentação oral, inclusive em julgamentos virtuais.

    O segundo eixo trata de integridade, transparência e controle institucional. A OAB defende a ampliação da participação da advocacia e da sociedade civil no CNJ e no CNMP, a restrição ao foro especial e aos inquéritos instaurados de ofício e a adoção de um código de conduta para integrantes dos tribunais. O código deve alcançar a divulgação das agendas, a participação em eventos e o recebimento de patrocínios e cachês, além de reforçar o dever de reserva sobre processos em tramitação. É preciso, ainda, fixar normas para a atuação de parentes de magistrados até o terceiro grau e impor rigor à quarentena obrigatória para ex-juízes.

    O terceiro eixo cuida do acesso à Justiça e da sua eficiência. É necessário estabelecer parâmetros nacionais para o uso de inteligência artificial , com supervisão humana e auditabilidade, e assegurar que a distribuição processual seja auditável, de modo a preservar o juiz natural. Os magistrados precisam estar presentes nas comarcas. O investimento prioritário deve ir para a primeira instância, onde o cidadão de fato bate à porta do Judiciário. Por fim, é preciso ampliar, com responsabilidade, os mecanismos de desjudicialização.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nenhuma dessas medidas é nova nem foi concebida sob a pressão dos casos atuais. Cada uma resulta do trabalho institucional acumulado por conselheiras e conselheiros federais eleitos pela advocacia em todo o país e da reflexão persistente de uma classe que conhece o Judiciário por dentro.

    Maior instituição civil do Brasil, a OAB cumpre a missão que lhe foi atribuída pela Constituição e apresenta o caminho para o aperfeiçoamento institucional e a superação das sucessivas crises . A oportunidade oferecida ao país pelas dificuldades atuais é a chance de modernização, sem rupturas nem revanchismos. A Ordem está mobilizada e pronta a conduzir, ao lado da sociedade, do Judiciário, do Congresso e do Executivo, a reforma que o Brasil precisa fazer.

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    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/a-hora-da-reforma-do-judiciario.shtml.

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    O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti - Rafaela Araújo - 19.fev.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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