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    A fruta favorita dos americanos está sendo prejudicada pela guerra no Irã

    A guerra no Irã tem provocado repercussões de várias formas na economia global, elevando os preços do petróleo, dos fertilizantes e de outros produtos. Também criou desafios para a fruta mais popular dos Estados Unidos: a banana.

    UOL
    12 de outubro de 2026 às 15:00
    A fruta favorita dos americanos está sendo prejudicada pela guerra no Irã
    Várias pencas de bananas maduras com casca amarela exibem etiquetas azuis da marca Chiquita. As bananas estão agrupadas lado a lado, ocupando toda a imagem. — Foto: UOL

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    A guerra no Irã tem provocado repercussões de várias formas na economia global, elevando os preços do petróleo , dos fertilizantes e de outros produtos. Também criou desafios para a fruta mais popular dos Estados Unidos : a banana.

    Bananas importadas da Guatemala são expostas em uma caixa em supermercado de Toronto, no Canadá - Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters · Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters
    Bananas importadas da Guatemala são expostas em uma caixa em supermercado de Toronto, no Canadá - Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters · Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O comércio de bananas há muito é uma façanha logística pouco valorizada. Ele envolve transportar uma fruta frágil e delicada por milhares de quilômetros desde os trópicos, para depois vendê-la por menos de 25 centavos de dólar a unidade. E esse negócio ficou ainda mais complicado recentemente, à medida que a guerra eleva os custos dos combustíveis e de outros insumos necessários aos produtores de banana.

    Isso aumentou ainda mais a pressão financeira sobre os produtores, que operam com margens estreitas e têm pouca capacidade de elevar os preços. Para agravar os problemas do setor, há ainda a ameaça de doenças, as mudanças climáticas , as tarifas e um El Niño excepcionalmente severo neste ano.

    A banana talvez seja a fruta mais despretensiosa dos Estados Unidos, um alimento básico e barato em vitaminas e refeitórios escolares. É a fruta mais consumida no país: os americanos comem, em média, cerca de 80 bananas por ano.

    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo
    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mas as bananas dão pouco lucro aos supermercados ou às empresas que as cultivam. Em vez disso, as lojas mantêm seus preços baixos para atrair consumidores. O preço médio da banana nos Estados Unidos —cerca de 65 centavos de dólar por libra em agosto— mudou pouco na última década, apesar do aumento dos custos.

    "Tudo está custando mais", disse Danny Dumas, vice-presidente sênior da Del Monte North America. "Se quer saber a minha opinião, é uma crise."

    Ainda assim, a Del Monte, assim como as outras grandes produtoras de banana —Chiquita, Dole e Fyffes—, continua levando enormes quantidades da fruta aos Estados Unidos.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em um porto nos arredores da Filadélfia, neste verão, guindastes e caminhões descarregavam freneticamente centenas de contêineres refrigerados do Del Monte Spirit, um navio colossal com o comprimento de dois campos de futebol, que havia percorrido mais de 3.200 quilômetros desde a América Central.

    O navio, um dos sete da frota da Del Monte, transportava cerca de 7% das bananas que entrariam nos Estados Unidos naquela semana, abastecendo uma região que se estende de Iowa à Carolina do Norte e à Nova Escócia, no Canadá . A tripulação tinha apenas 40 horas para descarregar a carga —milhões de bananas da Guatemala e da Costa Rica — antes de o navio partir de volta para buscar o carregamento da semana seguinte.

    Para compreender o impacto da guerra, o The New York Times acompanhou o percurso de um contêiner de bananas daquele navio ao longo de cerca de 4.000 quilômetros, desde a plantação onde foram cultivadas até um supermercado na Pensilvânia.

    chamada senadores eleitos 2026
    chamada senadores eleitos 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Algumas bananas a bordo do Del Monte Spirit foram cultivadas em Tiquisate, uma planície alagável repleta de fazendas na costa do Pacífico da Guatemala. Depois de cuidadosamente embaladas para evitar danos, elas foram transportadas por mais de 400 quilômetros em um caminhão refrigerado até Santo Tomás de Castilla, porto na costa caribenha da Guatemala.

    Em seguida, o Spirit as levou até Gloucester City, em Nova Jersey, onde a Del Monte descarrega até 300 mil caixas de bananas por semana. A empresa as envia diretamente aos varejistas ou para suas próprias instalações de amadurecimento, que elevam lentamente a temperatura e introduzem gás etileno para que as bananas adquiram um amarelo perfeito e sem manchas na bancada da cozinha do consumidor.

    Embora muitos agricultores e comerciantes de alimentos tenham visto seus custos aumentar por causa da guerra, as bananas foram mais afetadas porque são transportadas por longas distâncias e precisam ser mantidas cuidadosamente refrigeradas.

    O preço do diesel —necessário para abastecer a frota de caminhões refrigerados da Del Monte— subiu cerca de 70% nos Estados Unidos desde o início da guerra, sete meses atrás, chegando a um pico de mais de US$ 6 por galão . Também dispararam os preços do óleo combustível usado nos navios da Del Monte e do combustível que abastece os sistemas de irrigação dos agricultores na América Central e na América do Sul .

    Os fertilizantes dos quais dependem as plantações de banana também ficaram mais caros, já que grande parte deles é produzida a partir de gás natural proveniente do Oriente Médio . E o aumento do custo do transporte repercutiu em outros produtos, como embalagens de papelão e plástico e os produtos químicos aplicados pelos agricultores nas bananas para prevenir doenças.

    Embora o governo Trump tenha declarado repetidamente que a guerra com o Irã terminou, os cessar-fogo até agora não se sustentaram.

    O tráfego de saída do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz —que antes ajudava a transportar cerca de um terço dos fertilizantes do mundo e um quarto do petróleo comercializado por via marítima— ainda representa uma pequena fração do que já foi. Embora mais petróleo esteja saindo do Oriente Médio do que antes, os preços globais da commodity ultrapassaram repetidamente os US$ 100 por barril nos últimos sete meses.

    "Em toda a cadeia de abastecimento, tudo depende de energia", disse Mohammed Abbas, presidente da Del Monte, em entrevista.

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    A Del Monte cultiva parte de suas próprias bananas e compra outras de agricultores. As empresas do setor temem que os preços mais altos levem os agricultores a abrir mão de fertilizantes e produtos químicos de combate a doenças, o que resultaria em uma safra menor no próximo ano. Alguns agricultores da América Central já estão trocando bananas por abacaxis.

    A elevação dos custos também pode reduzir a capacidade do setor de investir em variedades resistentes a doenças. A banana como os americanos a conhecem —uma linhagem geneticamente homogênea chamada Cavendish— está ameaçada por fungos e vírus que se espalham pela América do Sul.

    Embora existam centenas de variedades de banana, desde a Ice Cream, de tom azul-prateado, até a arroxeada Red Dacca, muitos americanos conhecem apenas a Cavendish. Até a década de 1950, eles consumiam uma variedade chamada Gros Michel, uma banana mais carnuda e doce, com casca grossa adequada ao transporte e um perfil de sabor que sobrevive nos doces com sabor de banana.

    Mas um fungo causador da doença do Panamá dizimou a Gros Michel até a década de 1960. Os agricultores então recorreram à Cavendish, cultivada pela primeira vez por um jardineiro inglês no século XIX. Praticamente todas as bananas consumidas nos Estados Unidos descendem daquela única planta inglesa.

    À medida que os agricultores se adaptaram, o fungo também evoluiu. Outra variante da doença do Panamá agora ataca as bananas Cavendish no Sudeste Asiático e na América do Sul. Ela pode sobreviver no solo por décadas, destruindo permanentemente plantações inteiras.

    As empresas pesquisam discretamente alternativas genéticas para o caso de o abastecimento global entrar em colapso, um esforço que exige investimentos significativos. A Del Monte não quis comentar seu programa.

    Miguel Angel Morales, pequeno produtor no norte do Peru , disse que a doença do Panamá havia dizimado um em cada três vales produtores de banana de sua região, obrigando-o, assim como outros agricultores, a transferir suas plantações. Há cinco anos, a região produzia 12 contêineres de bananas, mas agora os agricultores enchem apenas um.

    A pressão causada pela guerra no Irã agravou esses problemas. Morales afirmou que seus custos aumentaram de 25% a 30% neste ano e que havia pouco apoio dos bancos ou do governo.

    Ele ainda não havia elevado os preços porque contratos anuais os mantinham fixos. Em algum momento, acreditava, consumidores de regiões mais ricas deveriam pagar mais.

    "Se os custos de produção aumentam, é lógico que os preços das bananas também aumentem, não é?", perguntou.

    Ainda assim, uma verdade incontestável —ao menos entre executivos do setor— é que o esforço dedicado ao produto tem pouca relação com seu preço.

    Há décadas, os supermercados tratam as bananas como outros "produtos chamariz" —mantendo o preço da fruta baixo para atrair clientes. A estrutura do setor, na qual várias empresas competem para vender um produto praticamente idêntico, também deixa os produtores com pouco poder para aumentar seus preços.

    As empresas de banana também desenvolveram cadeias de abastecimento altamente eficientes, que reduziram os custos internos da fazenda até o supermercado —estratégia brutalmente aperfeiçoada pela United Fruit Company, que transformou grandes áreas da América Central em territórios controlados pela empresa no início do século XX.

    O resultado é que a banana, apesar de frágil e transportada por longas distâncias, costuma ser vendida por apenas 15 centavos de dólar a unidade.

    Corrigido pela inflação , o preço médio de uma libra de bananas nos Estados Unidos caiu aproximadamente pela metade nos últimos 40 anos. No segundo trimestre, a margem da Del Monte com bananas foi de apenas 2,3%.

    "Eu costumava dizer que o nosso era um negócio sem fins lucrativos", afirmou Juan Alarcon, CEO da Fyffes North America.

    As empresas do setor também enfrentaram dificuldades no ano passado com os custos decorrentes das tarifas, até que o governo Trump isentou, em novembro, alguns alimentos que não são cultivados localmente.

    As empresas também tiveram de lidar com a escassez de caminhoneiros, em parte porque o governo Trump cassou as habilitações profissionais de mais de 30 mil motoristas.

    O preço pelo qual muitos produtores vendem bananas é fixado em contratos de longo prazo, alguns dos quais vencem em dezembro. Mas não está claro até que ponto os supermercados permitirão que os preços subam.

    Tom Stenzel, diretor-geral da Banana Association of North America, disse que havia "quase uma mitologia" entre os varejistas de que não poderiam aumentar o preço das bananas como fazem com produtos agrícolas cultivados muito mais perto das lojas.

    "Não quero prejudicar meus colegas do setor de maçãs", disse Stenzel, mas as maçãs são mais caras e exigem menos esforço para serem cultivadas e transportadas. A capacidade do setor de bananas de absorver custos está "no limite", acrescentou.

    "O que mais se pode comprar em um supermercado por 25 centavos?", perguntou.

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    Mitra Taj colaborou com a reportagem do Peru, e Jody García, da Guatemala.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/a-fruta-favorita-dos-americanos-esta-sendo-prejudicada-pela-guerra-no-ira.shtml.

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    Bananas importadas da Guatemala são expostas em uma caixa em supermercado de Toronto, no Canadá - Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters · Arlyn McAdorey - 12.set.2026/Reuters — Foto: UOL

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