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    A festa da democracia virou velório

    Milhões de brasileiros foram às urnas para escolher seus candidatos num pleito marcado por um processo acintoso de aparelhamento político no TSE e no STF , permeado por abusos censórios e procedimentais que minam a legitimidade das instituições. Mas o fenômeno não é novidade. Em 2022, o TSE presidido pelo ministro Alexandre de Moraes passou como um rolo compressor pela liberdade de expressão; um vídeo crítico a Lula com fatos considerados verídicos pelo plenário foi censurado, assim como um documentário sobre o atentado a Jair Bolsonaro , a que os magistrados nem sequer assistiram. Sob o prete

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 02:00
    A festa da democracia virou velório
    Pessoa em cabine de votação da Justiça Eleitoral dentro de sala de aula. Cabine branca com aviso para desligar celular, quadro negro ao fundo e carteiras escolares ao lado. — Foto: Folha de S.Paulo

    Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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    Movimentação de eleitores na Escola Estadual Miss Browne, na zona oeste de São Paulo - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress
    Movimentação de eleitores na Escola Estadual Miss Browne, na zona oeste de São Paulo - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Milhões de brasileiros foram às urnas para escolher seus candidatos num pleito marcado por um processo acintoso de aparelhamento político no TSE e no STF , permeado por abusos censórios e procedimentais que minam a legitimidade das instituições. Mas o fenômeno não é novidade. Em 2022, o TSE presidido pelo ministro Alexandre de Moraes passou como um rolo compressor pela liberdade de expressão; um vídeo crítico a Lula com fatos considerados verídicos pelo plenário foi censurado, assim como um documentário sobre o atentado a Jair Bolsonaro , a que os magistrados nem sequer assistiram. Sob o pretexto de defesa da democracia —usado até hoje—, o TSE e também o Supremo, por meio do inquérito das fake news relatado por Moraes, combateram a chamada desinformação por meio de expansão de poderes normativos, flexibilização de garantias processuais e uso excessivo de decisões individuais.

    Trata-se da exacerbação do grau já elevado de intervenção paternalista da Justiça Eleitoral brasileira no conteúdo da comunicação política, que não tem paralelo em democracias como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha e supera até vizinhos como Uruguai e Chile. Neste ano, uma ministra do TSE chegou a proibir a rede Globo de mostrar o púlpito vazio de Lula no debate ao qual ele se recusou a comparecer, mesmo que a campanha petista tenha concordado com essa cláusula. A partir de disputas internas no STF, oriundas do escândalo do Banco Master , o jogo eleitoral se transformou em várzea jurídica. André Mendonça , no TSE, promoveu censura a granel de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida. Gilmar Mendes obrigou a Globo a incluir Renan Santos num debate; Kassio Nunes Marques fez o mesmo com Romeu Zema . Viu-se, ainda, uma sequência de acionamentos de processos antigos para que as partes selecionassem o juiz favorito numa verdadeira guerra de decisões. Milhões de brasileiros foram às urnas celebrar a liberdade de escolher seus governantes, mas, no âmbito da Justiça, a festa da democracia virou velório.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/10/a-festa-da-democracia-virou-velorio.shtml.

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