A escolha de um jovem começa muito antes do vestibular
Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade. Leia mais (09/02/2026 - 08h00)

Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Conhecida como tia Dag, é presidente e fundadora da Casa do Zezinho, educadora social e palestrante
Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade.
Ela é construída desde os primeiros anos de escola , a partir da qualidade do ensino, do acesso à cultura, das referências profissionais, do apoio da família e da possibilidade de dedicar tempo aos estudos.

Nas periferias, esse percurso costuma exigir mais persistência, pois existem jovens que enfrentam escolas com poucos recursos, longos deslocamentos, falta de acesso e necessidade de conciliar os estudos com o trabalho e as responsabilidades em casa.
Nada disso reduz sua capacidade ou seu potencial. Mas são condições que influenciam diretamente as oportunidades que estarão disponíveis no futuro. É por isso que a pergunta "faculdade ainda vale a pena?" não pode ser respondida da mesma forma para todos.
Para alguns jovens, fazer ou não uma graduação é uma decisão tomada entre diferentes possibilidades. Para outros, a faculdade permanece distante não por falta de interesse ou de talento, mas porque o caminho até ela ainda é marcado por obstáculos que começam muito antes do vestibular. E reconhecer essa desigualdade não significa afirmar que a universidade é o único caminho possível.

Então, sim, a faculdade ainda vale a pena. Mas ela precisa ser uma escolha verdadeira, e não um privilégio reservado a quem teve mais oportunidades desde a infância.
Há trajetórias transformadoras construídas por meio do ensino técnico, formação profissionalizante, empreendedorismo, arte, cultura e dos conhecimentos adquiridos dentro e fora da escola. O que não podemos aceitar é que a origem de um jovem determine quais dessas possibilidades estarão ou não ao seu alcance.
Os dados reforçam ainda mais essa distância. Segundo o IBGE, em 2025, o Brasil tinha 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos e desse total, 17,5%, o equivalente a 8,2 milhões de pessoas, não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e não frequentavam cursos de qualificação profissional.

Embora o percentual tenha caído em relação a 2019, quando chegava a 22,4%, o número ainda revela a quantidade de jovens que permanecem afastados de oportunidades de formação e de inserção profissional.
Esses números não falam sobre a capacidade dos jovens. Falam sobre as condições oferecidas a cada um deles. Quando a preparação, os recursos e as oportunidades são diferentes, a liberdade de escolha também é.
Por isso, a educação não deve ser vista apenas como um meio de conquistar um diploma ou conseguir um emprego. Ela amplia repertórios , aproxima o jovem da ciência, arte e cultura, fortalece sua autonomia e permite que ele reconheça possibilidades que talvez ainda não soubesse que existiam.
Educar é mostrar caminhos e oferecer ferramentas para cada pessoa poder decidir qual deles deseja seguir. Talvez a pergunta não deva ser apenas se a faculdade ainda vale a pena. A pergunta mais importante é: o que estamos fazendo para que cada jovem tenha informação, preparação e condições reais de decidir o próprio futuro?
Enquanto houver um jovem cujo futuro é decidido pela falta de oportunidade, e não pela própria vontade, ainda teremos trabalhos a fazer. A resposta não está em cobrar escolhas de quem nunca teve todas as opções à mesa.
Está em garantir que cada jovem chegue ao momento de decidir com informação, preparo e caminhos reais diante de si. Esse é o compromisso que precisa ser de todos nós , pois como sempre digo: Educar é um ato de amor.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/a-escolha-de-um-jovem-comeca-muito-antes-do-vestibular.shtml.

Candidatos durante a realização da primeira fase da Fuvest, vestibular para ingresso na USP na Cidade Universitária em São Paulo - Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

