Brasil

    A escolha de um jovem começa muito antes do vestibular

    Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade. Leia mais (09/02/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 11:00
    A escolha de um jovem começa muito antes do vestibular
    Vários estudantes sentados em carteiras individuais em sala de aula, concentrados em provas. A luz natural entra por grandes janelas ao fundo, e um estudante em primeiro plano segura caneta e folha de prova. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Candidatos durante a realização da primeira fase da Fuvest, vestibular para ingresso na USP na Cidade Universitária em São Paulo - Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress
    Candidatos durante a realização da primeira fase da Fuvest, vestibular para ingresso na USP na Cidade Universitária em São Paulo - Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Conhecida como tia Dag, é presidente e fundadora da Casa do Zezinho, educadora social e palestrante

    Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade.

    Ela é construída desde os primeiros anos de escola , a partir da qualidade do ensino, do acesso à cultura, das referências profissionais, do apoio da família e da possibilidade de dedicar tempo aos estudos.

    Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostra a realidade dos estudantes brasileiros
    Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostra a realidade dos estudantes brasileiros — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nas periferias, esse percurso costuma exigir mais persistência, pois existem jovens que enfrentam escolas com poucos recursos, longos deslocamentos, falta de acesso e necessidade de conciliar os estudos com o trabalho e as responsabilidades em casa.

    Nada disso reduz sua capacidade ou seu potencial. Mas são condições que influenciam diretamente as oportunidades que estarão disponíveis no futuro. É por isso que a pergunta "faculdade ainda vale a pena?" não pode ser respondida da mesma forma para todos.

    Para alguns jovens, fazer ou não uma graduação é uma decisão tomada entre diferentes possibilidades. Para outros, a faculdade permanece distante não por falta de interesse ou de talento, mas porque o caminho até ela ainda é marcado por obstáculos que começam muito antes do vestibular. E reconhecer essa desigualdade não significa afirmar que a universidade é o único caminho possível.

    Professores idealizam projetos que levam escolas públicas a concorrer entre melhores do mundo
    Professores idealizam projetos que levam escolas públicas a concorrer entre melhores do mundo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Então, sim, a faculdade ainda vale a pena. Mas ela precisa ser uma escolha verdadeira, e não um privilégio reservado a quem teve mais oportunidades desde a infância.

    Há trajetórias transformadoras construídas por meio do ensino técnico, formação profissionalizante, empreendedorismo, arte, cultura e dos conhecimentos adquiridos dentro e fora da escola. O que não podemos aceitar é que a origem de um jovem determine quais dessas possibilidades estarão ou não ao seu alcance.

    Os dados reforçam ainda mais essa distância. Segundo o IBGE, em 2025, o Brasil tinha 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos e desse total, 17,5%, o equivalente a 8,2 milhões de pessoas, não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e não frequentavam cursos de qualificação profissional.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora o percentual tenha caído em relação a 2019, quando chegava a 22,4%, o número ainda revela a quantidade de jovens que permanecem afastados de oportunidades de formação e de inserção profissional.

    Esses números não falam sobre a capacidade dos jovens. Falam sobre as condições oferecidas a cada um deles. Quando a preparação, os recursos e as oportunidades são diferentes, a liberdade de escolha também é.

    Por isso, a educação não deve ser vista apenas como um meio de conquistar um diploma ou conseguir um emprego. Ela amplia repertórios , aproxima o jovem da ciência, arte e cultura, fortalece sua autonomia e permite que ele reconheça possibilidades que talvez ainda não soubesse que existiam.

    Educar é mostrar caminhos e oferecer ferramentas para cada pessoa poder decidir qual deles deseja seguir. Talvez a pergunta não deva ser apenas se a faculdade ainda vale a pena. A pergunta mais importante é: o que estamos fazendo para que cada jovem tenha informação, preparação e condições reais de decidir o próprio futuro?

    Enquanto houver um jovem cujo futuro é decidido pela falta de oportunidade, e não pela própria vontade, ainda teremos trabalhos a fazer. A resposta não está em cobrar escolhas de quem nunca teve todas as opções à mesa.

    Está em garantir que cada jovem chegue ao momento de decidir com informação, preparo e caminhos reais diante de si. Esse é o compromisso que precisa ser de todos nós , pois como sempre digo: Educar é um ato de amor.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/a-escolha-de-um-jovem-comeca-muito-antes-do-vestibular.shtml.

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    Candidatos durante a realização da primeira fase da Fuvest, vestibular para ingresso na USP na Cidade Universitária em São Paulo - Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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