Brasil

    A educação perde de goleada

    Já se tornou uma tradição brasileira: candidatos comprometem-se a dar prioridade total à educação , mas, uma vez empossados, não só esquecem a promessa como às vezes adotam medidas que a prejudicam. É o caso de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Leia mais (08/08/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 01:00
    A educação perde de goleada
    0 — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Sala de aula vazia em escola estadual, em Guarulhos (SP) - Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress · Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress
    Sala de aula vazia em escola estadual, em Guarulhos (SP) - Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress · Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já se tornou uma tradição brasileira: candidatos comprometem-se a dar prioridade total à educação , mas, uma vez empossados, não só esquecem a promessa como às vezes adotam medidas que a prejudicam. É o caso de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).

    Na campanha de 2022, seu plano de governo afirmava que o investimento em educação seria o pilar central do desenvolvimento, mensagem reforçada em comícios e na propaganda eleitoral.

    No poder, não fez muito para efetivar tal discurso. Sua principal iniciativa, o Pé-de-Meia, é um programa de transferência de renda, não propriamente pedagógico. O PT parece acreditar que os problemas do país podem ser resolvidos com a concessão de algum tipo de bolsa.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Agora, incapaz de resistir ao populismo em questões de gênero, afeta a organização escolar. Em maio, o Congresso Nacional aprovou a lei 15.421 de 2026, uma proposta do governo federal relativa à Copa do Mundo Feminina da Fifa .

    Seu artigo 67 determina que todas as escolas do país, públicas e privadas, decretem recesso durante o evento , que ocorrerá entre junho e julho de 2027. A ideia é mostrar que o Brasil atribui importância tanto ao futebol feminino quanto ao masculino —ainda que, na Copa de 2014, o dispositivo que estabelecia as férias obrigatórias tenha caído.

    Não se trata de questão menor. Estruturar o calendário escolar é tarefa complexa. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) exige um mínimo de 200 dias letivos com 800 horas-aula anuais. Escolas também precisam se adequar aos acordos coletivos de professores e funcionários, sem mencionar demandas específicas de alunos e pais. Em 2027, haverá dez feriados nacionais, além dos locais.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A resposta das redes de ensino a tantas condicionantes tem sido reduzir as férias de julho , que, por vezes, não ultrapassam dez dias. São os gestores, e não legisladores ou burocratas, os mais qualificados para decidir sobre o tema.

    Se o sucesso da Copa feminina dependesse só da paralisação compulsória, ainda seria possível discutir sua oportunidade. Esse, porém, está longe de ser o caso.

    Há décadas, brasileiros e outros povos não têm nenhuma dificuldade em produzir arranjos informais de horários que permitem a todos torcer por suas seleções, masculinas ou femininas —as pessoas não precisaram estar em férias para assistir ao 7 a 1 da Alemanha contra o Brasil em 2014.

    É lamentável constatar que governantes, quando submetidos a testes reais, não hesitam em sacrificar o alegado apreço pela educação em prol do populismo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/a-educacao-perde-de-goleada.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Sala de aula vazia em escola estadual, em Guarulhos (SP) - Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress · Patricia Stavis - 11.mai.18/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)