Brasil

    A direita veio para ficar

    Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa eleitoral mostra que o bolsonarismo prevalece no Sul e no Sudeste. Lula , no Nordeste. Leia mais (10/06/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 02:00
    A direita veio para ficar
    A imagem mostra uma sessão na Câmara dos Deputados do Brasil, com muitos deputados reunidos em um ambiente legislativo. No centro, um grupo de deputados está posando para fotos, enquanto outros estão em pé e levantando as mãos. Há uma bande — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress
    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa eleitoral mostra que o bolsonarismo prevalece no Sul e no Sudeste. Lula , no Nordeste.

    Em 1974, a ditadura estava certa de que triunfaria e tomou uma bofetada eleitoral. A oposição elegeu 16 dos 22 senadores. (Naquele tempo, os governadores eram eleitos indiretamente; a disputa pelo Senado era a maior eleição majoritária disponível.)

    A ditadura foi ferida de morte. Numa análise grosseira, em 1974 o PIB votou na oposição, e o regime ficou com os grotões. Em 2022, o mapa foi semelhante e, em 2026, a escrita repetiu-se, aprofundando-se.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A ditadura foi surpreendida em 1974. Em 2026, o Partido dos Trabalhadores foi para a guilhotina com indolência. Em São Paulo, a vitória de Orestes Quércia era inimaginável, tanto que Ulysses Guimarães não quis disputar o Senado. Em 2026, depois de ter perdido a capital por uma margem de 1 milhão de votos, o PT lançou Fernando Haddad ao governo e foi derrotado com uma diferença de seis milhões de votos (36%) .

    O PT e Lula surgiram e cresceram em São Paulo, e o estado deu-lhes agora uma humilhante derrota. Argumenta-se que Tarcísio de Freitas é o governador. Mas o que explica que José Dirceu não tenha sido eleito deputado federal? O eleitorado paulista decapitou a nobiliarquia petista, arrastando Marina Silva , candidata ao Senado, e Rui Falcão, ex-presidente do partido, deputado estadual de 1991 a 1999 e federal desde 2019.

    A eleição de 1974 mostrou que o eleitorado estava cansado da ditadura. A de 2022 sinalizou um certo cansaço do PT. O primeiro turno de domingo (4) confirmou-o.

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A onda conservadora de 2018 tinha fortes ingredientes para alavancá-la. A Lava Jato brilhava, Lula estava preso, e o PT mal tinha candidato. Desta vez, não há Lava Jato e o candidato é Lula, depois de exercer um terceiro mandato. Todas as pesquisas davam Lula à frente, mas essas mesmas pesquisas mostravam que seu governo era mal avaliado.

    Essa reprovação vinha de longe, e a campanha petista subestimou-a.

    Em todo o arco de surpresas, saiu das urnas uma constante: foram derrotados quase todos os candidatos nos quais os eleitores tinham uma espécie de obrigação de votar. Em 1974, os paulistas deveriam eleger o ex-ministro e ex-governador Carvalho Pinto. Em 2026, deveriam eleger o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad. Marina Silva parecia ter direito a uma cadeira no Senado, mas perdeu para o politicamente incorreto Guilherme Derrite , assim como Eduardo Suplicy perdeu para o major Olímpio em 2018.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2022, Lula deu um salto espetacular atrás das linhas inimigas e entregou a vice-presidência a Geraldo Alckmin , seu adversário em 2006. Ele terá menos de um mês para dar outro salto. Para onde? A ver.

    A diferença entre Flávio e Lula no domingo, 2,3 milhões de votos, foi superior à de Lula sobre Jair em 2022.

    Como era previsível, a direita que saiu das urnas em 2026 tem um único componente unificador: o antipetismo. O que vem a ser pouca coisa.

    Tudo indica que a parada será decidida nos debates. Hoje, seriam três: Band, 11 de outubro (domingo); Record, 18 de outubro (domingo); e Globo, 23 de outubro (sexta-feira).

    Se os dois candidatos forem aos três, esta pobre eleição será rica no confronto de ideias.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/10/a-direita-veio-para-ficar.shtml.

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    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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