A direita veio para ficar
Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa eleitoral mostra que o bolsonarismo prevalece no Sul e no Sudeste. Lula , no Nordeste. Leia mais (10/06/2026 - 23h00)

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"
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Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa eleitoral mostra que o bolsonarismo prevalece no Sul e no Sudeste. Lula , no Nordeste.
Em 1974, a ditadura estava certa de que triunfaria e tomou uma bofetada eleitoral. A oposição elegeu 16 dos 22 senadores. (Naquele tempo, os governadores eram eleitos indiretamente; a disputa pelo Senado era a maior eleição majoritária disponível.)
A ditadura foi ferida de morte. Numa análise grosseira, em 1974 o PIB votou na oposição, e o regime ficou com os grotões. Em 2022, o mapa foi semelhante e, em 2026, a escrita repetiu-se, aprofundando-se.

A ditadura foi surpreendida em 1974. Em 2026, o Partido dos Trabalhadores foi para a guilhotina com indolência. Em São Paulo, a vitória de Orestes Quércia era inimaginável, tanto que Ulysses Guimarães não quis disputar o Senado. Em 2026, depois de ter perdido a capital por uma margem de 1 milhão de votos, o PT lançou Fernando Haddad ao governo e foi derrotado com uma diferença de seis milhões de votos (36%) .
O PT e Lula surgiram e cresceram em São Paulo, e o estado deu-lhes agora uma humilhante derrota. Argumenta-se que Tarcísio de Freitas é o governador. Mas o que explica que José Dirceu não tenha sido eleito deputado federal? O eleitorado paulista decapitou a nobiliarquia petista, arrastando Marina Silva , candidata ao Senado, e Rui Falcão, ex-presidente do partido, deputado estadual de 1991 a 1999 e federal desde 2019.
A eleição de 1974 mostrou que o eleitorado estava cansado da ditadura. A de 2022 sinalizou um certo cansaço do PT. O primeiro turno de domingo (4) confirmou-o.

A onda conservadora de 2018 tinha fortes ingredientes para alavancá-la. A Lava Jato brilhava, Lula estava preso, e o PT mal tinha candidato. Desta vez, não há Lava Jato e o candidato é Lula, depois de exercer um terceiro mandato. Todas as pesquisas davam Lula à frente, mas essas mesmas pesquisas mostravam que seu governo era mal avaliado.
Essa reprovação vinha de longe, e a campanha petista subestimou-a.
Em todo o arco de surpresas, saiu das urnas uma constante: foram derrotados quase todos os candidatos nos quais os eleitores tinham uma espécie de obrigação de votar. Em 1974, os paulistas deveriam eleger o ex-ministro e ex-governador Carvalho Pinto. Em 2026, deveriam eleger o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad. Marina Silva parecia ter direito a uma cadeira no Senado, mas perdeu para o politicamente incorreto Guilherme Derrite , assim como Eduardo Suplicy perdeu para o major Olímpio em 2018.

Em 2022, Lula deu um salto espetacular atrás das linhas inimigas e entregou a vice-presidência a Geraldo Alckmin , seu adversário em 2006. Ele terá menos de um mês para dar outro salto. Para onde? A ver.
A diferença entre Flávio e Lula no domingo, 2,3 milhões de votos, foi superior à de Lula sobre Jair em 2022.
Como era previsível, a direita que saiu das urnas em 2026 tem um único componente unificador: o antipetismo. O que vem a ser pouca coisa.
Tudo indica que a parada será decidida nos debates. Hoje, seriam três: Band, 11 de outubro (domingo); Record, 18 de outubro (domingo); e Globo, 23 de outubro (sexta-feira).
Se os dois candidatos forem aos três, esta pobre eleição será rica no confronto de ideias.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/10/a-direita-veio-para-ficar.shtml.

O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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