Brasil

    A destruição na Terra Indígena Ituna-Itatá

    A Terra Indígena Ituna-Itatá, no Médio Xingu, no Pará, continua sob pressão de invasores mais de um mês após o início de uma nova onda de ocupações ilegais. O monitoramento da Funai identificou 1.890 hectares atingidos por queimadas e 37,7 quilômetros de estradas reabertas dentro do território, que é destinado à proteção de povos indígenas isolados. Leia mais (09/25/2026 - 19h21)

    Folha de S.Paulo
    25 de setembro de 2026 às 22:21
    A destruição na Terra Indígena Ituna-Itatá
    Fumaça azulada cobre parte de uma área de floresta com árvores queimadas e vegetação densa. Uma estrada de terra clara corta a imagem de cima para baixo, separando a área queimada da vegetação ainda verde. — Foto: Folha de S.Paulo

    Coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental - Kanindé

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Imagens aéreas de 2019 da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará, território mais desmatado do país e devastado por grileiros - Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil · Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil
    Imagens aéreas de 2019 da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará, território mais desmatado do país e devastado por grileiros - Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil · Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Terra Indígena Ituna-Itatá, no Médio Xingu, no Pará, continua sob pressão de invasores mais de um mês após o início de uma nova onda de ocupações ilegais. O monitoramento da Funai identificou 1.890 hectares atingidos por queimadas e 37,7 quilômetros de estradas reabertas dentro do território, que é destinado à proteção de povos indígenas isolados.

    A situação revela a fragilidade da proteção territorial. A Base de Proteção Etnoambiental responsável pela vigilância segue sem o apoio necessário das forças de segurança, enquanto servidores da Funai trabalham sob ameaças. Em 26 de agosto, a Justiça Federal determinou que a União mobilizasse a Força Nacional em 48 horas para controlar os acessos e retirar invasores, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A determinação não foi cumprida.

    As queimadas atingiram áreas que estavam em processo de regeneração após operações anteriores de retirada de invasores. Imagens do Programa Brasil Mais, da Polícia Federal, identificaram incêndios dentro da terra indígena e a reabertura de antigos ramais. Há indícios de que parte dos focos tenha ocorrido em represália após uma operação conjunta da Funai, Ibama e Polícia Federal que destruiu maquinário utilizado em crimes ambientais.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O problema não se limita ao desmatamento . Invasores continuam instalados no território e utilizando estruturas para permanecer na área. Em agosto, mais de 500 pessoas chegaram a ocupar a região. Mesmo após ações de fiscalização e decisões judiciais, ainda foram identificados acampamentos, equipamentos e estradas reabertas. Servidores também foram ameaçados, inclusive por mensagens que convocavam grupos para cercar equipes e incendiar veículos oficiais.

    A disputa territorial ganhou novos contornos após a criação, pela lei estadual 11.665/2026, de uma área de proteção ambiental com limites coincidentes aos da terra indígena. A Justiça Federal já decidiu que a norma estadual não se aplica dentro do território indígena. A própria existência dessa disputa evidencia a importância de garantir proteção territorial efetiva.

    A Terra Indígena Ituna-Itatá ainda não foi demarcada. Trata-se de uma área reconhecida pelo Estado como de especial atenção em razão da presença de indígenas isolados, mas cuja proteção territorial definitiva permanece inconclusa. Em 2019, foi a terra indígena mais desmatada do Brasil. Agora, volta a registrar queimadas e a perder áreas que haviam iniciado um processo de regeneração, evidenciando a fragilidade da política indigenista.

    Proteger povos indígenas isolados é uma questão de direitos humanos, autodeterminação e proteção da diversidade cultural e ambiental. Para esses povos, proteger não significa necessariamente aproximar, integrar ou estabelecer contato. Muitas vezes, significa exatamente o contrário: garantir o direito de permanecerem isolados e de continuarem vivendo em seus próprios territórios.

    Na Ituna-Itatá, proteger a floresta é proteger pessoas que, para sobreviver, escolheram não ser encontradas. É garantir que o direito de viver de acordo com seu próprio modo de vida não seja destruído antes mesmo que o Estado cumpra seu dever de protegê-lo.

    Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/txai-surui/2026/09/a-destruicao-na-terra-indigena-ituna-itata.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    Imagens aéreas de 2019 da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará, território mais desmatado do país e devastado por grileiros - Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil · Fábio Nascimento/Greenpeace Brazil — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)