Brasil

    A derrocada da esquerda é ainda mais dura que a de 2018

    Preso em novembro de 2025 por tramar um golpe de Estado para impedir a posse de Lula em 2023, Bolsonaro planejou fazer a volta ao poder usando a força do voto. É paradoxal, mas o bolsonarismo é assim. Leia mais (10/05/2026 - 16h56)

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 19:56
    A derrocada da esquerda é ainda mais dura que a de 2018
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    Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro"

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    Veja imagens da votação pelo Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Preso em novembro de 2025 por tramar um golpe de Estado para impedir a posse de Lula em 2023, Bolsonaro planejou fazer a volta ao poder usando a força do voto. É paradoxal, mas o bolsonarismo é assim.

    Até agora está tudo dando certo . O filho Flávio venceu o primeiro turno por uma diferença de 2,4 milhões de votos e, dependendo da reação de Lula, que no momento parece improvável, deverá ser eleito presidente no último domingo de outubro. Ao som do funk, o 01 já age como se estivesse no Palácio do Planalto comandando o acerto de contas: "Está decretado o fim da era PT ".

    O voto útil para desidratar outros concorrentes da direita funcionou a favor de Flávio, que cresceu às vésperas da eleição (os especialistas chamam o fenômeno de voto envergonhado ou espiral de silêncio), enquanto de Caiado, Zema, Cury e Renan naufragaram de vez. Se percebeu o movimento da onda submersa, a campanha de Lula se mostrou incapaz de evitar o estrago. Levou o caixote, o caldo e a vaca.

    Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, e Lula, em São Bernardo do Campo, no domingo da eleição - Eduardo Anizelli/Folhapress/Amanda Perobelli/Reuters · Eduardo Anizelli/Folhapress/Amanda Perobelli/Reuters
    Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, e Lula, em São Bernardo do Campo, no domingo da eleição - Eduardo Anizelli/Folhapress/Amanda Perobelli/Reuters · Eduardo Anizelli/Folhapress/Amanda Perobelli/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi um primeiro turno com características de segundo, registrando a menor diferença entre os dois mais votados, sedimentação que aumenta o favoritismo de Flávio. E dizer que quando Bolsonaro começou a falar sobre a pré-candidatura do filho, em dezembro de 2025, o PT comemorou, pois afastava o temor da disputa com Tarcísio de Freitas.

    Para a esquerda, a derrota será mais dura que a de 2018. O Senado virou uma trincheira bolsonarista (quem esperava o fim da escala 6x1 pode esquecer). O PL fez 28 senadores . De novo aparece aí o dedo do ex-presidente, que antes de ser preso negociou a indicação de candidatos à casa legislativa.

    Nos planos do 01 está uma intervenção no Supremo Tribunal Federal, com o afastamento de magistrados —Alexandre de Moraes sendo o primeiro da fila— e a retirada da corte de casos criminais que atingem a ele e a seus cupinchas. Autocracia —ao modo da Venezuela ou de El Salvador, como preferir— à vista.

    À esquerda, homem de camisa clara faz sinal de paz com as duas mãos atrás de cabine de votação com inscrição 'Justiça Eleitoral'. À direita, homem de camisa branca e chapéu claro gesticula com as mãos abertas em frente a cabine de votação c
    À esquerda, homem de camisa clara faz sinal de paz com as duas mãos atrás de cabine de votação com inscrição 'Justiça Eleitoral'. À direita, homem de camisa branca e chapéu claro gesticula com as mãos abertas em frente a cabine de votação c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De lambuja, Bolsonaro elegeu Michelle, Carlos, Jair Renan e o irmão Renato.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2026/10/a-derrocada-da-esquerda-e-ainda-mais-dura-que-a-de-2018.shtml.

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