A cruzada contra livros nos EUA
A chamada guerra cultural, que se espraia por democracias em âmbito global, tem impactado a educação por meio da interdição de conteúdos e do debate de ideias. Leia mais (09/13/2026 - 22h00)

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A chamada guerra cultural, que se espraia por democracias em âmbito global, tem impactado a educação por meio da interdição de conteúdos e do debate de ideias.
No Brasil, pesquisadores e professores lançaram, em maio, um manifesto com mais de 1.500 assinaturas em defesa do pluralismo e da liberdade acadêmica nas universidades. Nos EUA, o movimento de censura a livros tem escalado de forma preocupante.
Em 2025, 6.588 livros foram censurados em todos os tipos de biblioteca do país, ante média anual de 70 obras entre 2001 e 2020, segundo a Associação das Bibliotecas dos Estados Unidos . Desse total, 5.897 volumes estavam em bibliotecas escolares.

Tal salto se deve ao surgimento de uma espécie de indústria da contestação de livros que estimulou alguns estados a criarem leis que facilitam o banimento.
Antes de 2020, a maioria das contestações partia de pais que queriam restringir alguma obra. Hoje, organizações demandam censura de listas com dezenas e até centenas delas —geralmente sobre raça, gênero e sexualidade. Em 2025, 92% das ações partiram de grupos de pressão ou de autoridades por eles influenciadas, ante 25% em 2020.
Em 2023, uma lei da Flórida determinou que livros acusados de conter pornografia fossem retirados de circulação enquanto a contestação estivesse sendo examinada; Iowa obrigou distritos e escolas a realizarem o escrutínio de livros obscenos e criou mecanismos para registrar aqueles que foram banidos. Utah e Texas criaram normas semelhantes.

Esse movimento se baseia na ideia de que os pais devem ter o direito de controlar a educação dos filhos, mas resta claro que a censura a granel interfere no direito dos outros pais e no acesso ao conhecimento e à cultura literária de todos os alunos.
Em 2023, o governo de Joe Biden lançou ações para apurar a proibição de livros nas escolas públicas e dissuadir as instituições de restringir o acesso aos controversos. Mas, no início da gestão de Donald Trump , o Departamento de Educação anunciou que não investigaria mais essas medidas e defendeu que os conteúdos banidos eram "inadequados" ou "obscenos".
No Congresso americano, tramita um projeto de lei que visa retirar o financiamento das escolas que "fornecerem ou promoverem livros ou outros materiais que incluam conteúdo de caráter sexual para menores de 18 anos".
O país conhecido como a terra da liberdade vai, assim, minando valores que estão na base de sua formação histórica.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/a-cruzada-contra-livros-nos-eua.shtml.

Estante com livros banidos em biblioteca pública de Nova Jersey (EUA) - Ana Fernández - 29.mar.24/AFP · Ana Fernández - 29.mar.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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