A coragem de votar pelo Brasil
Após a Copa do Mundo , a política volta a ocupar a atenção no Brasil. Teremos, em outubro próximo, eleições para os principais cargos da República: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Mais do que um rito democrático, uma decisão que influenciará por quatro anos os rumos do país. Leia mais (08/24/2026 - 22h00)

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Jornalista, professor e escritor, é doutor em educação, arte e história da cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Após a Copa do Mundo , a política volta a ocupar a atenção no Brasil. Teremos, em outubro próximo, eleições para os principais cargos da República: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Mais do que um rito democrático, uma decisão que influenciará por quatro anos os rumos do país.
A imprensa cumpre seu papel ao trazer informações, comparar propostas, fiscalizar os candidatos e revelar suas trajetórias. Cabe ao eleitor buscar fontes confiáveis, analisar o histórico de cada postulante e resistir à desinformação que costuma marcar as campanhas eleitorais. As fake news já estão por aí, contra e a favor da verdade.

A escolha do Congresso Nacional será tão importante quanto a do presidente da República. Nos últimos anos, estamos vivendo um bizarro e perigoso parlamentarismo. A governabilidade depende da relação de poder entre o Executivo e o Legislativo. Por isso, votar para presidente e desmerecer os candidatos às casas parlamentares é irresponsabilidade com a democracia.
Na disputa pelo Palácio do Planalto, diferentes perfis se apresentam ao eleitorado. Há nomes ligados ao velho "coronelismo" agrário, como Ronaldo Caiado ( PSD ); representantes do discurso vazio na economia, como Romeu Zema (Novo); candidaturas da "terceira via" sem programa claro, como a do escritor de autoajuda Augusto Cury ( Avante ) e de oportunistas oriundos de estranhos movimentos políticos recentes, como Renan Santos (Missão). Isso considerando apenas os que já pontuam nas pesquisas, poishá alguns outros.
Temos lideranças com estilos e programas bem conhecidos. Flávio Bolsonaro ( PL ) representa um grupo que se destaca na extrema direita brasileira, mesmo sob constantes escândalos e submissão a líderes estrangeiros. Seu discurso é o mesmo do pai, que está inelegível, cumprindo penas sob privação da liberdade. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) simboliza um projeto que marcou a política nacional nas últimas décadas, acumulando tanto amplo apoio popular quanto críticas e controvérsias. Lula, além de defender a soberania nacional, propõe políticas de inclusão, estabilidade econômica, valorização do salário mínimo e investimentos no social.

Cada candidatura desperta simpatias e rejeições. Nenhum político está acima do exame público, assim como nenhum deve ser julgado apenas por slogans, campanhas nas redes sociais ou narrativas construídas por adversários. O que importa é confrontar discursos com resultados, promessas com capacidade de execução e biografias com fatos conhecidos. Fatos, não versões deles.
O Brasil enfrenta muitos desafios . Crescimento econômico, combate às desigualdades, segurança, melhoria da saúde pública, fortalecimento da educação, preservação ambiental, geração de empregos e equilíbrio das contas públicas continuarão exigindo vontade política em decisões difíceis. Não há soluções simples para problemas complexos, nem "salvadores da pátria" capazes de governar sozinhos.
A democracia pressupõe escolhas conscientes. O voto não pode ser movido apenas pela emoção, revolta momentânea ou fidelidade cega a lideranças políticas. Exige reflexão, responsabilidade e disposição para avaliar propostas, alianças, histórico judicial e criminal (à luz da Lei da Ficha Limpa), contábil e fiscal (prestações de contas), desempenho político, trajetória profissional e pessoal e compromisso com princípios democráticos. Sem influência das fake news.

Mais do que escolher um governante, o eleitor decidirá qual projeto de país deseja construir. A escolha não termina no dia da votação. Ela continua na fiscalização permanente dos eleitos, na cobrança por transparência e na participação ativa da sociedade.
O voto é o instrumento mais poderoso de uma democracia. Pode fortalecer instituições, impulsionar políticas públicas e promover mudanças positivas. Quando exercido sem responsabilidade, pode premiar o radicalismo, o despreparo, o oportunismo, a roubalheira e a desinformação.
Candidatos e campanhas passarão. O Brasil ficará. Serão os brasileiros, com suas escolhas, os principais responsáveis por escrever o próximo capítulo da história nacional. Seguir progressista ou mergulhar no atraso.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/a-coragem-de-votar-pelo-brasil.shtml.

Vista aérea da Praça dos Três Poderes, em Brasília, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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