Brasil

    A coragem de votar pelo Brasil

    Após a Copa do Mundo , a política volta a ocupar a atenção no Brasil. Teremos, em outubro próximo, eleições para os principais cargos da República: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Mais do que um rito democrático, uma decisão que influenciará por quatro anos os rumos do país. Leia mais (08/24/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    25 de agosto de 2026 às 01:00
    A coragem de votar pelo Brasil
    A imagem mostra uma vista panorâmica da Esplanada dos Ministérios em Brasília, com a bandeira do Brasil em primeiro plano. Ao fundo, destacam-se os edifícios do Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada, além de uma ampla área verde e ruas — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Vista aérea da Praça dos Três Poderes, em Brasília, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress
    Vista aérea da Praça dos Três Poderes, em Brasília, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jornalista, professor e escritor, é doutor em educação, arte e história da cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

    Após a Copa do Mundo , a política volta a ocupar a atenção no Brasil. Teremos, em outubro próximo, eleições para os principais cargos da República: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Mais do que um rito democrático, uma decisão que influenciará por quatro anos os rumos do país.

    A imprensa cumpre seu papel ao trazer informações, comparar propostas, fiscalizar os candidatos e revelar suas trajetórias. Cabe ao eleitor buscar fontes confiáveis, analisar o histórico de cada postulante e resistir à desinformação que costuma marcar as campanhas eleitorais. As fake news já estão por aí, contra e a favor da verdade.

    Eleitor, esse desconhecido - série de reportagens
    Eleitor, esse desconhecido - série de reportagens — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A escolha do Congresso Nacional será tão importante quanto a do presidente da República. Nos últimos anos, estamos vivendo um bizarro e perigoso parlamentarismo. A governabilidade depende da relação de poder entre o Executivo e o Legislativo. Por isso, votar para presidente e desmerecer os candidatos às casas parlamentares é irresponsabilidade com a democracia.

    Na disputa pelo Palácio do Planalto, diferentes perfis se apresentam ao eleitorado. Há nomes ligados ao velho "coronelismo" agrário, como Ronaldo Caiado ( PSD ); representantes do discurso vazio na economia, como Romeu Zema (Novo); candidaturas da "terceira via" sem programa claro, como a do escritor de autoajuda Augusto Cury ( Avante ) e de oportunistas oriundos de estranhos movimentos políticos recentes, como Renan Santos (Missão). Isso considerando apenas os que já pontuam nas pesquisas, poishá alguns outros.

    Temos lideranças com estilos e programas bem conhecidos. Flávio Bolsonaro ( PL ) representa um grupo que se destaca na extrema direita brasileira, mesmo sob constantes escândalos e submissão a líderes estrangeiros. Seu discurso é o mesmo do pai, que está inelegível, cumprindo penas sob privação da liberdade. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) simboliza um projeto que marcou a política nacional nas últimas décadas, acumulando tanto amplo apoio popular quanto críticas e controvérsias. Lula, além de defender a soberania nacional, propõe políticas de inclusão, estabilidade econômica, valorização do salário mínimo e investimentos no social.

    Os cinco pré-candidatos à Presidência que terão participação obrigatória em debates na TV
    Os cinco pré-candidatos à Presidência que terão participação obrigatória em debates na TV — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cada candidatura desperta simpatias e rejeições. Nenhum político está acima do exame público, assim como nenhum deve ser julgado apenas por slogans, campanhas nas redes sociais ou narrativas construídas por adversários. O que importa é confrontar discursos com resultados, promessas com capacidade de execução e biografias com fatos conhecidos. Fatos, não versões deles.

    O Brasil enfrenta muitos desafios . Crescimento econômico, combate às desigualdades, segurança, melhoria da saúde pública, fortalecimento da educação, preservação ambiental, geração de empregos e equilíbrio das contas públicas continuarão exigindo vontade política em decisões difíceis. Não há soluções simples para problemas complexos, nem "salvadores da pátria" capazes de governar sozinhos.

    A democracia pressupõe escolhas conscientes. O voto não pode ser movido apenas pela emoção, revolta momentânea ou fidelidade cega a lideranças políticas. Exige reflexão, responsabilidade e disposição para avaliar propostas, alianças, histórico judicial e criminal (à luz da Lei da Ficha Limpa), contábil e fiscal (prestações de contas), desempenho político, trajetória profissional e pessoal e compromisso com princípios democráticos. Sem influência das fake news.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais do que escolher um governante, o eleitor decidirá qual projeto de país deseja construir. A escolha não termina no dia da votação. Ela continua na fiscalização permanente dos eleitos, na cobrança por transparência e na participação ativa da sociedade.

    O voto é o instrumento mais poderoso de uma democracia. Pode fortalecer instituições, impulsionar políticas públicas e promover mudanças positivas. Quando exercido sem responsabilidade, pode premiar o radicalismo, o despreparo, o oportunismo, a roubalheira e a desinformação.

    Candidatos e campanhas passarão. O Brasil ficará. Serão os brasileiros, com suas escolhas, os principais responsáveis por escrever o próximo capítulo da história nacional. Seguir progressista ou mergulhar no atraso.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/a-coragem-de-votar-pelo-brasil.shtml.

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    Vista aérea da Praça dos Três Poderes, em Brasília, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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