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    A Casas Bahia popularizou o carnê — e hoje ele está no centro do seu pedido de RJ

    Casas Bahia " data-image-caption=" Loja Casas Bahia no Shopping Aricanduva, em São Paulo (Foto: Divulgação) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2024/05/WhatsApp-Image-2024-05-08-at-17.52.34-e1786825063739.jpeg?fit=1280%2C732&quality=70&strip=all" />Especialistas avaliam que, além da alta dos juros, bancarização da população impactou modelo de pagamentos em crediário The post A Casas Bahia popularizou o carnê — e hoje ele está no centro do seu pedido de RJ appeared first on InfoMoney .

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    17 de agosto de 2026 às 19:41
    A Casas Bahia popularizou o carnê — e hoje ele está no centro do seu pedido de RJ
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    Loja Casas Bahia no Shopping Aricanduva, em São Paulo (Foto: Divulgação)

    O elevado patamar dos juros foi apresentado pelo Grupo Casas Bahia ( BHIA3 ) um dos fatores que levou ao pedido de recuperação judicial anunciado no último domingo (16). O nível da restrição da política monetária teria, segundo a empresa, impactado sua operação “estruturalmente dependente” do crediário, o modelo de pagamento que alçou a companhia ao patamar de uma gigante do varejo nacional.

    No pedido levado à justiça, o grupo argumenta que o aumento da taxa Selic a partir de 2021 está por trás da “pior crise financeira desde a fundação” da companhia, em 1950. Esse cenário teria levado ao acúmulo das dívidas de R$ 17,3 bilhões às quais o grupo quer renegociar em sua recuperação judicial.

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    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Especialistas ouvidos pelo InfoMoney atribuem ao crediário um dos principais pilares de crescimento da Casas Bahia no decorrer da segunda metade do século XX. O método de pagamento, no entanto, perdeu força conforme o acesso ao crédito e a bancarização atingiram uma parcela cada vez maior da população.

    Foi justamente a Casas Bahia quem popularizou os carnês na década de 1950. Em uma época em que cartões de crédito eram um artigo de luxo e a instabilidade econômica e a inflação afastavam os clientes de um sistema bancário ainda pouco expressivo, a empresa criou a alternativa de parcelamento que permitia o pagamento sem intermediação dos bancos.

    Funcionava assim: o cliente topava pagar suas contas com juros, mesmo que elevados, desde que em parcelas a perder de vista que coubessem em seu bolso. O consumidor também seria o responsável por ir até a loja e pagar cada uma das suas mensalidades anotadas no carnê. Mesmo com o custo do juros, o parcelamento permitia à população de baixa renda acessar produtos mais caros, como eletrodomésticos e móveis, mesmo sem ter acesso ao banco.

    Casas Bahia
    Casas Bahia — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O modelo se espalhou pelo varejo. Empresas como a Casas Bahia e suas concorrentes se tornariam, na prática, também em companhias de crédito. Para se ter ideia, o balanço da Casas Bahia de 2004 mencionava que o cenário econômico de aumento do consumo das classes B e C elevaram a participação das operações de crédito da companhia para 72% das vendas da empresa.

    “Mais do que uma forma de pagamento, o carnê era parte do modelo de relacionamento: o cliente voltava à loja para pagar as prestações, criava vínculo com a marca e frequentemente fazia novas compras”, explica a CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi. De acordo com a especialista, esse diferencial perdeu relevância à medida que o crédito se democratizou com a expansão do acesso a cartões, parcelamento, bancos digitais e fintechs.

    David Kallas, doutor em administração de empresas pela FGV e professor do Insper, vai no mesmo caminho. “Agora a população está bancarizada, tem cartão de crédito, então quando ele faz essa venda a juros no cartão de crédito, a Casas Bahia está dividindo parte do lucro financeiro que ela teria com os bancos e as operadoras de cartão. A dinâmica do setor mudou”, conta.

    Soma-se a esse cenário a manutenção dos juros em patamares elevados no Brasil nos últimos anos. Como explica Kallas, o spread — a diferença entre os juros que a empresa cobra e o seu custo de captação — se torna mais apertado em um cenário de Selic em altos patamares.

    Hoje, sozinhos os carnês respondem 15,9% das vendas. Entre abril e junho, a carteira de crediário da Casas Bahia fechou em R$ 6,3 bilhões.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/a-casas-bahia-popularizou-o-carne-e-hoje-ele-esta-no-centro-do-seu-pedido-de-rj/.

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