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    A ascensão política de pautas antifeministas é uma ameaça às mulheres? SIM

    É preciso avaliar concretamente a atuação política das mulheres . Qual trajetória as levou à política e de que modo ganharam visibilidade? Quais interesses representam ? Quais são as consequências do que fazem quando têm espaços e recursos de poder? Leia mais (10/09/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de outubro de 2026 às 01:00
    A ascensão política de pautas antifeministas é uma ameaça às mulheres? SIM
    Mulher jovem com camiseta amarela e calça preta sorri ao lado de cabine de votação branca com inscrições "Justiça Eleitoral" e "Cabina de Votação" em ambiente interno com cortinas azuis. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Eduarda Campopiano (PL) após votar, neste domingo (4); com pautas antifeministas, parlamentar foi a mais votada para a Alesp - @eduarda_campopiano no Instagram
    Eduarda Campopiano (PL) após votar, neste domingo (4); com pautas antifeministas, parlamentar foi a mais votada para a Alesp - @eduarda_campopiano no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professora titular de ciência política da Universidade de Brasília (UnB); é autora, entre outros, de ‘Gênero e Desigualdades - Limites da Democracia no Brasil’ (ed. Boitempo)

    É preciso avaliar concretamente a atuação política das mulheres . Qual trajetória as levou à política e de que modo ganharam visibilidade? Quais interesses representam ? Quais são as consequências do que fazem quando têm espaços e recursos de poder?

    Isso significa evitar duas armadilhas. A primeira é a idealização. Os estereótipos de gênero alimentam visões de que as mulheres seriam menos ambiciosas. Podem comportar-se assim, o que decorre tanto de incentivos presentes na socialização diferenciada de mulheres e homens quanto de desincentivos. Entre estes estão obstáculos históricos à participação na esfera pública, resultantes de sua responsabilização pelo trabalho de cuidado, da seletividade de instituições como partidos políticos e de valores machistas.

    1º Congresso Antifeminista do Brasil
    1º Congresso Antifeminista do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bandeira contemporânea não propõe o retorno à vida doméstica e apresenta novos espaços de representação

    Quando encontram oportunidades, mulheres atuam estrategicamente por espaço e voto , apostando em personas, agendas e relações que lhes conferem capital político. Como os homens, podem agir orientadas por ideais, mas também pelo autointeresse ou para garantir vantagens para algum setor da sociedade.

    A segunda armadilha é a expectativa de que as mulheres na política representariam "os interesses das mulheres", pressupondo uma unidade que não existe. O gênero não define as condições de vida isoladamente, mas em relações concretas que conferem privilégios a algumas e tornam a vida mais difícil para outras.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em outras palavras, mulheres vivem em posições de classe e de raça, situadas em territórios e ocupações que constituem suas identidades. São, também, parte de comunidades de valores, como as religiosas e corporativas, que podem definir suas visões, além de serem, nas condições atuais, uma trilha para a política.

    Constatar que as mulheres têm posições variadas, confrontando os estereótipos, não significa que, nas nossas sociedades, tanto faz ser homem ou mulher . A diferença está nas desigualdades e nas formas assumidas pela violência e não em vocações naturais. As mulheres, mesmo tendo hoje nível educacional maior que o dos homens, têm menor acesso a renda, tempo livre e aposentadoria porque exercem trabalho gratuito precioso para a sociedade, cuidando das crianças, dos idosos, de quem adoece ou precisa de assistência.

    A violência que atinge meninas e mulheres está relacionada ao exercício de controle masculino sobre seus corpos e à dupla moral sexual, que é permissiva com os homens e justifica a punição às mulheres que agem em desacordo com as expectativas deles.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O antifeminismo é uma ameaça para as mulheres porque promove a normalização dessas desigualdades e violências. As mulheres antifeministas na política se identificam em oposição ao feminismo , e essa é uma estratégia que rende frutos em tempos de expansão de ideologias anti-igualitárias e de avanço da extrema direita. Atuam contra direitos reprodutivos, como o direito ao aborto de meninas e mulheres que sofreram estupro, que existe desde 1940. Entre elas, há quem reconheça a violência de gênero e apresente respostas penais (prisão, esterilização de estupradores) e há quem culpabilize as mulheres e até negue que essa violência tenha especificidades, propondo o fim das leis Maria da Penha (2006) e do Feminicídio (2015). Entre as que exercem mandato, há quem tenha votado contra a lei da igualdade salarial.

    O antifeminismo faz parte de um campo político que promove projetos autoritários. Para as antifeministas, alguns grupos são naturalmente mais poderosos do que outros e o Estado não tem a função de promover justiça social por meio de leis e políticas públicas. Para elas, a liberdade é uma mistura de "cada um por si" e "cada um por suas famílias" . Representam o avesso dos projetos igualitários promovidos por feminismos atentos às desigualdades em suas múltiplas formas e cientes da importância do Estado democrático na promoção de uma ordem social menos predatória, mais solidária.

    O antifeminismo também é, hoje, uma oportunidade de gerar polêmicas que rendem visibilidade e votos. Algumas das mulheres eleitas com essa pauta encontraram nele um recurso para se tornarem mais poderosas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/a-ascensao-politica-de-pautas-antifeministas-e-uma-ameaca-as-mulheres-sim.shtml.

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    Eduarda Campopiano (PL) após votar, neste domingo (4); com pautas antifeministas, parlamentar foi a mais votada para a Alesp - @eduarda_campopiano no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo

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