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    A agenda para juros menores em 2027

    Em janeiro de 2025, escrevi que as taxas de juros reais (indexadas à inflação ) dos títulos públicos estavam em níveis que não se viam desde a crise financeira de 2009. Passado um ano e meio, os juros reais estão até um pouco mais altos que estavam. Cerca de 7,8% mais o IPCA para um período de 10 anos. Leia mais (08/11/2026 - 17h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 20:00
    A agenda para juros menores em 2027
    A imagem mostra uma variedade de notas e moedas. Há notas de diferentes valores do real brasileiro, incluindo uma nota de 10 reais, e uma nota de 100 dólares americanos com a imagem de George Washington. Também estão presentes algumas moeda — Foto: Folha de S.Paulo

    Doutor em economia por Yale, foi professor da London School of Economics (2004-2010) e é professor titular da FGV EESP

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    Notas e moedas de real brasileiro e dólar americano - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress
    Notas e moedas de real brasileiro e dólar americano - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em janeiro de 2025, escrevi que as taxas de juros reais (indexadas à inflação ) dos títulos públicos estavam em níveis que não se viam desde a crise financeira de 2009. Passado um ano e meio, os juros reais estão até um pouco mais altos que estavam. Cerca de 7,8% mais o IPCA para um período de 10 anos.

    Na comparação com outros países, esse número salta aos olhos. É possível encontrar taxas de juros reais ainda maiores em países com inflação muito alta, como Argentina e Turquia, mas há poucos casos como esses.

    A Colômbia, com juros reais em torno de 6%, chega perto. México e África do Sul pagam juros reais inferiores a 5% nos títulos de 10 anos, enquanto no Chile e Uruguai, as taxas estão abaixo de 3%.

    O que é o Banco Central e por que ele influencia seu dinheiro
    O que é o Banco Central e por que ele influencia seu dinheiro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na comparação com o passado, as taxas de juros também estão altas demais. Tivemos taxas de juros parecidas em momentos de grandes crises (a crise internacional de 2009 e a do governo Dilma Rousseff em 2016). Não estamos passando por uma recessão, não há turbulência nos mercados internacionais.

    Uma taxa de juros real tão elevada gera diversos problemas.

    Juros reais tão altos levam a um rápido aumento da dívida pública . Juros de 7,5% anuais sobre uma dívida de 80% do PIB geram uma conta para o governo igual a 6% do PIB. Se continuarmos assim por anos, a dívida ficará insustentável.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além disso, o custo do financiamento de investimentos para empresas grandes acompanha a taxa de juros dos títulos públicos. Assim, juros altos desestimulam o investimento em projetos de longo prazo.

    Por isso tudo, essas altas taxas de juros merecem muita atenção dos candidatos nessa eleição. Como vamos chegar em juros mais baixos?

    Nos dois primeiros anos de mandato, Lula culpou o ex-presidente do Banco Central , Roberto Campos Neto , indicado por Bolsonaro. Porém, Gabriel Galípolo , indicado por Lula, assumiu o comando no início de 2025 e os juros até aumentaram. Colocar a responsabilidade no BC não vai funcionar.

    O próximo governo precisa criar condições para taxas de juros mais baixas. Há várias maneiras de fazer isso.

    A primeira, que está na cabeça de todos, é reduzir o déficit fiscal . Isso reduziria a demanda agregada e as pressões inflacionárias, possibilitando juros menores. Também traria confiança na economia para compradores de títulos longos.

    O déficit fiscal leva a juros altos, e os juros altos aumentam o déficit fiscal. Cortar o déficit nos tiraria de um ciclo vicioso.

    Outras maneiras de criar condições para uma taxa Selic menor passam por reduzir estímulos ao crédito e ao endividamento.

    Temos, no Brasil, programas como o Crédito do Trabalhador , lançado no início de 2025, que estendeu o acesso ao crédito consignado a todos os trabalhadores com carteira assinada. Temos bancos públicos e programas de crédito subsidiado para setores da economia.

    Essas iniciativas aumentam o crédito, estimulando a demanda agregada. Para manter a taxa de inflação no nível desejado, o Banco Central aumenta os juros. Se não houvesse esses programas, o BC conseguiria chegar na mesma taxa de inflação com juros menores.

    Cabe aos candidatos responder: o déficit vai continuar como está? Quais gastos serão cortados? Quais impostos serão aumentados? Haverá reforma na previdência? Haverá medidas para estimular ou para conter o crédito?

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bernardo-guimaraes/2026/08/a-agenda-para-juros-menores-em-2027.shtml.

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    Notas e moedas de real brasileiro e dólar americano - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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