7 altas em 8 outubros eleitorais: o que o histórico do Ibovespa sinaliza para 2026
Fábio Figueiredo, o Vlad – GainDelas episódio 89 " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Fabio-Figueiredo-o-Vlad-GainDelas-episodio-89.jpeg?fit=1280%2C741&quality=70&strip=all" />Desde 1994, o Ibovespa avançou em 87,5% dos meses de outubro com eleição presidencial; estudo compara o padrão histórico ao comportamento da Bolsa em 2026. The post 7 altas em 8 outubros eleitorais: o que o histórico do Ibovespa sinaliza para 2026 appeared first on InfoMoney .

Fábio Figueiredo, o Vlad – GainDelas episódio 89
O período eleitoral costuma ser associado a incerteza, aumento da volatilidade e pressão sobre os ativos brasileiros. O histórico do Ibovespa em eleições presidenciais , porém, mostra um comportamento que contrasta com essa percepção: desde 1994, o índice terminou outubro em alta em sete dos oito anos analisados .
Isso significa que 87,5% dos meses de outubro com eleição presidencial da amostra foram positivos , com valorização média de 4,80% . A única queda ocorreu em 1994.

O dado chama atenção justamente porque outubro concentra a votação e, normalmente, também parte relevante das incertezas associadas à disputa eleitoral.
É a partir dessa relação entre percepção de risco e comportamento dos preços que Fábio Figueiredo , conhecido como Vlad , analisa o mercado em 2026. Convidado do episódio 89 do GainDelas , no canal GainCast, o analista, que acumula 20 anos de mercado, compara o desempenho atual do Ibovespa com os ciclos presidenciais anteriores.
A ressalva é fundamental: os padrões encontrados nos dados passados servem como referência, mas não determinam o comportamento futuro da Bolsa.

Vlad começou a operar em 2006 e atravessou diferentes crises, governos e eleições. Para ele, tempo de mercado só se transforma em experiência quando o investidor consegue superar períodos adversos sem comprometer o capital.
“Na bolsa a gente não pode morrer. E não morrer é não quebrar”, afirma.
Essa experiência levou o analista a procurar movimentos recorrentes nos ciclos presidenciais. No Brasil, entretanto, esse tipo de estudo trabalha com uma série relativamente curta, concentrada no período posterior à estabilização monetária.

“Aqui, infelizmente, a gente acaba monitorando de 1994 para cá. Porque depois do plano real que as coisas se organizaram um pouco”, observa.
Ao reunir os anos eleitorais, Vlad identifica uma trajetória média: o Ibovespa tende a avançar nos primeiros meses do ano, perde força posteriormente e volta a apresentar mudanças de direção na reta final da disputa.
Na comparação com as demais etapas do ciclo presidencial, o ano da eleição apresenta o menor avanço médio , enquanto o período posterior à eleição registra o movimento acumulado mais forte no estudo.

“Resumindo, o ano eleitoral costuma ser o mais difícil, costuma ser o que menos o mercado sobe, ser o mais complexo”, afirma.
Os números levantados por Vlad mostram que não necessariamente.
Quando os retornos do Ibovespa são separados mês a mês, setembro e outubro apresentam comportamentos bastante diferentes — e setembro traz uma particularidade estatística.

Dos oito meses de setembro analisados, seis terminaram em alta , equivalentes a 75% da amostra. Mesmo assim, o retorno médio foi negativo em 1,60% .
A explicação está na intensidade dos movimentos: as duas quedas foram muito maiores do que os ganhos registrados nos outros seis anos. A pior ocorreu em 2002, quando setembro apresentou perda de 16,95% .
“Por que que a média negativa? Porque quando caiu, caiu muito mais”, explica Vlad.

Em outubro, frequência e retorno médio apontam para o mesmo lado.
O Ibovespa avançou em sete dos oito outubros com eleição presidencial , frequência de 87,5% , e apresentou valorização média de 4,80% .
“Outubro, mês das eleições, resultado, meu Deus do céu, apocalipse, 87% dos meses de outubro, de 94 para cá, foram de alta”, destaca.

A única exceção foi 1994, quando o índice caiu 12,51% . Nos sete ciclos eleitorais seguintes da amostra, outubro terminou no positivo.
O dado, entretanto, não leva Vlad a defender uma operação baseada apenas na estatística histórica.
“Se o mercado, óbvio, não vou comprar só por causa disso, eu espero um sinal de preço”, afirma

Depois de analisar os anos eleitorais separadamente, Vlad coloca o Ibovespa de 2026 sobre a curva formada pela média histórica.
No gráfico, a linha azul representa o comportamento médio dos anos eleitorais, enquanto a laranja mostra o desempenho acumulado do índice em 2026 até o momento da gravação.
O objetivo da comparação não é verificar se as duas linhas sobem ou caem na mesma intensidade. Vlad observa principalmente quando ocorrem as mudanças de direção .

“Então o ponto chave é quando a gente olha ciclo, não importa a magnitude, a intensidade da alta e da queda, o que importa são as viradas”, explica.
Até aquele momento, as curvas apresentavam algumas mudanças de direção semelhantes: avanço no início do ano, perda de força posteriormente e nova recuperação antes de uma correção.
Na média histórica apresentada pelo analista, setembro marca uma correção, seguida por recuperação entre outubro e o começo de novembro. Depois disso, a curva passa a apresentar menor definição de tendência até dezembro.

“Então aqui é esperado que o mercado venha subir até o final de outubro, começo de novembro, para ficar de lado, mais ou menos até o final do ano”, diz Vlad ao descrever o comportamento sugerido pelo ciclo histórico .
A distinção é importante: a parte da curva referente aos próximos meses não representa uma trajetória já definida para o Ibovespa em 2026.
Para o analista, o ciclo funciona como referência e precisa ser confrontado continuamente com aquilo que efetivamente ocorre nos preços.

“Aqui a gente não tem tanto dado, então a gente tem que sempre avaliar se o mercado tá alinhado ao ciclo ou não”, pondera.
Para testar se a semelhança visual entre os ciclos também aparece estatisticamente, Vlad apresenta um segundo estudo.
Nesse gráfico, a linha azul deixa de representar o retorno do Ibovespa. Ela mostra o erro — ou resíduo estatístico — entre o comportamento observado em 2026 e o valor estimado a partir dos anos eleitorais anteriores .

“E a linha azul é o erro da previsão. Quer dizer que o ano de 2026 está relativamente alinhado com os anos, com os dados passados”, explica.
Tecnicamente, Vlad utiliza uma regressão linear múltipla . Os ciclos anteriores funcionam como referência para estimar o comportamento de 2026, enquanto as linhas externas marcam uma faixa de dois desvios.
Quanto mais a curva se afasta dessa região central, maior é a diferença entre o movimento observado naquele momento e o valor sugerido pelo modelo.
Em abril, a linha ultrapassou a banda superior, colocando o Ibovespa acima da referência calculada a partir dos anos anteriores.
Em agosto, ocorreu o movimento contrário: a curva rompeu a banda inferior e o índice passou a ficar abaixo do nível estimado pelo modelo.
No começo de setembro, o indicador voltou a se aproximar da banda superior antes de retornar em direção à região central.
Na leitura de Vlad, essa volta para perto do centro indicava que, naquele momento, 2026 ainda apresentava comportamento relativamente alinhado ao padrão dos anos eleitorais utilizado pelo modelo .
Esse é justamente o limite do exercício apresentado pelo analista.
Uma amostra de oito eleições presidenciais é pequena, acontecimentos econômicos e políticos mudam de um ciclo para outro e correlações observadas no passado podem deixar de funcionar.
Os dados, portanto, ajudam a identificar recorrências e a comparar o comportamento atual do mercado com episódios anteriores. Eles não permitem afirmar que o Ibovespa repetirá em 2026 a trajetória média encontrada desde 1994.
“Tem que entender as limitações disso também. O fato é: o mercado está na média”, conclui Vlad.
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader . Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice .
The post 7 altas em 8 outubros eleitorais: o que o histórico do Ibovespa sinaliza para 2026 appeared first on InfoMoney .
Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/ibovespa-eleicoes-historico-2026-primeiro-turno/.

Conteúdo XP — Foto: InfoMoney
Compartilhe
Espalhe essa notícia

