600 espécies de aves e até onças: conheça área de 11 mil hectares protegida por hotel na Amazônia
Floresta também serve de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos João Paulo Krajewski A ideia de que a preservação ambiental se opõe ao desenvolvimento econômico cai por terra no sul da Amazônia. Nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo (MT), o Cristalino Lodge tornou-se um dos maiores exemplos práticos de como a atividade comercial, quando planejada com responsabilidade, é a principal financiadora da conservação. O projeto começou com apenas 700 hectares e hoje protege mais de 11.399 hectares transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). 📱
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Floresta também serve de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos — Foto: João Paulo Krajewski
A ideia de que a preservação ambiental se opõe ao desenvolvimento econômico cai por terra no sul da Amazônia. Nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo (MT), o Cristalino Lodge tornou-se um dos maiores exemplos práticos de como a atividade comercial, quando planejada com responsabilidade, é a principal financiadora da conservação.
O projeto começou com apenas 700 hectares e hoje protege mais de 11.399 hectares transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) .
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“Foi justamente esse modelo de negócio que permitiu a gente ir ampliando as áreas de conservação privada do hotel”, destaca Alexandre Da Riva, CEO do Cristalino Lodge.
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Santuário de biodiversidade no sul da Amazônia
A grandiosidade da área protegida justifica todo o esforço de conservação. Considerada uma das regiões mais biodiversas do mundo , a área do Cristalino abriga cerca de 600 espécies de aves, o que representa aproximadamente um terço de todas as espécies registradas no Brasil, além de 1.010 espécies de borboletas, a maior lista já publicada para uma única localidade brasileira.
A riqueza da fauna local impressiona pela presença de sete espécies de primatas — Foto: João Paulo Krajewski
A riqueza da fauna local impressiona pela presença de sete espécies de primatas: o endêmico macaco-aranha-de-cara-branca ( Ateles marginatus ), o macaco-da-noite ( Aotus infulatus ), o macaco-prego ( Sapajus apella ), o bugio-de-mãos-ruivas-de-spix ( Alouatta discolor ), o cuxiú-de-nariz-branco ( Chiropotes albinasus ), o raro sagui-de-emília ( Mico emiliae ) e o zogue-zogue ( Plecturocebus moloch ). Desses, o macaco-prego, o macaco-aranha-de-cara-branca, o cuxiú-de-nariz-branco e o bugio-de-mãos-ruivas são frequentemente avistados pelos visitantes.
A floresta serve ainda de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos, como antas, ariranhas, lontras, veados, jaguatiricas e onças.
Uma estrutura de mínimo impacto e alto retorno ecossistêmico
Para garantir a proteção de toda essa biodiversidade sem que o turismo degrade o ecossistema, a operação exige um planejamento rigoroso. Dos mais de 11 mil hectares mantidos, apenas dois são ocupados pelas instalações da propriedade. O espaço conta com energia 100% solar, compostagem e passeios conduzidos em grupos reduzidos de até oito pessoas.
Dos mais de 11 mil hectares mantidos, apenas dois são ocupados pelas instalações da propriedade — Foto: Samuel Melim
A própria presença dos visitantes atua como uma barreira de proteção.
“O turismo é feito de forma responsável e contribui diretamente para a conservação. Os guias e a presença humana também inibem a presença de pessoas que podem ir lá para tentar depredar. A simples presença do turismo contribui com o monitoramento”, afirma Da Riva.
Pesquisas científicas de longo prazo comprovaram que essa movimentação não afeta a fauna local: a probabilidade de encontrar espécies em trilhas visitadas por turistas é exatamente a mesma registrada em áreas intocadas.
O projeto começou com apenas 700 hectares e hoje protege mais de 11.399 hectares transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) — Foto: João Paulo Krajewski
A sinergia entre hotelaria, ciência e comunidade
A gestão do espaço é dividida entre a operação hoteleira e a Fundação Cristalino, responsável pelo manejo, combate a incêndios e pesquisas sobre clima, flora e fauna. Essa relação gera uma troca constante de conhecimento.
“Existe uma simbiose de conhecimento produzido por essa relação. Quanto mais conhecimento você produz sobre a natureza, mais as pessoas valorizam a floresta. A produção de conhecimento alimenta as atividades do lodge, porque quando tem uma espécie nova descoberta, o guia passa esse conhecimento para o turista”, explica o executivo.
Projeto 'Um Dia na Floresta' leva crianças a conhecer Floresta Amazônica — Foto: Mequiel Zacarias Ferreira
O impacto econômico e social também se estende para fora das reservas. A fundação atua na educação ambiental de escolas públicas e no fomento de novas cadeias produtivas no entorno, como o cultivo orgânico de cacau, café e açaí.
“Já atuamos com mais de 6.000 crianças nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo. É muito gratificante ver esse impacto qualitativo. Não adianta nada pegar um modelo de fora e querer aplicar, a gente tem que trabalhar com a comunidade, porque são as pessoas que são capazes de fazer as transformações”, conclui Da Riva.
A área do Cristalino abriga cerca de 600 espécies de aves, o que representa aproximadamente um terço de todas as espécies registradas no Brasil — Foto: João Paulo Krajewski
A fórmula que une hospitalidade, ciência e desenvolvimento social rendeu ao Cristalino Lodge o reconhecimento internacional, sendo o único brasileiro selecionado entre os 50 Melhores Hotéis de Luxo do Mundo pela prestigiada publicação Robb Report.
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Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/08/25/600-especies-de-aves-e-ate-oncas-conheca-area-de-11-mil-hectares-protegida-por-hotel-na-amazonia.ghtml.
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