Política

    5 anos de Talibã: saiba o que mudou na relação Afeganistão-Brasil

    Exportações de produtos brasileiros caíram em média 80%, enquanto imigrações aumentaram 10.000%

    Poder360
    15 de agosto de 2026 às 09:00
    5 anos de Talibã: saiba o que mudou na relação Afeganistão-Brasil
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    Exportações de produtos brasileiros caíram em média 80%, enquanto imigrações aumentaram 10.000%

    Há exatos 5 anos, em 15 de agosto de 2021, o Talibã tomava o governo do Afeganistão. Desde aquela data, a relação comercial do Brasil com o país asiático saiu de exportador de frango e milho para principal acolhedor de refugiados afegãos.

    Mesmo com a queda 82% nas exportações no 1º ano da tomada de poder, o Brasil ainda vende mais do que compra do Afeganistão, o que e se mantém estável desde 2022. Já as importações caíram quase 50% em 2022.

    Brasil ainda vende mais do que compra do Afeganistão, o que e se mantém estável desde 2022. Já as importações caíram quase 50% em 2022
    Brasil ainda vende mais do que compra do Afeganistão, o que e se mantém estável desde 2022. Já as importações caíram quase 50% em 2022 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    As principais comodities exportadas pelo Brasil deixaram de ser frango e milho. Desde 2022, os produtos brasileiros mais vendidos para o Afeganistão são café, cacau e pimenta.

    A queda no número de exportações se dá por causa da instabilidade econômica no Afeganistão. O Brasil também não reconhece o Talibã como governo oficial, por isso os laços diplomáticos seguem estremecidos.

    O Relatório Anual de 2020 da OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) indica que de 2011 a 2020 somente 86 refugiados afegãos moravam no Brasil. Depois de o Talibã chegar ao poder, o número saltou para mais de 11.000, de acordo com o levantamento de 2024 da Acnur (Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados), um aumento de 10.000%.

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    Com o alto fluxo migratório por causa da emissão facilitada do visto, autoridades brasileiras se viram diante de uma crise humanitária. Os afegãos chegavam ao Brasil pelo aeroporto de Guarulhos (SP) e não tinham para onde ir. Muitos criaram acampamentos dentro do terminal aéreo .

    Para resolver a situação, o governo federal mudou as regras. Desde outubro de 2023, só é possível emitir o visto humanitário se houver garantia prévia de abrigo. Ou seja, o pedido de visto tem que ser feito por meio de uma ONG credenciada ao governo.

    A pessoa entra em contato com a ONG para fazer o pedido, a organização, então, valida os nomes junto do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, e só então o Ministério das Relações Exteriores autoriza o visto.

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    Sem uma embaixada brasileira em Cabul, a jornada para conseguir asilo se torna mais árdua. Para pegar o documento, é necessário cruzar a fronteira com o Paquistão ou com o Irã e seguir até Islamabad ou Teerã, respectivamente, cidades que possuem embaixadas do Brasil. Há casos de afegãos que conseguiram os vistos, mas não puderam atravessar as fronteiras.

    Com a regra de 2023, o número de vistos ficou limitado à capacidade das instituições de acolhimento.

    O Brasil nunca chegou a ter uma embaixada em Cabul. Em 2010 o presidente Lula assinou o decreto 7.288 que criava oficialmente a embaixada na capital afegã. O projeto, porém, nunca saiu do papel por causa dos custos elevados de segurança, da complexidade logística e da instabilidade do país.

    Para regularizar a situação, o governo brasileiro decretou em 2016 que a função seria exercida de forma cumulativa com a Embaixada de Islamabad (Paquistão).

    Já a embaixada do Afeganistão no Brasil foi fechada em 2015, antes da tomada de poder pelo Talibã, para contenção de gastos. Na época, o país passava por uma grave crise econômica, e o volume de transações bilaterais entre os países era muito baixa, não compensando manter uma estrutura física em Brasília.

    O atendimento na América do Sul foi centralizado na Embaixada do Afeganistão em Washington D.C. (EUA), que foi fechada em 2022, justamente depois de o Talibã assumir o governo afegão. Assim como o Brasil, os Estados Unidos não reconhecem o regime Talibã.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-internacional/5-anos-de-taliba-saiba-o-que-mudou-na-relacao-afeganistao-brasil/.

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    Brasil ainda vende mais do que compra do Afeganistão, o que e se mantém estável desde 2022. Já as importações caíram quase 50% em 2022 — Foto: Poder360

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