Brasil

    24% das empresas não sabem impacto da reforma tributária, aponta levantamento

    Praticamente uma em cada quatro empresas ainda não simulou os impactos financeiros da reforma tributária, que começou a ser implementada em 2026 e irá até 2033, quando haverá a completa substituição dos tributos atuais por dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência de estados e municípios.

    UOL
    19 de agosto de 2026 às 08:00
    24% das empresas não sabem impacto da reforma tributária, aponta levantamento
    A imagem mostra uma pessoa trabalhando em uma mesa vista de cima, cercada por papéis, anotações, listas de tarefas, cadernos, post-its, uma caneta, uma xícara e um notebook. — Foto: UOL

    Reforma tributária para leigos e especialistas; com apoio de MaisProgresso.org

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Empresas ainda não tem clareza dos impactos da reforma tributária, que começará a cobrar novos tributos em 2027 - Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress · Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress
    Empresas ainda não tem clareza dos impactos da reforma tributária, que começará a cobrar novos tributos em 2027 - Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress · Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Praticamente uma em cada quatro empresas ainda não simulou os impactos financeiros da reforma tributária , que começou a ser implementada em 2026 e irá até 2033, quando haverá a completa substituição dos tributos atuais por dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência de estados e municípios.

    É o que aponta levantamento realizado em maio e junho pela Roit, companhia especializada em soluções para gestão tributária, que ouviu 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas inseridas em sua base. Somadas, as receitas dessas empresas ultrapassam R$ 2 trilhões por ano —o equivalente a cerca de um quinto do PIB .

    A sondagem revela que 37% dos entrevistados ainda não avaliaram o impacto da reforma no seu capital de giro, considerando, especialmente, os efeitos do split payment , novo mecanismo de arrecadação tributária em que o tributo é recolhido no mesmo momento do pagamento.

    Entenda como será o novo portal da reforma tributária
    Entenda como será o novo portal da reforma tributária — Foto: UOL · Fonte: UOL

    E 34% das empresas não têm ideia sobre se os preços finais de seus serviços e produtos estarão iguais, mais caros ou mais baratos em 2027, com a cobrança dos novos tributos. Além disso, 27% delas também não sabem se sua margem de lucro tende a aumentar, diminuir ou permanecer neutra no mesmo ano.

    A maior parte das empresas que já tentou calcular os efeitos financeiros da reforma fez isso apenas de maneira preliminar. Segundo o levantamento, 49% estão nessa situação. Outros 19% fizeram simulações com dados estruturados e apenas 9% chegaram a uma análise detalhada por item e fornecedor.

    Os dados revelam como boa parte das empresas ainda não tem clareza dos impactos da reforma, o que, segundo a Roit, pode trazer riscos relevantes. "A avaliação do capital de giro (split payment), a adequação de TI e a revisão contratual ainda estão em fase inicial na maior parte das empresas, e a percepção sobre a reforma está dividida entre risco e oportunidade, com leve predominância da visão de riscos", afirma o estudo.

    Veja os principais pontos da regulamentação da reforma tributária
    Veja os principais pontos da regulamentação da reforma tributária — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A própria preparação tecnológica dos entrevistados ainda é incerta. Apenas 1% das empresas consultadas considera que sua área de TI está pronta para conviver com os dois sistemas tributários entre 2026 e 2033 —já que CBS e IBS passarão a ocupar gradualmente o espaço de PIS, Cofins, IPI (em parte), ICMS e ISS.

    Outros 40% ainda estão em planejamento; 31% já iniciaram adequações; 14% dizem não estar preparados e 13% ainda não discutiram o assunto.

    A indefinição também aparece na área jurídica: 37% das empresas ainda não revisaram contratos com clientes e fornecedores considerando as novas regras, enquanto 36% estão apenas começando a fazer esse trabalho. Só 20% já fizeram uma revisão parcial e 7% estão assinando aditivos.

    A revisão dos contratos pode ser relevante para companhias que terão de renegociar preços, responsabilidades tributárias e condições comerciais durante o período de transição.

    A dificuldade de estimar os efeitos aparece também na formação de preços: 46% das companhias esperam que seus produtos e serviços fiquem mais caros em 2027, enquanto 11% acreditam que os preços permanecerão iguais e 9% projetam redução. A parcela que ainda não sabe como os preços irão se comportar chega a 34%.

    No que se refere às margens de lucro, 30% das empresas acreditam que a rentabilidade tende a diminuir com a entrada do IBS e da CBS, enquanto 20% esperam aumento e 23% projetam estabilidade. Outros 27% não conseguem estimar qual será o efeito.

    "A percepção de risco sobre margens supera a de oportunidade: mais da metade das empresas está insegura ou pessimista quanto à rentabilidade futura", afirma o estudo.

    A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha

    A incerteza também chega ao caixa. Na sondagem, 41% das empresas afirmam ter avaliado apenas superficialmente os efeitos do split payment sobre o capital de giro e 37% ainda não fizeram qualquer avaliação. Apenas 10% já analisaram o impacto utilizando dados reais e 11% afirmam estar ajustando sua estratégia financeira.

    Isso significa que 78% das empresas ou não avaliaram o efeito sobre o caixa ou fizeram apenas uma análise superficial. Para a Roit, o resultado indica um risco de impacto ainda não mapeado pelas empresas, uma vez que o split, ao recolher o tributo no momento da operação, pode alterar a dinâmica financeira das companhias a partir da indisponibilidade do dinheiro correspondente ao tributo no caixa.

    A falta de clareza, contudo, não está restrita à própria empresa: 82% dos entrevistados consideram que seus principais fornecedores não estão ou estão pouco preparados para a reforma. Desse total, 56% classificam os fornecedores como pouco preparados e 26% dizem que eles não estão preparados. Outros 19% consideram que os parceiros comerciais estão moderadamente preparados.

    A preocupação com os fornecedores ocorre porque a adaptação ao novo sistema depende também das informações e dos documentos produzidos ao longo da cadeia, já que a reforma altera a forma de apuração dos novos tributos e o aproveitamento dos créditos, o que aumenta a importância da correta classificação das operações e da documentação fiscal.

    Apesar do grau de incerteza, a reforma é vista como uma mudança capaz de alterar a posição das companhias no mercado: 33% acreditam que talvez haja mudança em seu posicionamento competitivo, 27% dizem que isso provavelmente ocorrerá e 23% afirmam que ocorrerá com certeza. Apenas 17% não esperam alterações. Ao todo, 83% enxergam alguma possibilidade de mudança.

    Já a percepção sobre a própria reforma está dividida. Para 40% dos entrevistados, ela representa um risco maior que uma oportunidade, e 14% a classificam como risco. No outro campo, 26% veem uma oportunidade maior que o risco e 20% consideram a mudança uma grande oportunidade estratégica. Assim, 54% têm uma percepção predominantemente de risco, contra 46% que enxergam algum grau de oportunidade.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/que-imposto-e-esse/2026/08/24-das-empresas-nao-sabem-impacto-da-reforma-tributaria-aponta-levantamento.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Empresas ainda não tem clareza dos impactos da reforma tributária, que começará a cobrar novos tributos em 2027 - Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress · Catarina Pignato - 10.ago.2026/Folhapress — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)