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    2027, a hora da verdade

    Se as análises de economistas não estão erradas, 2027 terá algo de hora da verdade. Não importa quem vença a eleição presidencial , terá de lidar com o nó fiscal em que o país se enredou . Leia mais (08/14/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 18:00
    2027, a hora da verdade
    Cinco homens aparecem em retratos verticais lado a lado, cada um com expressão neutra. O primeiro usa chapéu preto e camisa azul clara, o segundo veste terno escuro e camisa branca, o terceiro tem cabelo grisalho e camisa azul clara, o quar — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Montagem (da esq. p/a dir.) com os candidatos à Presidência da República Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão)
    Montagem (da esq. p/a dir.) com os candidatos à Presidência da República Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se as análises de economistas não estão erradas, 2027 terá algo de hora da verdade. Não importa quem vença a eleição presidencial , terá de lidar com o nó fiscal em que o país se enredou .

    A fórmula que Lula encontrou para promover índices de crescimento confortáveis com baixo desemprego não é sustentável. Ela se baseou em estímulos ao consumo e expansão de gastos públicos. A prodigalidade do Executivo, sancionada e reproduzida pelo Legislativo, impacta nos juros . Para conter a inflação, o Banco Central precisa manter taxas reais em níveis elevados, o que tem efeito sobre a dívida pública. Pelas projeções, sob Lula 3, a dívida bruta do governo aumentará em 11 pontos percentuais, chegando a 83% do PIB .

    O eleito poderia ficar tentado a apenas tocar o barco sem grandes mudanças na política econômica. Não funcionaria. Os números estão à vista de todos. Se o governo não acenar com um ajuste convincente, o mercado o promoverá por conta própria, jogando o dólar nas alturas e cobrando prêmios ainda maiores para comprar títulos do Tesouro. Esse ajuste "selvagem" tende a ser pior do que um planejado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É aí que entra a política. Espero que os petistas inteligentes tenham aprendido algo com o ocaso de Dilma Rousseff . Toda campanha envolve algum estelionato eleitoral. Mas, se você o levar muito longe, pagará um preço político bem mais elevado quando precisar corrigir os rumos. Assim, por prudência aristotélica, Lula já deveria estar moldando o discurso para uma virada na política.

    A dificuldade é que seu principal adversário, Flávio Bolsonaro , que teria menor dificuldade para abraçar uma agenda econômica ortodoxa, evita detalhar as medidas de ajuste que adotaria, sugerindo que benefícios sociais e aposentadorias permaneceriam intocados. E aí, numa clássica armadilha de Nash, como Bolsonaro silencia sobre esses pontos, Lula também se cala.

    É ruim para o país, que em 2027, além de lidar com as asperezas de um ajuste, terá de enfrentar as consequências de um estelionato eleitoral de moderado a forte.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/2027-a-hora-da-verdade.shtml.

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    Montagem (da esq. p/a dir.) com os candidatos à Presidência da República Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — Foto: Folha de S.Paulo

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