Política

    2º turno desanima eleitor e Estado com governador já definido vota menos

    Pesquisas indicam disputa apertada entre Lula e Flávio e taxa de ausência vai influir no resultado; quem conseguir fazer mais eleitores irem votar terá mais chance de vencer

    Poder360
    10 de setembro de 2026 às 09:00
    2º turno desanima eleitor e Estado com governador já definido vota menos
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    Pesquisas indicam disputa apertada entre Lula e Flávio e taxa de ausência vai influir no resultado; quem conseguir fazer mais eleitores irem votar terá mais chance de vencer

    Numa disputa apertada, como tende a ser a de 2026, o percentual de eleitores que desiste de votar tem impacto relevante. A diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da disputa pela Presidência hoje é mínima, segundo as pesquisas mais recentes. Quem conseguir fazer mais eleitores irem votar em seus redutos terá mais chance de vencer.

    Dados históricos analisados pelo Poder360 mostram que a abstenção na votação tende a ser maior no 2º turno –sobretudo em Estados que já definiram antes quem será o governador.

    Na imagem, os Estados que tiveram as maiores altas de abstenção do 1º para o 2º turno em 2022; histórico indica mais ausências em média nesses casos
    Na imagem, os Estados que tiveram as maiores altas de abstenção do 1º para o 2º turno em 2022; histórico indica mais ausências em média nesses casos — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A única exceção a essa lógica desde a redemocratização foi em 2022. O percentual de brasileiros que saíram de casa para votar aumentou minimamente da 1ª para a 2ª rodada da votação (os ausentes caíram de 20,95% para 20,59%). Só que há nuances importantes que podem influir no resultado quando se observa Estado por Estado (leia mais abaixo).

    Em 2022, o percentual médio de abstenção em Estados com 2º turno para governador foi de 20,3%. Nos que não tiveram 2º turno, a taxa subiu para 21,3%. A diferença (1 ponto percentual nesse caso) pode ser essencial para definir o vencedor para presidente nesta eleição, que tende a ser muito apertada.

    Toma-se o cenário de 4 anos atrás como exemplo. O PT e o PL fizeram massivas campanhas para diminuir a abstenção, cada partido mirando seus respectivos nichos.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No 1º turno, essa estratégia não teve tanto sucesso. Houve alta , mesmo que modesta, na taxa de não votantes na comparação com 2018. Já na 2ª rodada do pleito, o esforço funcionou. Foi registrada queda na abstenção pela 1ª vez de um turno para o outro .

    Só que essas ausências não se distribuíram de forma igual em todo o Brasil: dos 5 Estados com a maior alta na taxa de não votantes do 1º para o 2º turno em 2022, 4 não tiveram uma nova votação para governador , como mostra o infográfico a seguir:

    Há casos emblemáticos de desmobilização em 2022. O exemplo mais gritante é o Amapá, que elegeu Clécio Luís (hoje no União Brasil e à época no Solidariedade) para o governo no 1º turno daquele ano. A abstenção na 1ª rodada do pleito foi de 19,51%. Na 2ª, quando o eleitor teve que ir votar só para presidente, a taxa de não-voto subiu para 27,17%, uma alta de 7,66 pontos percentuais.

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Uma subida parecida foi registrada no Acre, que teve abstenção de 22,43% no 1º turno e de 28,41% no 2º turno, crescimento de 5,98 pontos percentuais. Naquele ano, Gladson Cameli (PP) foi reeleito para o governo.

    Historicamente, o Norte tem uma abstenção maior que a média nacional. Mas, como há Estados lulistas e bolsonaristas na região, o impacto para ambos os lados nesse caso tende a ser quase igual. O Norte também tem só 8% do eleitorado do país, e o impacto de uma alta abstenção no resultado final fica menos acentuado.

    A lógica para a abstenção quase sempre aumentar no 2º turno é simples: alguns eleitores ficam desmotivados e decidem não sair de casa para depositar na urna apenas 1 voto. Preferem ir quando têm de votar para mais de 1 cargo. Deputados e senadores também já foram eleitos nesses casos e não precisam mais incentivar as pessoas a saírem de casa para o pleito.

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No infográfico abaixo, a linha laranja mostra a abstenção média no 2º turno em Estados que tiveram que votar só para presidente, e a linha azul mostra a abstenção média em UFs que tiveram também uma 2ª rodada de votação para governador –uma é sempre mais alta que a outra:

    Há um padrão nas eleições presidenciais desde 2014: o eleitorado feminino comparece mais às urnas que o masculino, mas a abstenção entre elas sempre sobe mais (ou cai menos) percentualmente do 1º para o 2º turno.

    Resumidamente, as mulheres votam mais na 1ª rodada de votação, mas voltam menos às urnas depois.

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Esse fenômeno hoje tende a prejudicar o projeto de reeleição de Lula, que tem uma preferência maior no eleitorado feminino.

    As principais pesquisas indicam que 13 unidades da Federação devem finalizar a disputa para o governo estadual já em 4 de outubro.

    Desses Estados, Lula lidera em 7, Flávio em 3 e, nos outros 3, há empate entre os 2 nomes no 1º turno.

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Entre os Estados que devem finalizar a disputa para governador no 1º turno, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Sergipe têm eleitores mais simpáticos a Lula e o petista tende a perder com uma alta na abstenção.

    Já em Mato Grosso do Sul, em Roraima e em Santa Catarina, o candidato do PL está numericamente à frente do adversário e pode ser mais afetado por uma alta na taxa de não-voto.

    Rio de Janeiro e São Paulo também tendem a dar preferência ao senador no 2º turno e devem terminar a disputa para governador já na 1ª rodada, segundo as pesquisas atuais. A atenção, nesse caso, volta-se a São Paulo, que tem o maior eleitorado do Brasil ( 21,48% do total) e qualquer movimentação pode influir no resultado geral do Brasil em caso de disputa muito apertada.

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Todas as pesquisas citadas nos infográficos desta reportagem estão registradas na Justiça Eleitoral. Leia as íntegras clicando aqui (PDF – 108 kB).

    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno
    Infográfico sobre a abstenção e comparação do 1º para o 2º turno — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/2o-turno-desanima-eleitor-e-estado-com-governador-ja-definido-vota-menos/.

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