17 ações sobem mais de 10% e 5 caem ao menos 10%: destaques do Ibovespa em setembro
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B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)
O Ibovespa subiu 5,03% em setembro, fechando acima dos 186 mil pontos, mais precisamente aos 186.340,46 pontos. O saldo positivo ocorreu em um mês em que 17 ações subiram mais de 10% e apenas 5 caíram mais de 10%.
O cenário queda dos juros e aumento das apostas em um cenário político/fiscal mais favorável impulsionaram ações domésticas e sensíveis ao custo de capital, mas cada empresa teve catalisadores próprios. Nos casos de Magalu ( MGLU3 ), Yduqs ( YDUQ3 ) e Assaí ( ASAI3 ), por exemplo, houve notícias corporativas relevantes que reforçaram o movimento.

Já entre as maiores quedas, atenção para empresas de minério de ferro, como Vale ( VALE3 ) e CSN Mineração ( CMIN3 ), em meio à queda da commodity, e ações de construtoras de baixa renda, que sofreram com um cenário mais restrito ao crédito.
Veja os destaques de alta e baixa do Ibovespa em setembro:
O Magalu foi destaque de alta do Ibovespa, tanto pelo “trade” de queda de juros, com os investidores de olho no cenário eleitoral, quanto pelo próprio noticiário positivo da companhia.

O principal gatilho corporativo foi o acordo com o Mercado Livre (BDR: MELI34 ), anunciado no início do mês, para ampliar a distribuição de produtos do Magazine Luiza dentro da plataforma. A parceria foi vista como uma oportunidade para recuperar tração no comércio eletrônico sem exigir o mesmo gasto com aquisição de clientes dos canais próprios.
Além disso, conforme destacou a Ágora Investimentos, a Anvisa recentemente revogou a medida preventiva que proibia o Magazine Luiza de comercializar, distribuir e anunciar determinados medicamentos, removendo uma restrição específica à atuação da companhia nesse segmento. A decisão acompanha a nova legislação que admite a contratação de plataformas digitais por farmácias e drogarias licenciadas para logística e entrega ao consumidor. A revogação, contudo, não representa autorização automática para a venda de medicamentos, pois a aplicação das novas regras ainda depende de regulamentação específica da agência. “A leitura é que a retirada da restrição amplia as possibilidades estratégicas do ecossistema digital do Magalu, mas o impacto econômico efetivo dependerá da regulamentação sanitária e do modelo operacional adotado pela companhia”, aponta.
O segundo impulso veio dos juros. Com a Selic reduzida para 13,75%, após o quinto corte consecutivo do BC, voltaram ao radar ações ligadas a consumo e crédito. O Magalu tem alta sensibilidade às taxas porque vende bens duráveis financiados, e juros menores podem favorecer tanto a demanda quanto as despesas financeiras. A menor pressão competitiva após o fechamento de lojas da Casas Bahia também foi apontada como fator favorável. Além disso, a proibição das bets pode devolver um mercado consumidor importante para a companhia.

Contudo, analistas mostram ceticismo sobre se a alta deve continuar. Em relatório, o JPMorgan reforça que Magazine Luiza aparece como um dos principais nomes sensíveis aos juros. Contudo, mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para MGLU3 e chama atenção para a qualidade dos resultados. Segundo os cálculos da instituição, quase todo o lucro da companhia depende de incentivos tributários. Juros menores também podem reduzir as margens brutas do setor ao diminuir os ganhos financeiros embutidos nas vendas, limitando parte do benefício sobre o lucro.
Na Vamos, o pano de fundo de queda dos juros também foi relevante para a alta das ações, uma vez que a própria companhia já havia apontado anteriormente que a taxa elevada era um dos principais ofensores de seu resultado financeiro, em uma operação intensiva em capital.
O movimento encontrou a empresa em uma trajetória de melhora operacional. No 2T26, o lucro líquido ajustado avançou 21,8%, para R$ 101,1 milhões, o Ebitda ajustado cresceu 6,6% e a receita líquida, 10,8%. A ocupação da frota atingiu 89%, maior nível desde 2020, aproximando-se da meta de 90%.

O Assaí teve forte valorização, também por ser uma empresa alavancada e sensível a juros. O mês também contou com o anúncio da aquisição de 18 postos de combustíveis por até R$ 80 milhões, com visão de formar gradualmente uma rede que poderia ultrapassar 100 unidades no longo prazo. A XP avaliou que os postos podem aumentar o fluxo nas lojas e sustentar as vendas mesmas lojas em um ambiente de consumo enfraquecido.
A ação também vinha de um resultado trimestral com melhora forte do lucro: no 2T26, o lucro líquido subiu 121%, para R$ 484 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 30,9%. E, assim como o Magalu, a proibição das bets pode devolver um mercado consumidor importante para a companhia.
Olhando para frente, o JPMorgan acredita que a reprecificação das ações pode ser mais sustentável devido à resiliência típica do varejo alimentar e à limitada dependência dos lucros em incentivos fiscais. A recomendação para ASAI3 é neutra, com preço-alvo de R$ 11.
A Yduqs contou com notícias importantes no mês de setembro, sendo o grande destaque a combinação de negócios com a Afya. Antes mesmo da confirmação, as expectativas já movimentavam o papel. O Bradesco BBI calculou no começo de setembro que a eventual fusão poderia proporcionar 34% de valorização pela relação de troca e mais até 19% provenientes de sinergias.
O negócio foi posteriormente anunciado e prevê a formação da maior empresa de ensino de medicina e cursos da área de saúde do Brasil. Segundo a administração, a companhia combinada terá 66% de seu Ebitda ligado ao ensino premium, segmento de margens maiores e mais protegido das oscilações econômicas, além de 926 mil alunos de graduação e 5,9 mil vagas anuais de medicina.
A Fleury registrou um novo mês de ganhos, seguindo a reprecificação iniciada depois do forte 2T26.
O balanço do período expectativas em receita, Ebitda e lucro. A receita cresceu 14,4%, o Ebitda avançou 15,2% e o lucro líquido saltou 45,7%, para R$ 222 milhões. O Itaú BBA classificou o resultado como “muito forte” e apontou possibilidade de revisões positivas de estimativas.
Em setembro, o papel manteve o rali e se aproximou de sua máxima histórica. Além disso, a companhia antecipou para 28 de setembro o pagamento de R$ 217,8 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,4007 por ação em valor bruto.
A Localiza também se beneficiou da queda dos juros uma vez que a operação envolve uma frota muito grande e, consequentemente, exige capital significativo. O ambiente de queda das taxas tende, portanto, a melhorar a percepção sobre custo financeiro e valuation.
O movimento ocorre depois de um segundo trimestre operacionalmente forte. A Localiza reportou lucro de R$ 1 bilhão no 2T26, alta de 30,6%, com receita avançando 24,5% e Ebitda crescendo 14,1%. Houve crescimento das receitas em todas as linhas de negócio, além de melhora de eficiência e rentabilidade.
Em setembro houve ainda anúncio de R$ 614,9 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,5566 por ação em valor bruto.
A Natura teve forte alta na última sessão do mês de agosto , impulsionada pelo anúncio do retorno de Alessandro Carlucci ao comando da companhia, mas viveu uma forte reversão de humor em setembro. As ações acumularam queda superior a 20% no mês, devolvendo os ganhos registrados após a troca de comando.
Na avaliação do JPMorgan quando a notícia foi veiculada, a volta do ex-CEO reforçava a aposta em maior rentabilidade, disciplina na alocação de capital e melhora na execução operacional, fatores que haviam sido bem recebidos pelo mercado.
O otimismo, porém, deu lugar a preocupações relacionadas ao desempenho operacional da empresa, que já acontecem há algum tempo. Ainda em agosto, a companhia apresentou no balanço impacto da implementação de novos sistemas de planejamento da cadeia de abastecimento. A companhia admitiu que parâmetros inadequados na ferramenta afetaram a disponibilidade de produtos, gerando dificuldades para consultoras fecharem pedidos e pressionando as receitas.
O próprio então CEO João Paulo Ferreira classificou os problemas como desafios de execução “autoimpostos”, reconhecendo que a frustração com os resultados teve origem principalmente em fatores internos.
Em setembro, o JPMorgan revisou sua visão para a ação , refletindo uma leitura mais cautelosa em relação à capacidade de recuperação da empresa. Na avaliação do banco, a conclusão do processo de simplificação da Natura, que incluiu a venda integral da Avon International fora da América Latina, reduziu riscos extremos para a tese, mas não o suficiente.
Nos últimos dias do mês, a Natura passou a negociar próxima de suas mínimas históricas. Pela visão de análise técnica , o papel mostra forte tendência de baixa e em região de sobrevenda segundo indicadores técnicos. Nos últimos 12 meses, os papéis acumulavam queda superior a 20%.
O otimismo com a entrada da Tenda ( TEND3 ) no Ibovespa em agosto não impediu que o papel enfrentasse uma forte correção em setembro. No mês, a construtora acumulou queda de cerca de 17% ao longo deste mês. O movimento refletiu a deterioração da percepção do mercado em relação às perspectivas operacionais da construtora , especialmente após bancos passarem a projetar um terceiro trimestre mais desafiador para a companhia.
A principal preocupação esteve relacionada ao endurecimento dos critérios de concessão de crédito da Caixa Econômica Federal, que pode afetar vendas, aumentar cancelamentos e pressionar margens.
Analistas do Goldman Sachs, JPMorgan e Itaú BBA afirmam que a combinação entre crédito mais restritivo, aumento de distratos e os impactos da greve da Caixa sobre a transferência de contratos tornou o cenário mais complexo para a companhia. Os bancos também passaram a enxergar riscos maiores para as projeções de resultados dos próximos anos, o que contribuiu para a pressão sobre as ações.
Apesar do desempenho negativo na Bolsa, setembro também foi marcado por outras notícias corporativas para a Tenda. A companhia oficializou a chegada de Marcos Cruz à presidência-executiva, concluindo o processo de sucessão de Rodrigo Osmo. Além disso, o conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5 milhões de ações ordinárias , com duração de 12 meses, sinalizando confiança da administração no valor dos papéis mesmo em meio ao momento mais desafiador para o setor e para a própria companhia
A CSN Mineração ( CMIN3 ) teve um setembro difícil na Bolsa e amarga queda de mais de 17%. As más notícias vieram em um momento já desafiador para o setor de minério de ferro, pressionado pela combinação de preços mais baixos da commodity e forte alta dos custos de frete marítimo.
Com o minério próximo de US$ 95 por tonelada , o mercado passou a questionar a rentabilidade das produtoras mais expostas a esse cenário, caso da própria mineradora.
A pressão aumentou após a companhia revisar suas projeções para 2026 . A CSN Mineração anunciou redução da estimativa de produção e do volume de compras de minério de terceiros, citando justamente a forte elevação dos custos de frete.
A revisão foi recebida de forma negativa pelo mercado por indicar menor geração de receita e menor alavancagem operacional em um ambiente já adverso para o setor. Além disso, analistas passaram a destacar que a empresa é particularmente sensível à combinação entre minério mais barato e frete mais caro, o que comprime margens e reduz a competitividade das exportações.
A Cury ( CURY3 ) figura entre as maiores quedas do mês após aumento das preocupações do mercado com o crédito imobiliário. O principal foco de atenção foi o endurecimento das regras de financiamento da Caixa Econômica Federal , que provocou uma forte correção nas ações de construtoras ligadas aos segmentos de média e baixa renda. Investidores passaram a monitorar os potenciais efeitos sobre vendas, aprovação de crédito e distratos, em um movimento que afetou o setor como um todo.
Apesar do ambiente mais desafiador, a percepção dos analistas sobre a Cury continuou favorável. Um relatório do Goldman Sachs destacou que as vendas residenciais em São Paulo seguiram superando os lançamentos , indicando um mercado ainda saudável na principal região de atuação da companhia. Nesse contexto, o banco reforçou sua preferência por Cury e Cyrela ( CYRE3 ), apontando fundamentos operacionais sólidos e uma dinâmica de oferta e demanda mais equilibrada que a observada em outros segmentos do setor.
Outro tema que marcou setembro foi a discussão sobre os impactos das eleições presidenciais para o setor imobiliário . Na avaliação do JPMorgan, mudanças de política pública podem alterar o cenário para as construtoras nos próximos anos, mas o banco segue vendo valor nas empresas mais expostas à baixa renda, segmento em que a Cury possui forte presença.
Assim, mesmo com a pressão vinda do aperto de crédito e da maior cautela dos investidores, a companhia segue entre as preferidas de analistas para capturar o potencial de crescimento do mercado habitacional brasileiro
A Vale ( VALE3 ) também atravessou um setembro marcado por pressões no setor de mineração e chegou ao seu pior patamar do ano, abaixo dos R$ 70 . Apesar de sinais pontuais de melhora na demanda chinesa, o mercado continuou preocupado com o enfraquecimento dos preços do minério de ferro , que rondaram a faixa de US$ 95 por tonelada , além da forte alta dos fretes marítimos.
Esse cenário reduziu as expectativas para a geração de caixa das mineradoras exportadoras e ajudou a explicar a dificuldade da ação em sustentar movimentos de recuperação ao longo do mês.
Parte das preocupações dos investidores esteve ligada justamente ao impacto do frete sobre a rentabilidade da companhia. O aumento dos custos de transporte passou a corroer os ganhos obtidos com a exportação de minério, levando analistas a revisarem projeções para o setor. Ainda assim, algumas casas mantiveram uma visão construtiva sobre a mineradora.
O JPMorgan, por exemplo, avaliou que o ambiente de curto prazo segue desafiador, mas enxergou oportunidade de compra para as ações , enquanto a XP ponderou que o desconto dos papéis em relação aos pares internacionais não é tão expressivo quanto aparenta à primeira vista.
Ao mesmo tempo, a informação de que a Vale poderia captar até US$ 522 milhões na China por meio da emissão de “panda bonds”, além do anúncio da compra de 30% da Ligga, em um movimento estratégico ligado às operações de Carajás .
Análises de Goldman Sachs, JPMorgan, XP Investimentos e Bradesco BBI após reuniões com a administração da mineradora destacaram o esforço da mineradora para ampliar sua exposição ao cobre em um momento em que o minério de ferro perde força e a expectativa para dividendos se torna mais moderada.
Mesmo com esses vetores positivos de longo prazo, as preocupações com minério mais fraco, f retes elevados e margens pressionadas prevaleceram sobre o desempenho de VALE3 em setembro.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/17-acoes-sobem-mais-de-10-e-5-caem-ao-menos-10-destaques-do-ibovespa-em-setembro-2026/.

Foto: InfoMoney
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