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    “14 meses represados”: o que muda para o Brasil com a aprovação do Redata

    Vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center explica como a aprovação do regime fiscal desbloqueia investimentos que estavam travados desde o anúncio do programa, em maio de 2025 O post “14 meses represados”: o que muda para o Brasil com a aprovação do Redata apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    3 de setembro de 2026 às 15:01
    “14 meses represados”: o que muda para o Brasil com a aprovação do Redata
    Foto: Olhar Digital

    O Senado aprovou o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) nesta semana. Mas, para Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center , o mais importante não é a aprovação em si: é o que ela desbloqueia .

    “Entre o anúncio e a aprovação, já se transcorreram praticamente 14 meses”, disse Tossi em entrevista ao Olhar Digital . “Durante esses 14 meses, aconteceu um represamento muito grande dos projetos aqui no Brasil, porque os investidores estavam na expectativa de ter esse projeto aprovado para dar segurança a esses investimentos, que são de grande monta.”

    Segundo o executivo, apenas nos últimos dois meses – quando o mercado começou a duvidar que o Redata sairia do papel – alguns projetos foram desbloqueados, mas apenas para sustentar o crescimento orgânico dos serviços de nuvem já existentes. Agora, com a aprovação, o cenário muda.

    Layse Ventura
    Layse Ventura — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “Com o Redata aprovado e uma vez sancionado, todos os investidores que estão olhando para o mundo, para locais que tenham energia renovável e energia disponível, voltam a olhar para o Brasil”, afirmou Tossi.

    O texto segue para sanção do presidente Lula, que tem até 15 dias úteis para aprovar ou vetar a proposta.

    O Brasil já detém mais da metade de todo o mercado de data centers da América Latina, mas o custo de investimento no país era um obstáculo para atrair projetos maiores, especialmente os voltados ao treinamento de modelos de inteligência artificial.

    Benefícios fiscais e contrapartidas que as empresas precisam cumprir para participar do Redata. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital
    Benefícios fiscais e contrapartidas que as empresas precisam cumprir para participar do Redata. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “O Redata desonera o investimento em servidores de IA, o que faz com que o Brasil passe a entrar no mercado internacional para competir não só com os nossos vizinhos da América Latina, mas também nessa briga global”, explicou Tossi. “O nosso custo de investimento era muito elevado e isso estava nos deixando um pouco fora desse mercado.”

    Tossi aponta que cerca de 60% dos serviços de nuvem consumidos no Brasil estão hospedados fora do país. “A gente espera que não só a gente consiga repatriar esses dados para o Brasil, mas também que consigamos atrair um volume grande de data centers de treinamento de inteligência artificial”, disse.

    Na prática, as empresas habilitadas terão suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do IPI por cinco anos na compra de equipamentos. Após o cumprimento dos compromissos, a suspensão se converte em isenção definitiva. A estimativa do governo é de uma renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, caindo para R$ 1 bilhão por ano nos dois anos seguintes.

    Dados que mostram por que o Brasil precisa do Redata e o que está em jogo com a aprovação. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital
    Dados que mostram por que o Brasil precisa do Redata e o que está em jogo com a aprovação. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    As principais contrapartidas para as empresas habilitadas são uso de energia renovável ou de baixa emissão, eficiência hídrica no resfriamento dos equipamentos, investimento de 2% em pesquisa e desenvolvimento – sendo 40% obrigatoriamente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste – e destinação de pelo menos 10% da capacidade computacional ao mercado brasileiro.

    Além da questão dos dados hospedados no exterior, Tossi aponta dois impactos diretos: a redução do custo dos serviços de nuvem – hoje entre os mais caros do mundo – e a geração de empregos. Um data center de 50 megawatts de TI emprega entre 3 mil e 6 mil pessoas durante a construção e gera entre 3 e 5 empregos diretos por megawatt durante a operação, além de 6 a 9 empregos indiretos.

    A Brasscom definiu a aprovação como “um passo definitivo para assegurar o protagonismo do Brasil na economia global do século XXI.”

    Benefícios fiscais e contrapartidas que as empresas precisam cumprir para participar do Redata.
    Benefícios fiscais e contrapartidas que as empresas precisam cumprir para participar do Redata. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A aprovação não foi unânime. Um dia antes da votação, a Coalizão Direitos na Rede divulgou manifesto contrário, conforme o Olhar Digital noticiou . O argumento central é que o governo “inverteu a ordem das coisas”: concedeu bilhões em isenções fiscais antes de criar regras claras sobre onde e como essas estruturas podem ser construídas no Brasil.

    Os principais alertas incluem o alto consumo de energia e água dos data centers, a crítica de que colocar servidores em solo brasileiro não transfere tecnologia nem lucro ao país, a aprovação em regime de urgência sem audiências públicas e o caso do data center do TikTok em Caucaia, no Ceará – alvo de questionamentos na Justiça por impactos no fornecimento de água e falta de consulta prévia ao povo indígena Anacé.

    Assista abaixo ( ou leia ) uma reportagem especial do Olhar Digital sobre a corrida bilionária por trás dos data centers no Brasil:

    Dados que mostram por que o Brasil precisa do Redata e o que está em jogo com a aprovação.
    Dados que mostram por que o Brasil precisa do Redata e o que está em jogo com a aprovação. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

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    Vídeo: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/03/pro/14-meses-represados-o-que-muda-para-o-brasil-com-a-aprovacao-do-redata/.

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