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    10 filmes e documentários para conhecer a história do Brasil

    Do período colonial à redemocratização, produções nacionais ajudam a repassar momentos decisivos do país

    CNN Brasil
    7 de setembro de 2026 às 08:55
    10 filmes e documentários para conhecer a história do Brasil
    Foto: CNN Brasil

    Feriados que remetem à história do Brasil também podem ser uma oportunidade para revisitar momentos decisivos do país por meio do cinema. Da colonização à redemocratização, filmes e documentários nacionais retratam episódios como a escravização, a Era Vargas, a ditadura militar e as crises políticas mais recentes, além de oferecerem diferentes perspectivas sobre acontecimentos que ajudam a explicar o Brasil de hoje.

    Especialistas, no entanto, recomendam assistir a mais de uma produção sobre o mesmo período para comparar abordagens e evitar que a visão de um único filme seja tomada como retrato definitivo da história.

    Historiadores que estudam a relação entre audiovisual e ensino defendem que os filmes não substituem a pesquisa histórica, mas funcionam como um primeiro contato afetivo com períodos que, de outra forma, permanecem abstratos.

    Cinema nacional reconstituiu momentos-chave da história do Brasil, da colonização à redemocratização. • Reprodução/RioFilme · • Reprodução/RioFilme
    Cinema nacional reconstituiu momentos-chave da história do Brasil, da colonização à redemocratização. • Reprodução/RioFilme · • Reprodução/RioFilme — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para Flávio Vilas Boas Trovão, professor do mestrado profissional de história da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e autor do livro “História das Américas através do cinema”, o audiovisual tem a vantagem de aproximar o espectador de referências que já fazem parte do seu repertório.

    Segundo ele, o cinema ajuda a “aproximar figuras e episódios com os quais os estudantes já têm contato por serem lembrados em feriados, nomes de rua ou livros didáticos”.

    Essa aproximação, no entanto, não dispensa cuidado crítico. Cada filme representa uma leitura específica de determinado momento histórico, moldada pela época em que foi produzido e pelas escolhas de seu diretor, o que reforça a importância de assistir a mais de uma obra sobre o mesmo tema antes de tirar conclusões definitivas.

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    Oscar 2027: Academia Brasileira divulga 15 filmes que podem disputar prêmio — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Entre as produções que revisitam os primeiros séculos da história brasileira, “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1971), de Nelson Pereira dos Santos, acompanha um francês capturado pelos tupinambás no Brasil do século XVI, em uma narrativa que aborda o contato entre europeus e povos indígenas e as disputas coloniais do período.

    Já “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues , parte da trajetória de Xica da Silva para retratar as relações sociais e de poder no Brasil escravista do século XVIII.

    Décadas depois, “Guerra de Canudos” (1997) recria o confronto entre o Exército republicano e os seguidores de Antônio Conselheiro no interior da Bahia, episódio emblemático dos primeiros anos da República brasileira, e segue sendo estudado como símbolo dos conflitos entre Estado e populações do sertão.

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    "Tropa de Elite 2" é eleito uma das 100 melhores sequências do cinema — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O período getulista também rendeu produções de peso no cinema nacional. “Olga” (2004), de Jayme Monjardim, acompanha a militante comunista Olga Benário e seu relacionamento com Luiz Carlos Prestes, em meio à repressão política do governo de Getúlio Vargas.

    Já “Getúlio” (2014) foca nos últimos dias de vida do presidente Getúlio Vargas, revisitando a crise política que antecedeu o suicídio do presidente, em 1954.

    A ditadura militar concentra o maior volume de produções sobre história recente do país. “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, narra o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick por um grupo de resistência, em 1969.

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    "Barreto em Transe": Luiz Carlos Barreto ganhará filme dirigido por neta — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Já “Batismo de Sangue” (2007) acompanha frades dominicanos que se engajaram na luta armada contra o regime, e retrata a prisão e a tortura sofridas pelos religiosos durante o regime.

    Para revisitar a origem do golpe, o documentário “Jango” (1984), de Silvio Tendler, reconstitui o governo de João Goulart e os eventos que resultaram em sua deposição em 1964. Inclusive, o filme levou mais de meio milhão de espectadores aos cinemas e é apontado como o sexto documentário de maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

    Um recorte menos explorado pelo cinema comercial, mas essencial para entender o período, é o das mulheres presas e torturadas durante o regime militar. O documentário “Que Bom Te Ver Viva” (1989), dirigido por Lúcia Murat (ela própria presa política na época), dá voz a essas mulheres décadas depois, entrelaçando depoimentos reais com encenações ficcionais.

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    Oscar 2027: Academia Brasileira divulga 15 filmes que podem disputar prêmio — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A obra se tornou uma referência para a discussão sobre memória, violência política e experiência das mulheres durante a ditadura.

    Mais próximo do presente, “Democracia em Vertigem” (2019), de Petra Costa , ganhou projeção internacional ao acompanhar acontecimentos centrais da política brasileira recente.

    O documentário acompanha o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e a ascensão de Jair Bolsonaro, entrelaçando esses eventos à trajetória pessoal da diretora.

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    Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A obra estreou no Festival de Sundance, foi indicada ao Oscar de Melhor Documentário em 2020 e mantém aprovação de 96% no site de críticas Rotten Tomatoes.

    Para Henri Pierre Arraes de Alencar Gervaiseau, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), o documentário se destaca pelo cuidado na reconstituição factual dos acontecimentos.

    Ele descreve o filme como “muito bem documentado, com registros efetuados de forma observacional”, ainda que a diretora assuma um ponto de vista pessoal ao longo da narrativa, característica que, segundo especialistas em audiovisual, distingue o documentário autoral do relato jornalístico tradicional.

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    Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Diante da quantidade de opções disponíveis em plataformas de streaming, especialistas recomendam evitar tratar um único filme como retrato definitivo de qualquer período histórico. Alcides Freire Ramos, doutor em história e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), defende a exibição de mais de uma obra sobre o mesmo momento sempre que possível, comparando produções feitas em décadas diferentes e sob perspectivas distintas.

    Segundo ele, esse contraste ajuda a “facilitar a compreensão a respeito da historiografia” de cada episódio e do modo como ele foi revisitado ao longo do tempo pelo cinema nacional.

    Para quem tem pouco tempo disponível durante o feriado, a recomendação prática é priorizar um recorte temático: colonização, Era Vargas, ditadura ou democracia recente, em vez de tentar cobrir toda a história do país em uma única maratona. Assim, cada sessão de cinema em casa funciona menos como aula fechada e mais como ponto de partida para pesquisas complementares sobre os episódios retratados.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/pop/cinema/10-filmes-e-documentarios-para-conhecer-a-historia-do-brasil/.

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