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    1.242 artigos em nove anos: o que há por trás do De Grão em Grão

    Quase nada que vale muito é construído de uma vez. Um patrimônio, uma carreira, conhecimento ou confiança são resultado de pequenas ações que, repetidas por muito tempo, acabam produzindo algo muito maior do que cada uma delas isoladamente. Talvez por isso eu goste tanto do nome que escolhi para esta coluna e, principalmente, da ideia que ele representa. Leia mais (08/17/2026 - 18h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 21:00
    1.242 artigos em nove anos: o que há por trás do De Grão em Grão
    Dois homens em pé conversam na área de negociação da Bolsa de Valores de Nova York, cercados por múltiplos monitores exibindo cotações e gráficos financeiros. — Foto: Folha de S.Paulo

    Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro

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    A constância que ajuda a construir patrimônio também explica como 1.242 artigos foram publicados ao longo de nove anos.
    A constância que ajuda a construir patrimônio também explica como 1.242 artigos foram publicados ao longo de nove anos. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quase nada que vale muito é construído de uma vez. Um patrimônio, uma carreira, conhecimento ou confiança são resultado de pequenas ações que, repetidas por muito tempo, acabam produzindo algo muito maior do que cada uma delas isoladamente. Talvez por isso eu goste tanto do nome que escolhi para esta coluna e, principalmente, da ideia que ele representa.

    Quando escolhemos o nome De Grão em Grão, há exatamente nove anos, pensávamos na forma de construção de patrimônio.

    Na minha visão, riqueza não precisa nem costuma nascer de uma grande tacada ou de um investimento extraordinário, mas pode ser construída pacientemente, com economia, boas decisões, disciplina e tempo.

    Cada pequena parcela acumulada pode parecer pouco naquele momento, mas é a soma desses grãos ao longo dos anos que constrói algo sólido.

    Hoje percebo que o nome acabou descrevendo também a própria filosofia da coluna. Este é o artigo de número 1.242, o que representa uma média de 138 textos por ano, mais de 11 por mês e mais de dois por semana. Como nos investimentos, constância e disciplina são fatores que sempre persegui também aqui.

    Das 470 semanas, desde o primeiro artigo, em 469 houve pelo menos uma publicação. Apenas uma semana inteira passou sem que nos encontrássemos por aqui. Não lembro o que ocorreu nesta semana, mas com certeza houve alguma razão para quebrar minha disciplina.

    Mais do que uma medida de produtividade, gosto de enxergar essa regularidade como uma demonstração de compromisso com você. Manter essa frequência significa estudar, questionar e procurar, semana após semana, alguma ideia que mereça seu tempo e que possa te ajudar a compreender melhor seu dinheiro. Esse sempre foi o principal objetivo desta coluna.

    Ao olhar para os assuntos de tantos encontros, descobri algo que eu mesmo talvez não previsse quando comecei. Classificando os 1.241 artigos anteriores em dez grandes temas, o mais frequente não foi Bolsa nem renda fixa, mas planejamento financeiro. Foram 325 textos, mais de um em cada quatro publicados nesses nove anos.

    Na sequência aparecem renda variável, com 191 artigos, renda fixa, com 181, estratégia de investimentos, com 178, tributação e sucessão, com 154, e previdência e aposentadoria, com 101.

    Também conversamos sobre comportamento, imóveis, proteção patrimonial e cenário econômico. Essa diversidade ajuda a explicar por que considero difícil separar investimentos das demais decisões que envolvem nossa vida financeira.

    Uma conversa que começa em renda fixa pode terminar em aposentadoria, assim como uma discussão sobre imóveis pode levar a refletir sobre liquidez, um texto sobre Bolsa pode acabar tratando de comportamento e uma dúvida sobre previdência pode revelar uma questão sucessória.

    Até uma pergunta aparentemente simples sobre rentabilidade pode esconder um problema muito mais importante sobre risco, objetivos ou prazo. Afinal, o dinheiro precisa servir a alguma coisa.

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    Depois de nove anos escrevendo sobre investimentos, estou cada vez mais convencido de que escolher onde investir é apenas uma etapa.

    Antes dela precisamos compreender para que estamos poupando, quanto será necessário, quais riscos podemos suportar, o que precisamos proteger e como pretendemos utilizar o patrimônio ao longo da vida.

    Por isso, a pergunta mais importante raramente é apenas "onde devo investir?", mas sim "o que eu quero que meu patrimônio faça por mim?".

    Esses nove anos também produziram uma transformação que nenhuma estatística consegue mostrar. Comecei esta coluna querendo compartilhar o que sabia, mas uma das surpresas dessa trajetória foi descobrir o quanto precisaria aprender para continuar escrevendo.

    Escrever me faz bem justamente porque me obriga a transformar aquilo que imagino saber em um raciocínio que outra pessoa consiga compreender.

    É relativamente fácil acreditar que entendemos um assunto enquanto ele está apenas em nossa cabeça. Colocá-lo no papel exige ordenar o raciocínio, procurar dados, questionar premissas, considerar argumentos contrários e descobrir o que realmente importa.

    Algumas vezes começo um artigo convencido de determinada conclusão e termino pensando um pouco diferente, porque escrever revela lacunas que uma ideia ainda desorganizada consegue esconder.

    Talvez seja essa uma das maiores contribuições que a coluna trouxe para mim. Há uma enorme diferença entre ter uma opinião e conseguir explicá-la com clareza. Por isso, estes 1.242 artigos não representam apenas 1.242 oportunidades em que tentei ensinar alguma coisa, mas também 1.242 ocasiões em que fui obrigado a organizar melhor minhas ideias, rever convicções e aprender.

    Muito desse aprendizado também veio dos próprios leitores. Perguntas, críticas, dúvidas e histórias frequentemente se transformaram em novos textos e me fizeram olhar para velhos problemas por outros ângulos. Também sou muito grato à Folha pela confiança e por me permitir ocupar este espaço ao longo desses nove anos.

    Quero que essa troca continue. Aproveito este aniversário para fazer um convite: escreva nos comentários quais assuntos gostaria de ver nas próximas edições do De Grão em Grão.

    Se houver uma dúvida ou situação que prefira não expor publicamente, também pode me escrever pelo Instagram, pois uma questão particular muitas vezes é a mesma que inquieta milhares de outros leitores.

    Quando escolhi o nome De Grão em Grão, pensava essencialmente na construção de patrimônio. Nove anos depois, percebo que ele acabou descrevendo também a construção desta coluna, da relação com os leitores e do meu próprio conhecimento. Tudo isso foi sendo acumulado da mesma maneira que acredito que um patrimônio sólido deve ser construído: com pequenas contribuições, consistência e tempo.

    Espero que, enquanto esses grãos de conhecimento se acumulavam por aqui, muitos outros tenham se acumulado no patrimônio de quem me acompanha e que continuem se acumulando nos próximos nove anos.

    Se esta coluna puder continuar contribuindo, ainda que com um pequeno grão de cada vez, para que você tome decisões melhores sobre o próprio dinheiro, ela continuará cumprindo o propósito para o qual foi criada.

    Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/08/1242-artigos-em-nove-anos-o-que-ha-por-tras-do-de-grao-em-grao.shtml.

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    A constância que ajuda a construir patrimônio também explica como 1.242 artigos foram publicados ao longo de nove anos. — Foto: Folha de S.Paulo

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